Hoje gastei horas preciosas desta manhã chuvosa assistindo, pela TV, à sessão da Assembléia Legislativa que discutia e votava o projeto da discórdia da PM.
Pela janela (estou num hotel em Cabeçudas, Itajaí), acompanhava um grupo de policiais militares, do Bope, com roupas de mergulho, fazendo treinamento nas águas frias do mar.
Todos achamos da maior importância ter quem nos ajude nas piores horas. Quando nossa segurança está sendo ameaçada, por exemplo. Seja por bandidos, seja pela natureza, seja por nossa própria imperícia, sempre que estamos em perigo, a primeira lembrança é chamar a polícia. E esperar que, do outro lado do telefone, exista gente bem treinada, preparada, disponível, ágil, que restabeleça a ordem das coisas.
Que bom que eles têm um treinamento como esse que assisti. Na chuva, no frio, mergulhando, resgatando gente de dentro dágua, praticando técnicas disto e daquilo. E que desanimador ouvir o que os senhores deputados diziam a respeito da vida e do futuro desses homens e mulheres com quem todos gostaríamos de poder contar em hora de necessidade.
Como disse a deputada/interina Angela Albino (PCdoB), antes de se retirar, com o deputado Sargento Soares (PDT), para não votar o projeto, “uma árvore se conhece pelos frutos”.
O governo afirma que o projeto é bom, mas não consegue convencer. O governo acredita que o fato dos praças terem aumento de alguns reais e os oficiais de uns dois mil reais, não amplia injustiças, mas ninguém o defende com convicção e clareza. Há sempre explicações complicadas, justificativas enroladas e de tudo isso emerge uma sensação de desgoverno.
Há governo, claro, na formulação da proposta que o executivo acha politicamente mais adequada ao momento pré-eleitoral. Há governo na determinação para que o texto seja aprovado sem alterações. Mas não se nota um projeto consistente de administração do pessoal. Não se cumprem etapas lógicas para implantação de algum plano ou mesmo para correção das tais “distorções históricas”. Há reações pontuais às pressões, do tempo, dos prazos ou das corporações. Que constroem uma colcha de retalhos que não dá tranquilidade a ninguém.
Uma pena.
Realmente é uma pena.
Referido projeto de lei, aprovado a pouco na Assembléia Legislativa, ao invés de valorizar o policial militar, sem dúvida alguma, criará uma discriminação ainda maior entre as duas categorias. Sem motivação, de fato, o trabalho desses homens e mulheres torna-se ainda mais “complicado”.
Forte abraço!
Lupércia Colossi, Concórdia-SC