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Florianópolis

O papel histórico do Floriano Peixoto

O Nei Duclós, poeta e jornalista, que participou da grande revolução do jornalismo catarinense, ocorrida nos anos 70, com a criação do Jornal de Santa Catarina e a reforma de O Estado, escreve para debater a questão histórica que antecedeu a atribuição do nome da capital, levantada ontem, no post “Antes Florianópolis que Floripa”, por uma carta do Ernesto São Thiago que publiquei ali:

“Prezado amigo César Valente: É justo argumentar contra a mudança de nome da cidade, mas isso não pode ser feito com preconceitos e anacronismos vestidos com o uniforme da História factual, como se nessa ciência humana já não tivesse instrumentos suficientes para impedir esse tipo de armadilha. Vê-se na carta publicada em seu prestigiado site uma série de vícios, que cobrem o artigo de impropriedades.

Está claramente demarcada a diferenciação bairrista entre “gente que não é daqui” (expressão execrável brandida como argumento decisivo) e os chamados “Manezinhos” (expressão que não existia na época do penta, tri ou tetra-avô). Assim como não existiam os manezinhos da ilha , termo que exclui os florianopolitanos do continente, não existiam os federalistas como proprietários exclusivos da degola e da brutalidade política. Há relatos de sobra de episódios em que os republicanos de lenço branco também eram adeptos da degola, não apenas os federalistas. Era uma prática comum na época e não se restringia a sulistas ou uruguaios.

Floriano Peixoto, tendo ou não responsabilidade direta do massacre de Anhatomirim, traiu seus aliados, que tinham garantido sua posse depois do golpe de estado de Deodoro da Fonseca. Como se sabe, Fonseca fechou o Congresso e recebeu apoio dos governos provinciais. Mas teve de sair por força dos canhões da Armada. Floriano convulsionou o país quando deu força para os que tinham apoiado o golpe, em detrimento das oposições estaduais. Estas, assumiram o poder quando o comandante Custódio de Melo ganhou a parada, em primeira instância, no Rio de Janeiro (mais, tarde, seria derrotado).

Se o federalismo fosse apenas essa bandidagem descrita na carta, grandes líderes federalistas como Gaspar Martins ou o constitucionalista Assis Brasil seriam apenas vilões da História, quando sabemos que são importantes protagonistas da virada da Monarquia para a República. Outro vetor grave da carta é essa má vontade com o Sul e a fronteira, o que alimenta preconceitos contra uma região para celebrar o heroismo de quem não faz parte dela. São equívocos graves que atentam contra a necessária isenção que todo evento histórico deve ser tratado. Mesmo que o autor da carta se ache cheio de razões, sua argumentação totalmente equivocada acaba diluindo a força de persuasão que poderia ter.

Aviso que “não sou daqui”, mas aqui estou.

Atenciosamente

Nei Duclós”

EM TEMPO

O Nei e a turma de jornalistas que o Nestor Fedrizzi levou para Blumenau para criar e fazer o Santa (o Jornal de Santa Catarina, primeiro diário em off-set do estado), entre eles Mário Medaglia e Virson Holderbaun, sentiu na carne a discriminação provocada pelo bairrismo. Não bastasse serem de fora, ainda usavam, na época, longos cabelos e barbas abundantes, vestindo-se conforme um figurino “rebelde” (camisetas justas coloridas, calças bocas de sino, sandálias, grandes bolsas de couro a tiracolo) a que a conservadora Blumenau não estava acostumada. Foram barrados em alguns bailes, tinham entrada restrita em alguns bares e, quando a primeira crise no Santa e a reabertura de O Estado fez com que vários se mudassem para Florianópolis, a sensação foi que o pior tinha passado. A capital os acolheu com outros ares. Adolfo Zigelli foi o principal anfitrião e Ayrton Kanitz, que tinha chegado antes, trataram de ciceroneá-los, e alguns, como o Mário Medaglia e o Virson, nunca mais saíram daqui. O Nei saiu por um tempo, mas voltou.

