CAPOEIRA
Capoeira, que nasceu para dizer não a todo tipo de opressão, injustiça e escravidão.
Herança nobre, legado da escravidão.
Era luta de oprimidos e excluídos da Nação.
Hoje é desporto de regra e competição.
Eu não concordo com tanta deturpação.
Segura moço, presta atenção.
A capoeira não é luta do patrão.Mestre Pinóquio
Achei muito estranho que os versos acima, aparentemente um brado contra a… opressão, ilustre uma nota que anuncia a realização de uma audiência pública (amanhã, às 18h), na Assembléia Legislativa, para tratar do intrigante tema “Construindo a Profissionalização da Capoeira – um Tributo aos Mestres”.
Está lá que “O evento, promovido pela deputada estadual Angela Albino (PCdoB) e pelo vereador Dr. Ricardo Vieira (PCdoB), pretende discutir a regularização da profissão de capoeirista e prestar uma homenagem aos praticantes dessa arte, que é dança, jogo e luta”.
Bom, nessas horas eu quase sou levado a fazer coro com os ministros do STF nas perguntas que não querem calar: como assim? Vão exigir carteirinha (quem sabe curso superior), pagamento de taxa, registro no Ministério do Trabalho? Vão querer enquadrar a capoeira e os capoeiristas? E o espírito original da coisa, da brincadeira, da contravenção, ou, como disse o poeta citado acima, da luta contra “todo tipo de opressão, injustiça e escravidão”?
Bom, vai ver que é isso mesmo, que a turma quer contribuir pro INSS, se aposentar, cumprir horário, receber salário. Novos tempos. Até capoeiristas têm direito a uma profissão regulamentada. Menos os jornalistas, claro. Mas essa é outra questão.
Caro Cezar, a chamada para audiência pública para nós capoeirstas, professores, mestres e contra mestres foi a chamada para o debate, para a contrução… Sem projeto fechado, e sem pretenção alguma de encerrar a discussão ali.
Estive presente ontém a ALESC, fiz meu depoimento, apresentei minhas idéias e acho que pensar isso aqui em Florianópolis, que caso você não saiba, é referência nacional da capoeiragem é importante sim.
Desde o momento que a Capoeira foi reconhecida como Patrimonio Cultural e Imaterial Brasileiro tramitam diversos projetos de leis sobre a profissionalização dos capoeiras. A audiência ontém foi para debater se queremos este tipo de projetos ou não.
Esta ladainha que você citou, de autoria de um grande Mestre e Educador Popular, que é o Mestre Pinóquio foi aprsentada num dia de indgnação no ato do reconhecimento da capoeira enquanto Patrimonio Cultural e Imaterial.
Este desabafo não vai de forma alguma de encontro ao que foi proposto e dito ontém.
A chamada foi para a reflexão a apresentação de idéias. Todos os capoeiras tem um mestre, é nele que forjamos o capoeirista que queremos ser. Não julgo correto que uma lei “vertical” venha e se aproprie da experiência e memória destas pessoas e não lhes ofereça as minímas condições de atuação, continuidade de seus trabalhos e projetos.
Muitas questões estão envolvidas aí, e a coisa é mais complexa. A luta não é por registro, carteirinha e coisas afins, pois já tem gente lá de cima que cheio de interesses individuais já estão cuidado de fazer.
A luta é pelo reconhecimento do qual importante é o trabalho e vivência destes mestres. O que a sociedade vai oferecer a eles quando a idade não permitir mais a estes o exercicio de seu trabalho.
Como estes ficaram no meio desta sociedade descartável? São estes os questionamentos.
Ressalto aqui que encontramos um esquema mais ou menos assim:
Alguns vivem da capoeira, outros vivem para a capoeira.
Se o assunto te interessa, causa indgnação, ou memso dúvidas, nós da Associação Cultural Ilha de Palmares, bem como os diversos capoeiras da Ilha estão abertos para o dialogo.
Grata pela atenção.