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AGOSTO – QUATRO ANOS DE OLHO

A arte de explicar o inexplicável

M.C. Escher, em 1953, já desenhava os argumentos do Delúbio

M.C. Escher, em 1953, já desenhava os argumentos do Delúbio

[Tio Cesar ensina a nadar no mar de lama – 16 de agosto de 2005]

O Delúbio vai depor amanhã (17/8/2005) às 11h30min na CPI. Ele é um técnico altamente capacitado e sabe, como poucos, passar uma impressão de ser humano pouco inteligente quando necessário.

Não é verdade que as explicações dele e da turma dele sejam confusas (tá certo que o esquema que eles montaram está mais para trapalhões do que para James Bond, mas também não se pode querer tudo), ou sejam mentirosas.

Eles contam uma verdade alternativa, por intermédio de uma narrativa organizada de forma heterodoxa que aparentemente não leva a lugar nenhum de tal forma que sempre que a gente acha que eles estão indo, na verdade estão voltando e vice-versa (a ilustração acima mostra isso claramente).

Portanto, quando qualquer de vocês tiver que se explicar sobre qualquer coisa mais complicada (chegada tarde, batom na cueca ou land rover na garagem), use a mesma técnica: “o que eu fiz é feito sistematicamente por todo mundo”. Isso lança uma ampla suspeição e inibe os acusadores (“o que será que ele sabe a meu respeito?”), fazendo com que o pessoal fique mais cauteloso.

Depois, é só tomar uns comprimidos de Desmemoriol, para poder dizer, com toda a sinceridade, que não se lembra nem do nome da sua mamãe. Esse remédio tem um efeito colateral positivo: enrola a língua. Assim, a conversa fica naturalmente pastosa, confusa e apropriadamente embaralhada, bem daquele jeito Delúbio de ser.

MUDANDO DE ASSUNTO, MAS AINDA EM 2005…

PREFEITURA EM CHAMAS – Depois de um aquecimento de muitos graus, labaredas de vários tipos e da quase formação de um ciclone político extra-partidário, o clima interno da Prefeitura Municipal de Florianópolis começa a normalizar, com a ação dos bombeiros tucanos voluntários.

Ainda sem líder na Câmara, o Prefeito Dário assumiu pessoalmente a tarefa de conversar com os vereadores. Só vai pensar num nome para ocupar o cargo vago quando voltar do Chile.

Convidado pelo governador, Berger aproveita a oportunidade para refrescar a cabeça enquanto faz propaganda do município e tenta atrair chilenos para as nossas praias.

Gente bem informada, na Prefeitura, acredita que quando o prefeito voltar os atritos e desencontros (quase sempre envolvendo, de alguma maneira, o Secretário Gean Loureiro) serão substituídos por um pacto de convivência civilizada.

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