Não entro no debate histórico por absoluta falta de conhecimento. Mas continuo achando “Floripa” o fim. Como disse ontem, até Florianópolis é melhor que “Floripa”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Pois foi justamente a turma do Fedrizzi, aí incluso o Nei, que iniciaram com a denominação “Floripa” à Capital.
    Strix.

    Posted by Strix | julho 27, 2009, 12:08
  2. Strix, isso é uma calúnia. À parte seu comentário inoportuno e sem nenhuma base, gosto de Floripa, mas jamais apoiaria a troca do nome da cidade. É um apelido, assim como Sampa, Big Apple, e apenas isso. Não pode substituir o nome oficial de jeito nenhum. Mas também não pode ser proibido de ser usado. Nem pode ser vilanizado como obra de “gente que não é daqui” . Amigos: nem os índios, que aqui estavam antes dos colonizadores, eram daqui. Por favor.

    Posted by Nei Duclós | julho 27, 2009, 12:27
  3. Prezado Nei,

    Em momento algum tive a pretensão de escrever um texto com rigor jornalístico ou acadêmico.

    Trata-se do desabafo de um florianopolitano defendendo o nome da sua cidade e procurando honrar sua história familiar.

    Nada mais do que isto.

    De todo modo, ainda no campo da informalidade, respeitosamente recomendo não ver chifre em cabeça de cavalo e tampouco ficar procurando pêlo em ovo.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 27, 2009, 12:42
  4. Cesar,

    A questão histórica ficou em segundo plano.

    Depois dos esclarecimentos do teu “em tempo” e do comentrário do Strix, dá para entender a real motivação do pitaco do Nei: TRAUMA – não daquele que se experimenta involuntariamente e sim do que se padece após dar um tiro no próprio pé.

    Não tenho nada, absolutamente nada contra visitantes temporários, ou que deixaram de sê-lo uma vez enraizados em Florianópolis, contribuindo para o desenvolvimento econômico, cultural da urbe.

    Até porquê sou aspirante a empresário do Turismo, como muitos sabem.

    Porém, enfileiro-me ao lado daqueles que, de modo algum, toleram gente recém chegada “de fora” (quem não é daqui é de fora, forasteiro, certo?) querendo ditar regras em nossa terra, atingindo o extremo de abertamente propor trocar até o nome da nosssa cidade, ou pior, dando-lhe apelido com o mesmo intuito.

    Quem alimenta o bairrismo mundo afora são estes que apresentam-se feito elefantes em loja de cristais, querendo impor-se de qualquer modo, sem respeitar os valores, as tradições verdadeiramente históricas, o modo de portar-se, de vestir-se, etc.

    Achando-se a última bolacha (ou seria “bombacha”?) do pacote, apenas por fazerem questão de, escancaradamente, serem diferentes do novo universo que estão “invadindo” com esta maneira equivocada “relacionarem-se” – ao invés de chegarem obedecendo às mínimas regras da diplomacia, como convém.

    Então eu pergunto: o preconceito é dos manezinhos (da ilha ou do continente), em relação a certos vistantes que portam-se desta maneira destrambelhada, ou destes contra quem aqui está?

    E quanto a “essa má vontade com o Sul e a fronteira” – será que ela é realmente daqui para lá, ou o inverso, alimentada pelo culto a uma “tradição” excludente, sexista, separatista, centrada nas sevícias aos animais, artificialmente “montada” com recortes históricos e antropológicos muito mal colados e que tem até cartilha como instrumento de lavagem cerebral?

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 27, 2009, 13:49
  5. Amigo César: como quase todo o debate acaba assim, meio que na base do grito (quando falta argumento e leitura adequada), me limito a dois esclarecimentos. Um é repetido: gosto da palavra Floripa, mas jamais apoiaria qualquer movimento para substituir o nome oficial da cidade. Também não tenho nada ver com a origem da palavra ou seu uso num primeiro momento. Uso às vezes nos meus artigos, como uso também Florianópolis. Segundo: sempre fui bem recebido aqui na ilha e não tenho trauma nenhum, tanto é que voltei mais de uma vez e aqui sempre me senti muito bem. Não sou forasteiro, pois continuo vivendo no meu país. Tanto faz no sul como no norte: é tudo Brasil. Grande abraço, amigo César e obrigado pela oportunidade.

