A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal publicou, há pouco, que a Justiça Federal recebeu a denúncia do MPF contra seis pessoas e determinou o afastamento de dois servidores públicos de Laguna, todos suspeitos de desviar verbas públicas federais.
Transcrevo a nota na íntegra, porque mostra como funcionam esses esquemas e a cara de pau daqueles que se valem da corrupção para encher os bolsos.
“Na Ação Penal, foram denunciados o ex-prefeito de Laguna Adilcio Cadorin; o funcionário público municipal Remi Firmino Guedes, na época dos fatos, presidente da comissão permanente de licitação; o advogado Vilmar Sutil da Rosa, então secretário municipal de finanças; o vereador Ronaldo Siqueira Kfouri e seus filhos Ronaldo Siqueira Kfouri Júnior e Suellen Kfouri Pellegrin.
Conforme a denúncia do procurador da República em Tubarão, Celso Antonio Tres, ficou comprovado a participação de diversas empresas da família Kfouri em nome de ‘testas-de-ferro’, vencedoras de diversas licitações realizadas no Município de Laguna. Para o procurador, além do evidente prejuízo causado ao Município, “todos esses quadros societários fictícios, constituídos por pseudossócios, ‘laranjas’, foram usados perante a Fazenda Pública Federal, INSS e Receita Federal do Brasil”.
Segundo a juíza Federal Adriana Regina Barni Ritter, o afastamento do vereador Ronaldo Kfouri e de Remi Firmino Guedes, hoje exercendo as funções de Supervisor de Licitações Públicas e Presidente da Comissão de Licitação junto à Prefeitura de Braço do Norte, é medida moralizadora, que garantirá a normalidade na colheita das provas e, sobretudo, impedirá quaisquer “influências negativas sobre a gerência e funcionamento normais da atividade pública municipal”.
Com o recebimento da denúncia, os acusados têm o prazo de 10 dias para responderem a acusação por escrito. Eles são acusados pelos delitos dos artigos 288 (Quadrilha), 299 (Falsidade Ideológica) e 304 (Uso de documento falso) do Código Penal, art. 90 da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações) e art. 1º, I e II, do Dec.-Lei nº 201/67.
Empresas – A ex-assessora municipal Claudia Nunes, que integrava a comissão permanente de licitação da Prefeitura de Laguna, retirou-se ao perceber os desvios. Ao presidir a comissão de licitação da merenda escolar (subvencionada por recursos federais, advindos do Ministério da Educação), percebeu que os valores estabelecidos no contrato da empresa vencedora eram superfaturados. Para evitar prejuízos aos cofres municipais, ela cancelou a licitação. A empresa vencedora era de propriedade da filha do vereador Ronaldo.
Ao invés de ser parabenizada pelo cuidado com a coisa pública, Claudia foi ameaçada pelo próprio vereador de dispensá-la do cargo de assessora de gabinete. Além disso, o prefeito Adilcio telefonou de Brasília, perguntando o motivo do cancelamento da licitação. Na oportunidade, Claudia esclareceu que os preços estavam superfaturados, uma vez que ela própria havia realizado pesquisa, conseguindo economia em torno de R$ 70 mil em relação ao que havia sido cobrado pela empresa da família Kfouri. A sugestão de Claudia para o então prefeito foi de comprar, com o que sobrou, um veículo para a Secretaria da Educação. Surpreendentemente, ela descobriu depois que a sobra consignada foi creditada na conta da empresa do vereador. Claudia, então, pediu o desligamento da comissão.
Outra testemunha, que era ‘testa-de-ferro’, confirmou que já estava determinado que sua empresa iria vencer o processo licitatório, com a participação dos acusados. O próprio vereador confirmou à testemunha que o seu filho Ronaldo Junior havia ganho algumas obras em licitações no município de Laguna, todas em nome da respectiva empresa. Só para se ter uma idéia, de outubro de 2002 até o final desse mesmo ano, a empresa foi vencedora de todas as licitações das quais participou, cujo valor das contratações totalizou R$ 418.751,00. Entre as obras, destaque para a construção da ciclovia e ampliação da Escola Reunida Dr. Armando Calil Bulos, todas com a utilização de recursos públicos federais.
Na investigação ficou comprovado que no endereço da empresa funcionavam também as empresas JK Pré-Moldados e Disk Entulhos, ambas de propriedade da Maria da Glória Ribeiro Kfouri, esposa do vereador, utilizada também como “laranja” dos denunciados.
Outra empresa que estava em nome de laranjas, mas pertence de fato à família Kfouri, é a CONSBAN – Construtora e Hotelaria LTDA, vencedora da licitação que visava o fornecimento dos blocos de concreto para a construção do calçadão em Laguna. O próprio ex-prefeito afirmou em entrevista na Rádio Garibaldi que o vereador Ronaldo é o autêntico proprietário da CONSBAN e que continua contratando com a atual administração municipal.
Ação: 2006.72.16.004489-0”
olá Cesar
tudo bem contigo?
Recebi uma notícia que acredito que te interesse:
milhoes-de-fotos-estao-sumindo-historia: http://imagesvisions.blogspot.com/2009/06/milhoes-de-fotos-estao-sumindo-historia.html
bjo
Vera Sayão
Oi Vera, bom te ver por aqui. Já falei neste assunto ontem (em “A memória perdida de O Estado”). São muitas fotos, mas não chega a ser um milhão.
Que vergonha, se Anita pudesse voltar? o que faria com esses corruptos?
Punição severa da justiça ou estamos perdidos por inteiro.
Você imagina o rombo que é em todo o Brasil nesses processos de Licitações Públicas. É questão de caráter, formação familiar e com o trato das coisa pública, como descobrir que uma pessoa é corrupta? Tem teste para descobrir? Está escrito na testa?
Se cada corrupto do Brasil fosse cortada uma mão, esse País seria um País de maneta. Roubam merenda escolar,roubam na saúde, enfim querem é arrumar. Cadeia não interessa, cortem as mãos.
Cordialmente,
Carlos Alberto B. dos Santos
Pô, Cesar, pensei que era notícia fresca, passível de um processo, mas fui pesquisar e vi que é matéria velha, requentada periodicamente pelo site do MPF/SC. As fraudes são anteriores a 2004, a ação penal é de 2006, e de vez em quando aparece um release disso no site deles, como se fosse coisa nova. Será que é falta de assunto?