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Mão na botija

Pingolin entra no esquema

O jovem Pingolin*, Ministro da Pesca e um dos orgulhos do PT catarinense, está nas folhas porque sua pasta fez uma daquelas licitações carimbadas que são famosas no Planalto. E um acerto com empresas famosas por sua, como direi… má fama, sempre rende notícia.

Tá no Estadão, em reportagem de Leandro Colon (“Preço irreal rendeu mais R$ 21 milhões”):

“A Dialog Comunicação e Eventos usou contrato de preços irrisórios com o Ministério das Cidades para comprovar capacidade técnica e ganhar, por R$ 21 milhões, licitação no Ministério da Pesca. Em 26 de maio, a empresa apresentou o menor valor para organizar nos próximos meses 73 eventos do governo federal ligados ao setor.”

O golpe é o seguinte: abre-se licitação para organizar eventos. As empresas de fora do esquema, apresentam a planilha de custos supondo que todas as atividades poderão ser realizadas. A empresa do esquema, é informada do que o ministério vai de fato fazer e do que não pretende realizar. E monta uma planilha que tem preços irrisórios para coisas que não serão feitas. Aí, o preço total cai barbaramente. E não tem pra ninguém. Essa Dialog, no mercado de Brasília, tá mais suja que pau de galinheiro. Mas o governo não quer nem saber. Trata-a a pão-de-ló.

Aí tem, não tem? Será que não? Bom, os recursos das perdedoras, na licitação da Pesca, ainda não foram analisados. Pode ser que o Pingolim engate uma marcha-a-ré.

NOTA DO TRADUTOR

* O nome do jovem é Altemir Gregolin. Por pura molecagem, o Diarinho o chama, às vezes, de Pingolin. Eu gostei da brincadeira e entrei no esquema (todos gostam de um esquema, certo?). Principalmente depois que vi que ele continua de aparelho nos dentes.

ESSE JOÃO DOMINGOS…

Transcrevo aqui, a propósito, notícia apurada pelo meu amigo João Domingos, um dos melhores repórteres brasileiros e insuperável em assuntos brasilienses. Saiu no Estadão do último dia 4. O texto mostra bem como é o ministro e por que não estamos tão errados assim ao chamá-lo, na intimidade, de Pingolin.

“Você está falando com o ministro da Pesca”
João Domingos
O Estado de S. Paulo – 04/06/2009

“Altemir Gregolin almoçava solitariamente ontem por volta das 14h30, no Kibe House, um restaurante de comida por quilo que funciona no Conjunto Nacional, shopping localizado na área mais central de Brasília, a cerca de um quilômetro da Esplanada dos Ministérios. Ao vê-lo, o filho do dono do restaurante dirigiu-se até a mesa onde estava e o cumprimentou. Gregolin respondeu: “Você está falando com o ministro da Pesca do Brasil.”

“Eu sei”, respondeu o rapaz. “Não”, retrucou Gregolin. “Eu era secretário especial da Pesca. Agora, sou ministro da Pesca. Você é o primeiro a saber, você é o primeiro a falar com o ministro da Pesca”.

Imediatamente, Gregolin levantou-se, foi até o caixa e pagou a refeição. Na verdade, meia refeição, porque deixou o prato pela metade: um pedaço de bisteca de porco, outro de pão sírio e meio copo de suco de laranja. Saiu rapidamente do restaurante. Não havia nenhum pescado no prato.

O rapaz ainda disse: “Pai, sabe o Gregolin, de Santa Catarina? Fui falar com ele e me disse que agora é ministro da Pesca. Mas eu achava que ele já era ministro.” O pai olhou para o filho e não fez nenhum comentário. Foi cuidar das fichas que estavam no caixa.

O que levou Gregolin a anunciar ali mesmo que era o ministro da Pesca foi uma decisão tomada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado no momento em que ele almoçava – a de aceitar a constitucionalidade da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que transforma a Secretaria da Pesca em ministério.

Desde abril de 2006, Gregolin era secretário especial da Pesca. Substituiu o então titular – que havia tentado ser ministro, mas foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -, José Fritsch, que largou o posto para se candidatar ao governo de Santa Catarina pelo PT. Fritsch foi derrotado por Luiz Henrique da Silveira, do PMDB.

Gregolin era o secretário executivo. Foi promovido a um mandato-tampão e por lá ficou, até receber a notícia de que será ministro.

De todos os ministérios criados por Lula, o de Gregolin é um dos mais desconhecidos. Há menos de dois anos, ao aparecer na TV para um programa em rede obrigatória, iniciou assim a sua fala: “Prazer, eu sou Altemir Gregolin.”

Para que alcance mesmo o status de ministro, porém, o plenário do Senado terá de aprovar o projeto que passou ontem pela CCJ. A oposição promete fazer barulho e atrapalhar a alegria do quase ministro. Gregolin teve o nome envolvido no escândalo dos cartões corporativos, em 2007.

A Corregedoria-Geral da União descobriu que ele gastava cerca de R$ 1,8 mil por mês com o cartão. Na época, ele disse que era um gasto “extremamente pequeno”, que havia sido feito em suas viagens.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. O ego é uma merda. Coloca as pessoas em situações ridículas que nem elas percebem. Se auto homenageiam sem nenhuma cerimônia, mesmo comendo um kibe num restaurante a quilo! Perdem a ética e a estribeira, usam de recursos públicos à vontade, devido à sua “grande importância” (do ego). Levam por fora porque merecem, pela grande contribuição que prestam ao país. Colocam outdoors dizendo que são o máximo, acham bonito fazerem parte de grandes esquemas, junto a “grandes” estadistas. Pensam somente em si o tempo todo. Não fazem para o bem público, fazem para si, para serem eleitos, homenageados etc. Vossa excelência pra lá, nossa excrecência pra cá, para os bovinos contribuintes, que feitos de otários pouco reclamam e acham que mudando a guarda mudará alguma coisa. E trocam votos e esperanças a cada dois anos por sorrisos, camisetas, 80 reais mensais. E assim, de pingolim em pingolin, vamos entubando aquela tainha com espinhas que nos cabe neste latinfúndio. A coisa aqui tá preta, é pirueta pra guentar a situação…

    Posted by Carlos X | junho 8, 2009, 16:58
  2. Hummm, César, será que foi isso mesmo o caso dos eventos?

    Normalmente licitação para eventos se faz pela modalidade “registro de preços” e o que não é usado não é pago.

    Posted by Vinicius De Lucca Filho | junho 10, 2009, 00:52
  3. Usei a informação que circulava em Brasília. A consulta que fiz à assessoria de imprensa do Ministério da Pesca deu em nada. Ficaram de me responder no dia seguinte e até hoje…

    Posted by Cesar Valente | junho 10, 2009, 09:10

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