    Posted by Nei Duclós | julho 27, 2009, 16:01
  6. Cada qual tem uns espinhos
    Sob rugas de tempo, calo e pó
    E acha que escolhe caminhos,
    Enquanto picam-lhe, sem dó.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 27, 2009, 16:08
  7. Nei, perdão por ter subido o tom depois de você tê-lo feito.

    Eu deveria ter usado argumentos “ad hominem” disfarçados nas dobras do discurso, como você fez no “patchwork histórico” de tom professoral que tentou impor, escolhendo as “sobras de tecido” da cor que lhe convieram.

    Dar o tapa e esconder a mão é feio, Nei.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 27, 2009, 17:34
  8. (César, teu articulista pesou a mão de novo, preciso responder, infelizmente):

    Não é verdade. Quem começou, no primeiro texto, a falar em “monturo de asneiras” foi você, Ernesto. Fiz o contraponto baseado em leituras e não em arroubos e patriotadas provinciais, como se a guerra ainda estivesse em curso, e fosse obrigatório tomar partido, e não soterrada há mais de um século, o que exige insenção e estudo. Feio é acusar nos outros os próprio defeitos. Meu tom é franco e claro, temperado por 40 anos de jornalismo e por formação acadêmica clássica. E não em acusações contra quem é ou não “daqui”. Posso imaginar que tipo de empresário turístico surgirá do cidadão que não mora em Florianópolis, mas na aguerrida cidade virtual denominada Daqui.

    Posted by Nei Duclós | julho 27, 2009, 18:00
  9. Sabem o que é que me faz comentar aqui? Estou impressionada sobre como é que a reles manifestação de um sujeito qualquer, que 95% da cidade não faz a mínima ideia de quem seja (e jamais fariam, não fosse a poderosa repercussão de seu comentário “sem maiores pretensões” por Roberto Azevedo), provoca um debate no tom que aqui se percebe, como se houvesse realmente a menor possibilidade de que o que a anta sugeriu pudesse ser levado a sério: trocar o nome de Florianópolis por qualquer outro que seja. E, quem sabe, pelo carinhoso apelido de Floripa!
    Vai ver, é porque o tal possui as credenciais aquelas, que transformam qualquer um em um ser muito especial: Rubem Alves foi perseguido pela “ditadura” militar, viveu algum tempo exilado etc etc etc… aí, ai, ai… que tédio…

    Posted by Maria Aparecida Nery | julho 27, 2009, 18:26
  10. Moreira César, que fez o trabalho sujo para os valentes ancestrais do Senhor “esta terra tem dono” Ernesto San Thiago, foi muito bem retratado por Euclides da Cunha, em Os Sertões. Muitas coisas reveladoras lá são apresentadas, principalmente o nada civilizador papel dos pais da República. Mas longe de mim querer sugerir luzes para quem as acumula há várias gerações. De outra parte, soa ridículo esse discurso xenófobo que busca no século XIX as raízes de seu mal disfarçado recalque contra os “de fora”, personificados em gente que vem do sul, que ao fim e ao cabo tem a mesma matriz açoriana tão admirada pelos puristas locais. Mas o certo é que tal xenofobia é produto tão somente da perda do poder que estava concentrado em poucas famílias até os setenta. Os “de fora” – UFSC, Eletrosul, mercado imobiliário, etc – quebraram a hegemonia coronelista mal disfarçada que havia até então não porque tomaram seu lugar no âmbito do poder direto, mas porque trouxeram renda e possibilidades de ascensão social para muitos ilhéus e continentinos sem ascendência ilustre. E isso jamais será perdoado pela outrora elite que não consegue aceitar o crescimento de uma população cada vez mais mesclada e pouco saudosista dos tempos em que aos filhos pobres da terra restava migrar para ascender social e economicamente. Lamento que a cada ano vejo aflorar mais e mais forte esse sentimento de repulsa aos de fora. Espero que os mais jovens, despidos das velhas mágoas, possam se preparar melhor para uma cidade cosmopolita como já somos (posso me incluir nela, Sr. San Thiago?). Desculpem se me excedi no desabafo. Ao joranlista: parabéns pelo blog, está se tornando leitura obrigatória.

