Juro que tentei. Fiz um esforço para ficar diante da televisão, ouvindo e vendo o prefeito Dário Berger falar, falar e falar, no programa do Vânio Bossle na TVBV.
Mas tem alguma coisa no discurso, no tom, na forma de se expressar, que soa artificial. Talvez seja uma impressão equivocada de quem não o conhece pessoalmente. E as câmeras e microfones às vezes deixam as pessoas assim meio fora do seu ambiente.
Outra coisa que me incomoda é a confusão que alguns administradores fazem e o Dário faz com frequencia, entre idéias e projetos. Ele chama a idéia que teve, de fazer um túnel, de projeto. Diz mesmo que podemos acusá-lo de tudo, menos de não ter projetos. Novamente, referindo-se a idéias, sugestões, propostas.
Talvez isso me irrite justamente porque penso que o que falta para Florianópolis é um projeto consistente, minucioso e de longo prazo. Onde, é claro, essas idéias de túnel, bonde, viadutos, poderão ser incluídas ou não, dependendo das soluções globais e do tipo de cidade que se queira construir.
Não sou contra túnel (acho mesmo menos agressivo que pontes e viadutos), nem contra bondes (ou veículos leves sobre trilhos), nem contra qualquer idéia. Fico desconfiado é das colchas de retalhos que geralmente são construídas por administradores bem intencionados e pouco afeitos ao planejamento.
Outro ponto que me fez revirar na poltrona, foi a informação que ele está estudando uma saída para o problema da Antônio Edu Vieira e que vai fazer experiências de colocar mão única ali, fazendo par com a rua da Carvoeira.
Pode ser uma solução temporária? Pode. Então por que me incomodo? Porque não acredito que o prefeito Dário Berger seja um engenheiro de tráfego, um urbanista experimentado, para sair, por conta própria estudando tais coisas.
Alguém dirá, em sua defesa, que essa foi uma das sugestões deixadas pelo escritório do Jaime Lerner. Ora, então expressou-se mal o prefeito, porque não ouvi nenhuma referência à colaboração de quem quer que seja. Nem do Ipuf, nem de outros técnicos. Ele falou na primeira pessoa. Talvez para se afirmar como o administrador-chefe.
Nos últimos tempos, sabe-se lá por quê, Dário Berger tem delegado ao pobre do João Batista, muitas tarefas ingratas. Chegamos mesmo a pensar que as experiências amadorísticas que já foram feitas no trânsito, eram apenas idéia do vice.
Vemos, agora, que o prefeito também gosta de experimentar. Talvez porque não conheça softwares, técnicas e ciências que permitam simular o impacto de mudanças no trânsito, de tal forma que, quando a coisa chegar a ser implantada, reste pouco espaço para o acaso, para o imponderável, para a adivinhação.
O discurso político não foi também muito emocionante. Ele deu uma aperfeiçoada no velho bordão de luta contra as oligarquias e a política velha, cuja autoria, imagino, deve ser creditada ao seu mais recente guru, o governador LHS.
Ele se apresenta como o fato novo, num novo tempo. Todo o resto é velho, remanescente do império dos Ramos e Bornhausen, da UDN, do PSD e depois da ditadura. Segundo ele, só três prefeitos fugiram do figurino oligarca: Edison Andrino (“que teve um mandato tampão”), Sérgio Grando e, naturalmente, Dário Berger.
E, como representante dessa nova era, personificação dessa nova política, tratará de fazer com que a prefeitura pare de ser assistencialista. Hum… Taí um discurso que precisa ser cotejado com a prática, pra ver se tem algum significado ou se é apenas discurso.
Pragmático, chegou a dizer que até a gratuidade do transporte urbano para idosos precisa ter quem banque. Aparentemente, é contra beneficiar os idosos de maneira geral. Idoso rico, precisa pagar. Idoso pobre, se provar a carência e se tiver quem pague por ele (“governo estadual ou governo federal”), terá sua quota de mobilidade.
No mais, soou-me patética aquela babação de ovo do governo estadual, pela grana para recuperação das igrejas. Os prefeitos das demais cidades do estado, que certamente estavam vendo a “entrevista”, devem ter adorado a constatação de que o Dário é, mesmo, o queridinho do LHS.
“luta contra as oligarquias e a política velha” – ele está de sacanagem neh?
E a idéia do túnel saiu do IPUF e não da cabeça dele. Toda boa idéia, como você diz, precisa de um bom projeto, e de alguém que banque, vista a camisa – se ele for “o cara” pra bancar, beleza, mas eu duvido. Do contrário, é melhor ele nem falar no assunto.
Não perdi meu tempo com ele, além de que o faça sua pergunta ao prefeito no site, sabemos que só perguntam o que querem.
Não dá pra ver tanta babação de um ex-prefeito que não apareceu depois de reeleito.
Dar ibope pra ele fazer campanha para governador?…. nem pensar
Como dizia o Meyer Filho: “quézoquê,ô?!”
Zapeando caí nessa entrevista e não fiquei mais de um minuto. Deu engulhos.
Florianópolis não merece isto.
Teu post reflete o que penso dele. Carente de projetos que não sejam pessoais, discurso batido e flácido.
abraços
Não consegui ver mais de dois minutos. Só a mensagem final .
Não sei o que é pior O Dário Bosta ou o Vanio Bosta
Aquilo não era reprise? As mesmas perguntas de sempre, as mesmas respostas de sempre …
Parece haver uma unanimidade quanto ao engodo que foi essa entrevista, mas o ponto principal não é o Dário, o Pavan, o Colombo ou o Moreira dando entrevistas e falando besteiras, mas sim os holofotes que a mídia catarinense dá para esse pessoal. Ela reverbera qulquer factóide criado por membros do ajuntamento. Não há como contrapor essa exposição praticamente diária sem combater o foco do problema: A mídia. Atacar o Dário ou qualquer outro do mesmo naipe é quase inócuo. Eles são a causa, não a origem do problema.
A Rua Deputado Antonio Edu Vieira nao esta duplicada por falta de vontade do Dario. Haviam recursos do FONPLATA deixados pela Angela Amin.
A Rua Deputado Antonio Edu Vieira nao esta duplicada porque muitos dos meus vizinhos não querem a duplicação. Entraram com ação para evitar a desapropriação.
Não sou fã do Dário. Mas essa culpa ele não tem.