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Mão na botija

A bomba de efeito retardado

Imagino que todos notaram que, na origem desse rolo da Celesc com a Previ, está uma daquelas medidas governamentais que, no momento em que são anunciadas, parecem coisa boa, alvissareira e esperta.

No governo Paulo Afonso (PMDB) criou-se a InveSC, ovo de Colombo capaz de solucionar problemas financeiros, capitalizar aqui e ali, enfim, um grande negócio. Agora, por causa desse grande negócio, vê-se a Celesc às voltas com acionistas hostis às pretensões governamentais. E o governo (nós, portanto) como um caloteiro de R$ 2 bilhões, quantia já cobrada em instância judicial final, mas até agora sem pagamento.

Muito ilustrativa é a nota que o Moacir Pereira publicou em A Notícia, em 26 de fevereiro de 2000, com um título muito sugestivo. Transcrevo na íntegra:

A negociata da Invesc

A Celesc é a maior estatal existente em Santa Catarina. Criada no governo Celso Ramos para levar energia elétrica ao interior, transformou-se num dos principais instrumentos de desenvolvimento do Estado. Promoveu bem-estar para milhões de catarinenses. Tem um respeitável corpo técnico.

Lançou projetos com tecnologia de ponta, estudados pela corporação. Seu único desvio foi a manipulação sofrida por governantes inescrupulosos.

O caso da Invesc é emblemático das grandes jogadas feitas pelo governo do PMDB. Um governo que se notabilizou pela “competência” extraordinária no lançamento de papéis, na emissão de títulos fraudulentos e no entreguismo do patrimônio público, fato sem precedentes no Estado.

A Celesc tem patrimônio líquido de R$ 1 bilhão e 300 milhões. Seu capital é de R$ 700 milhões. O governo Paulo Afonso montou uma bela “engenharia financeira” para canalizar recursos de forma suspeita.

Criou a Invesc, uma empresa virtual, para captar dinheiro no mercado.

E acabou entregando o filé mignon da Celesc para investidores privados.

Os credores exigem agora na 2ª Vara Cível de Florianópolis o pagamento de R$ 330 milhões, dos quais R$ 274 milhões de ações da Celesc, correspondentes a 29,32% do capital votante.

A Celesc não teve qualquer benefício com a maracutaia. Dos R$ 100 milhões não entrou um só real no caixa da empresa. Foi tudo para a vala comum Tesouro. Seu destino continua um mistério.

Pois os debenturistas fizeram um negócio da China. Entraram com um sétimo do capital e um treze avos do patrimônio líquido. E exigem na Justiça direito a um terço das ações ordinárias e um quarto do patrimônio.

O PT denunciou a operação. A líder na Assembléia, Ideli Salvatti, foi profética em 1995: “Isso não é um negócio: cheira uma grande negociata”.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Destaque para: A Celesc não teve qualquer benefício com a maracutaia. Dos R$ 100 milhões não entrou um só real no caixa da empresa. Foi tudo para a vala comum Tesouro. Seu destino continua um mistério.

    Como sempre…

    Posted by Aline | julho 8, 2009, 12:46
  2. Tio César,
    Tem administrações que serão lembradas por suas falcatruas por muito tempo, pois suas consequências ruins nem sempre são só imediatas.
    Isto ainda haveremos de experimentar quando cessar a era Luiz Henrique.
    Vamos tomar conhecimento de muitas coisas hoje ofuscadas pela grande mídia.

    Posted by lh | julho 8, 2009, 13:21
  3. A Celesc não é a prejudicada com essa história, sejamos mais razoáveis.
    Na realidade a empresa continua a mesma, o que acontece é que um dos seus sócios (o governo) fez besteira num negócio (a Invesc) e agora vai ter de desfazer de um patrimônio que foi dado como garantia(as ações da Celesc).
    Isso acontece com qualquer um que deixa algo em garantia quando faz um empréstimo,tal como um penhor. Para quem emprestou não importa e não tem culpa se quem pegou o dinheiro fez mal uso.
    Neste caso quem pegou um empréstimo foi o governo, não pagou, agora tem de arcar com as consequencias de ser executado e perder aquilo que deu como garantia (as ações da Celesc).
    Também vamos pensar mais, a quem interessa a Celesc como instrumento dessa política que vemos hoje?
    Alguém ainda acha que a sociedade está ganhando alguma coisa. Só mesmo os empregados, a politicagem, aqueles empresários que devem horrores para a empresa e nunca pagam a conta de luz, e até uns da área pública que também nao estão pagando sua continha de luz.
    Pelamordedeus né! pra melhorar essa situação ninguém fala nada…

    Posted by Antonio Fernandes | julho 9, 2009, 02:05
  4. Deixa eu ver se entendi: o governo, para poder contrair umas dívidas, deu como garantia parte da Celesc, que não tinha nada a ver com a história? E como o governo deu o calote agora os credores estão cobrando seus direitos? É isso mesmo?

    Posted by Carlos Henrique | julho 9, 2009, 11:42
  5. A Nefasta deve estar se mordendo de raiva de não ter tido a mesma ideia antes…

    Mas o caminho das pedras ela pegou rapidinho,né não?Tornou o que era maracutaia estadual em nacional.

    Só uma perguntinha…Tem algum venezuelando,boliviano,equatoriano,paraguaio,etc., no rol de credores?Uns sobrenomes assim,digamos…,
    Chavez,Correa,Morales,Lugo,chegados a levar parte da Petrobras, de Itaipu e coisa e tal?
    Será que vou ter de aprender espanhol para ler a fatura da pomboca??

    ¬¬

    Posted by Lia¬¬ | julho 9, 2009, 22:44

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