Um dilema comum entre jornalistas: alguém passa uma informação “quente”.
“Sabe o fulano [empresário conhecido na cidade]? Registrou BO na delegacia tal, dizendo que a namorada deu-lhe uma biaba na orelha e ainda se recusou a entregar a chave da casa.”
Como a informação veio do boletim de ocorrência, tem o nome completo da namorada e o endereço da casa que está “em litígio”. O informante ainda apimenta um pouco seu “peixe”: “será que o cara é casado? se for vai ser um rolo daqueles!”
Aposto que, a esta altura, a maioria de vocês está louco (ou louca, que as mulheres, nesse quesito, são bem danadinhas) para saber de quem se trata. Alguns estão achando que estou inventando isso, só pra tocar no assunto. Outros têm certeza que sabem de quem se trata e até sairão espalhando as hipóteses.
O fato é que muito pouca gente se preocupa se o incidente tem ou não relevância social. No caso, aparentemente, não há dinheiro público envolvido, não se tratam de figuras públicas, nenhum dos dois tem mandato, etc. Mas acho que a turma quer mesmo é a fofoca pela fofoca. Pra tripudiar do sujeito que levou um soco na orelha, ao tentar provavelmente romper um relacionamento e retomar sua casa. Ainda se tivesse sido, como o Cesar Cals, que levou um tapa na orelha em pleno calçadão da Felipe, por motivos políticos (ou apenas porque era o objeto mais fácil de acertar, naquela confusão), vá lá que se queira saber detalhes. Ou, melhor, vá lá que se publiquem os detalhes.
Neste caso, por mais “saborosa” que seja a fofoca, não deveriamos expor os contendores. Eu, pelo menos, não o farei.
Essa nota é bem ao estilo Cacau Menezes… conta o milagre sem dizer o santo…