Segunda-feira é sempre um problema. A gente não gosta de acreditar que exista um dia como a segunda-feira. Meu organismo recusa-se a despertar às segundas-feiras. Minhas pernas doem, meus olhos não abrem, a cabeça não conjumina e as horas se arrastam. E o pior é que segunda-feira não tem solução.
Digamos que um governante iluminado decretasse feriado às segundas-feiras. Automaticamente, como ocorre com todas as coisas ruins, a segunda-feira se instalaria na terça. E a terça-feira, hoje um dia sem grande expressão ou problema, assumiria imediatamente toda a carga, o peso e o ônus de ser uma segunda-feira postiça.
Portanto é perfeitamente cabível afirmar que a segunda-feira não é só um dia, é um estado de espírito. Caia no dia em que cair o final de férias, esta é a segunda-feira. Caia em que dia cair o final de qualquer período de descanso ou afastamento do trabalho, a gente vive a segunda-feira.
Tive um bom fim de semana, consegui deixar de lado todo aquele trabalho que tinha programado fazer sábado e domingo “para adiantar o serviço”. Comi, bebi, dormi e fiz outras coisas com enorme prazer. Foi, portanto, um bom fim de semana. Logo, esta é uma segunda-feira especialmente dolorosa. Tivesse eu trabalhado normalmente no sábado e no domingo, hoje seria apenas o dia seguinte, sem grande drama. Uma terça ou quarta, qualquer coisa assim.
Fiz esse intróito em consideração aos leitores e leitoras para dizer que, tendo em vista que hoje, indiscutivelmente pelo menos para mim, é segunda-feira, não tenho condições de escrever uma única linha, de dizer uma única palavra ou de dirigir e fixar meu olhar em qualquer tela, papel ou direção. Desculpem-me. Amanhã, se tudo der certo, eu volto.
Nota do editor: para terem uma idéia da gravidade e da seriedade deste momento, nem o texto acima foi escrito hoje. É republicação de um antigo, de janeiro de 2004.
Cesar, que bom que li este poderoso post apenas hoje, terça-feira. Porque do jeito que eu me arrastei durante todo o dia de ontem, sofrendo com os mesmos sintomas e cultivando a mesma resistência, teria jogado tudo pro alto e voltado pra cama.
Por favor, se houver possibilidade de uma “rerrepublicação” em plena segunda-feira me avise, para que eu comece a te ler sempre a partir de terça.
Cesar, só por suscitar texto tão saboroso quanto este, quase começo a gostar das segundas-feiras…