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Mané-candango invade Portugal

Emanuel, Célia e Raul Longo. Foto Celso Martins

Emanuel, Célia e Raul Longo. Foto: Sambaqui na Rede/ Celso Martins

Quem conhece o Emanuel Medeiros Vieira, escritor “manezinho-candango” (é intrinsecamente ilhéu, mas vive há algumas décadas em Brasília), sabe que assim como escreve aos borbotões, fala às catadupas. E hoje embarcou para conquistar Portugal, numa viagem que o deixou ainda mais ansioso que o habitual, porque, como é comum nele, transforma cada momento da vida num espetacular evento único, a ser vivido com intensidade. Com Emanuelina imersão.

No começo da semana passada, mandou-me um e-mail avisando que iria fazer a viagem:

“Estimado César

No próximo domingo (dia 21), viajo a Portugal numa “caravana cultural”, que vai até o dia 1° de julho, e percorrerá várias cidades lusas.

Vamos conversar, visitar, levar nossa palavra, nossos livros, e dar palestras… Fui convidado a falar em colégios e universidades.

Vou às raízes, irmão… A viagem é coordenada por um português radicado aqui, o editor Victor Alegria.

Na primeira vez, fui fugido da ditadura (dezembro de 1975)… Agora, viajo em condições melhores. Obrigado pela força permanente,

Emanuel, com carinho”

Emanuel, com um grupo de colegas de ofício, participará da “Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa”. A “peregrinação literária” começara no Porto, percorre várias cidades portuguesas, e termina em Lisboa, onde a “comitiva cultural” ficará durante quatro dias. Os portugueses ouvirão nosso conterrâneo em colégios, universidades, entidades culturais, consulados, e na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O objetivo da viagem, segundo os organizadores, é fazer um intercâmbio cultural, levando livros e a palavra de alguns escritores que criam a literatura brasileira de hoje.

O “manezinho-candango” diz que, além de falar sobre a atual Literatura Brasileira, também quer comentar suas raízes açorianas e discutir as razões da distância cultural que separa os brasileiros dos lusitanos.

Hoje de manhã, certamente em ânsias para realizar essa viagem que parece ter enorme importância para ele e seu trabalho, mandou outro e-mail:

“Embarcamos (eu, a amada baiana Célia e seu filho Maurício, meu também…) para Portugal. Começaremos a peregrinação cultural pelo Porto. E aí vamos descendo, de ônibus, parando em cidades como Braga, Guimaraes, Coimbra e outras. Visitaremos escolas, museus, colégios, universidades, jornais, rádios, tudo. Onde puder falar, falarei.

Lembro da luta pela anistia e pela redemocratização: o que fizemos? Ocupamos todos os espaços disponíveis. Como na cultura, com o mítico (ali fortalecemos nossa amizade) jornal Desterro, de vida curta e memória longa…

E também comerei uns pastéis de nata, um bacalhau, quero ouvir um fado… Vou levar a “palavra”: no fundo, sou um velho pároco de aldeia…

E mesmo convidado para falar na Embaixada do Brasil em Lisboa, local “solene”, formal, não deixarei de meditar sobre a crueldade do capitalismo excludente, do colonialismo, não sou o Sarney, não sou rococó, não quero brilho do formalismo oco, nem medalhas ou jaquetões. Quero, meu velho e querido amigo, poder dizer sempre uma verdade humana.

Minha obrigação? Como ser humano e escritor, falar a verdade em todos os dias da minha vida, todos.

Queria gritar:
Alvíssaras!
Terra à vista!

Abração
Obrigadão, Emanuel”

A propósito, no blog do Celso Martins (Sambaqui na Rede), tem um artigo do Raul Longo, sobre o livro mais recente do Emanuel [aqui].

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Emanuel merece, leva a vida com coerência!!

    Posted by Bella sirqueira | junho 21, 2009, 19:16
  2. Alguem sabe o que o Dario foi fazer em Portugal ?????

    Posted by Carlos | junho 22, 2009, 10:11

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