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Jornalismo

O mercado de trabalho dos jornalistas

Em novembro do ano passado estive na Unidavi (Rio do Sul), fazendo uma palestra sobre o jornalista e o mercado de trabalho, no Congresso de Jornalismo que o curso de lá, um dos mais antigos do estado, organizou. Como a questão do diploma já estava no STF, já levei em conta que a desregulamentação era só uma questão de tempo. É um texto relativamente longo, de umas 12 páginas, que acho que talvez alguém se interesse em ler (ou reler) agora, que tudo se confirmou.

Boa parte desse texto li este ano, em maio, num evento na UFSC, que comemorava os 30 anos do Curso de Jornalismo daquela instituição.

Agora fiz pequenas alterações, para atualizá-lo à decisão final do STF. Pode ser baixado, em pdf, aqui.

Como aperitivo e para que tenham uma idéia do que se trata, deixo alguns trechos:

“Imagina só: montoeiras de jovens estão, neste momento, no meio de um curso que prepara (ou deveria preparar) para exercer uma profissão que virou pó e que o vento sul está levando para o alto mar tal e qual aquele padre pendurado nos balões.”

(…)

“Bom, vamos deixar de lado essa questão do diploma. O mercado de trabalho não se organiza a partir de reservas de mercado. Ele se organiza a partir de necessidades concretas das empresas e dos indivíduos. E os profissionais não devem construir suas carreiras dormindo o sono dos justos sob ou sobre seus diplomas. Precisam desenvolver suas melhores habilidades e ir à luta, oferecendo soluções para problemas. No nosso caso, para problemas de comunicação.”

(…)

“E neste novo mundo, onde estão as oportunidades? O que é preciso conhecer e saber para não ficar pra trás? Ora, a primeira coisa é perceber que não existe mais o jornalista que só transmite suas informações por um canal ou um veículo. Deixou de ser relevante se a matéria será para revista, jornal, rádio, internet, TV ou podcast. Mas é cada vez mais importante que a informação seja bem apurada, correta, realmente original e completa.

A única coisa que tem valor, em qualquer veículo de comunicação, é a informação. A notícia. E será mais valiosa quanto melhor apurada.”

(…)

“Jornalismo é, em essência, um trabalho de tradução. A gente vai à esquina onde o caminhão tombou em nome dos 40 mil leitores do jornal, que não podem ir até ali ver o que aconteceu. E depois temos de contar tudo o que conseguimos saber. De tal forma e com tal competência, que o leitor sinta-se transportado até o local e experimente as mesmas sensações que sentiria se tivesse ido até lá.

É uma enorme responsabilidade. Uma nobre e dificílima tarefa que não pode ser tratada com leviandade. Quando estiverem colhendo informações para uma reportagem, imaginem que logo mais vocês terão que ir para o centro de um estádio, pegar um microfone e explicar, bem direitinho e sem enrolar, para 40 mil pessoas, o que aconteceu. Imagina esquecer um nome, uma circunstância, a hora, a data, o local? É vaia na certa.”

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