    Posted by Luiz | julho 27, 2009, 21:35
  11. Nei, em parte alguma disse que você cometeu um “monturo de asneiras”, coisa que, por enquanto, não pretendo dizer que você disse (não me faça dizer!).

    É fácil perceber que você navega bem com falácias fazendo as vezes de remos – “40 anos de jornalismo” e “formação acadêmica clássica” foi “mara”! (você não precisava lançar mão disto) – mas de vez em quando olhe sobre os ombros…

    Não queira confundir os leitores deste blog, pondo em dúvida inclusive minha futura competência como empresário do turismo.

    Andou mal generalizando minhas impressões bem precisas quanto a uma parcela reduzida das gentes de fora “daqui”, aquela que não se ajusta por completo em lugar algum do mundo, exatamente por, no íntimo, estar vivendo sempre “Lá”, mesmo fruindo as delícias “Daqui” – e dali.

    Você também acha uma patriotada provincial a “Semana Farroupilha”, relativa a um conflito anterior, evento que enaltece uma outra república que não a do Brasil, justamente poucos dias depois do 7 de setembro?

    Chegou a hora de pegarmos em armas no Mercado Público da polis de Floriano – basta marcar a hora e o box.

    Aviso que vou chegar meia hora antes para ir “calibrando a palavra”.

    O César que pague a conta, dele.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 27, 2009, 22:01
  12. QUEM inventou o apelido FLORIPA foram surfistas vindos de São Paulo, na década de 1970. Eles se inspiraram no apelido SAMPA criado pelos bichos-grilos da capital paulista. E quem difundiu primeiramente o FLORIPA entre nós, sem a intenção de mudar o nome da cidade, foi o colunista Beto Stodieck. FLORIPA foi, durante muito tempo, uma maneira descolada de se referir à capital florianopolitana, nunca uma contestação ao nome oficial, adotado em 1894, em substituição a Nossa Senhora do Desterro.
    Quanto a Floriano Peixoto, inspirador do nome de nossa cidade, trata-se de persona absolutamente non grata aos florianopolitanos. Tanto que a praça que tinha seu nome foi suprimida da lista de logradouros oficiais. Abraços, Damião.

    Posted by Carlos Damião | julho 28, 2009, 08:57
  13. “Monturo de asneiras” foi expressão usada por você, Eduardo, no primeiro artigo, o que desencadeou esse debate. O tom já estava alto aí, por sua iniciativa. Não disse que você me atribuiu a expressão. E, se atribuir, isso não me atinge. Com mais de 50 anos voltei à escola e fui avaliado por eruditos na matéria. Lá, onde tudo é debatido com base e elegância, aprendi como se comporta a influência perniciosa do amadorismo com pose de verdade absoluta.

    É preciso ler e entender o que se lê. Para contrapor à sua acusação de que usei um “tom professoral”, esclareci sobre minha formação. Se você se sentiu atingido pela quantidade de informações que desconhece e teve uma reação de cultura ágrafa – acusar alguém de “professor” – não é problema meu.

    Não estou abordando aqui a Semana Farroupilha, que nada tem a ver com o debate. Quanto à luta com palavras, dispenso. Se isso lhe dá satisfação, você já ganhou. Parabéns. E, como todo vencedor, fique com suas certezas e deixe de lado, como costuma fazer, a informação e a formação histórica.

    Posted by Nei Duclós | julho 28, 2009, 10:52
  14. Felipe Schmidt, no posto de major nas tropas republicanas, participou ativamente no combate da Lapa, próximo a Curitiba, chegando a escrever um relato sobre a heróica defesa deste ponto estratégico contra os federalistas.

    A estátua do coronel Fernando Machado, outro herói nosso, este da Guerra do Paraguai, padrinho de Cruz e Sousa, foi erguida em 1917, sob as ordens de Felipe Schmidt, durante o seu segundo mandato como governador, exatamente na praça Floriano Peixoto, unindo simbolicamente duas figuras tão importantes para o Estado de Santa Catarina.

    A praça somente veio a se chamar de Fernando Machado no governo municipal de Sérgio Grando, através da lei 4.146/93.

    O fato é que a praça, antes da lei, já vinho sendo reconhecida, pelas novas gerações com o nome da personalidade que a estátua homenageia, identificada por uma placa, uma confusão natural em um povo que não conhece a sua história que nada tem a ver com o sentimento revanchista das “viúvas do federalismo”, como alguns querem fazer crer.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 28, 2009, 13:49
  15. Professor Nei, perdão pela petulância de eu ter discordado do Sr. sobre a “questão” de Floriano Peixoto!

    Que ousadia a minha fazê-lo “enquanto” amador, ignorante e iletrado, apoiado fragilmente em Evaldo Pauli e outros miseráveis do intelecto que discordam do anátema lançado sobre Floriano Peixoto, julgando tratar-se de puro revanchismo!

    Por fim, respeito seu desejo de não tratar da “Semana Farroupilha”, durante a qual se enaltece a tanto saudosa quanto efêmera “patriotada” (a expressão é sua) “República Rio-Grandense”.

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 28, 2009, 14:18
  16. Cesar o teu “blog do site” tá bombando!!!

    Que bate-boca danado de bom, sô!!! hehehe

    Cada um chama, na sua intimidade, como quiser.

    Tem um profesor candidato que chama de Flor. E ele tem o direito de chamar, informalmente, como quiser. A boca é dele. Acredito!?

    E este bate-boca sem solução a cada 10 anos volta com força quase total. Final da década de 80 início da de 90 teve outro arranca-rabo sobre o assunto.

    O nome oficial é Florianópolis, que fica na ilha de Santa Catarina e, somente se, alguém quiser mudar o nome sua proposta deve passar por uma votação na Câmara dos Vereadores (talvez até pela Assembleia Legislativa ?) e depois por um plebiscito.

    E, neste caso, quem dicidirá o nome escolhido será a maioria. E viva a DEMOS-CRACIA! Ou melhor, a democracia.

    Ganha no voto quem tiver mais poder de convencimento. Até lá, se o lá chegar, é tudo bate-boca de cumadre sem ter o que fazer. Ou cumadre que arranjou coisa pra fazer. hehehe

    Abs

    Posted by Cesar | julho 28, 2009, 14:22
  17. Mas, só pra encher o saco e lavar umas roupinhas, Floripa é ruim, hein ô?!

    Na dúvida, se quiser mudar, meu voto não é pra Floripa, Flor, Desterro. Voto em Santa Catarina.

    Assim teríamos Santa Catarina com a capital na Ilha de Santa Catarin e que se chamaria Santa Catarina.

    Só de sacanagem com as ‘focas’ de fora.

    Abs.

    Posted by Cesar | julho 28, 2009, 14:27
  18. Ops,

    Mais uma roupinha (hehehe)

    Seria Santa Catarina em homenagem a outra santa. A que é. Já que a nossa já foi mas não é mais. Assim, teríamos duas santa homenageadas pra não deixar nem a madre igreja aborrecida.

    Ideia pra contentar gregps e açorianos. Ou seria estrangeiros e troianos?

    Posted by Cesar | julho 28, 2009, 14:54
  19. Luiz, deixe de ofender gratuitamente as famílias tradicionais de Florianópolis.

    Vou aproveitar uma folga entre compromissos para contar um pouco da minha quanto ao ramo dos São Thiago – o texto é imenso para um comentário de blog, tenha paciência.

    O Nei pode gostar.

    Desde os espanhóis até meados do século XX éramos uma cidade portuária de importância estratégica, tanto militar quanto comercial, daí porquê sempre fomos, de algum modo, “cosmopolitas”.

    Esta característica acentuou-se de modo natural com a chegada das famílias açorianas, alemãs e gregas; da UFSC; da Eletrosul; de empresas como a RBS; e, finalmente, com a condição de destino turístico qualificado e pólo tecnológico em que a cidade está se transformando.

    Entre as famílias açorianas chegou a de Antonio de Santiago, meu heptavô, que gerou nesta boa terra seu primeiro filho, Manoel Antônio, nascido em 1768, pai do renomado (só nos livros de história) sargento Joaquim António Santiago, de 1794 , que foi “pelear” no RS, tornou-se herói de guerra em 1819 e casou-se por lá em 1822 com uma rio-pardense, também neta de açorianos, fixando com ela residência em Porto Alegre.

    Deste casal nasce em 1824 o, portanto, gaúcho, Peregrino Servita de Santiago, meu tetravô, o qual casou-se com uma filha do lagunense Polydoro do Amaral e Silva, procurador da Fazenda Nacional, compadre de Jerônimo Coelho, e veio morar na então Desterro, exercendo o cargo de Delegado de Polícia e membro da Junta de Alforria de Escravos.

    Em homenagem ao sogro é que Peregrino batizou Polydoro Olavo São Thiago, seu primogênito, que viria a ser vice-governador no primeiro mandato de Hercílio Luz, e em homenagem ao avô herói de guerra é que batizou Joaquim Antônio de São Thiago, seu segundo filho, co-fundador, assim como seu irmão, do IHGSC e patrono da cadeira 19 da Academia Catarinense de Letras, atualmente ocupada pelo Sérgio da Costa Ramos.

    Tanto Polydoro Olavo quanto Joaquim António foram deputados estaduais e, de outro lado, precursores da Doutrina Espírita em SC, fundando corajosamente o centro kardecista “Caridade de Jesus”, com familiares, em São Francisco do Sul, em 1895.

    Pela ACL passaram também meu bisavô, Arnaldo Claro S. Thiago (que também foi deputado estadual), minha tia-bisavó Castorina Lobo São Thiago e meu tio-avô, Polidoro Ernani San Thiago, este que alguns aqui podem até ter conhecido pessoalmente, pois foi um clínico geral que atendeu até perto dos 90 anos.

    Em 1873 o gaúcho Peregrino assume a Inspetoria da Alfândega de São Francisco do Sul, fundando lá um novo ramo da família.

    Meu bisavô, meu avô e meu pai, estes últimos dos quais herdo o nome Ernesto, nasceram em São Francisco do Sul.

    Eu?

    Nasci em Curitiba, vindo a ser morador “Daqui” com 3 anos, em 1973, quando minha mãe empregou-se como professora no Colégio Catarinense e meu pai no extinto Funrural, como procurador.

    Tenho muita admiração por Acácio Garibaldi S. Thiago, um notável prefeito e professor de Direito, da UFSC que esta cidade teve no fim da década de 60. Entre outras coisas defendia que Florianópolis deveria crescer apenas na medida em que seu sistema de saneamento, implantado por ele, se expandisse, um tipo de “defeso”, tão em voga atualmente. Óbvio que não foi ouvido.

    O problema é que no contexto deste fluxo migratório vieram (e vêm)alguns tipos arrogantes, que se acham o portadores de indispensáveis e exclusivas “luzes” em favor do que julgavam (e julgam) ser uma “massa ignara”.

    São estes, apenas estes, que causam repulsão a quem aqui já fez seu lar.

    Porém, em um movimento fascista, estes mesmos tentam sair do foco e confundir os desavisados, querendo engrossar fileiras fazendo crer aos migrantes mais recentes que a nossa repulsão, muito bem definida, em verdade recai sobre todos “os de fora”, buscando atraí-los para a “causa” com este engodo, com esta rematada mentira!

    Não enganam a mais ninguém, especialmente com este discurso surrado contra a “zelite decadentes”. Só os tolos o compram.

    Que não se tente, também, vender como xenofobia contra “os de fora” esta legítima barreira comportamental de cunho “sanitário”, que naturalmente separa do “trigo bom” a minoria formada pelo “joio”, como se dá em qualquer ponto do mundo.

    Quanto mais neste pequeno ponto de confraternização universal das pessoas de bom gosto que sempre foi e continuará sendo a abençoada terra em que vivemos (…).

    Posted by Ernesto São Thiago | julho 28, 2009, 15:52
  20. olha que se o erico soubesse da genealogia dos santiago, certamente os colocaria em “o tempo e o vento”.

    :)

    Posted by Pedro Lemos | julho 29, 2009, 14:25

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