// você está lendo...

Moribundices

O descanso do moribundo

Desde que foi criado pelo próprio LHS (é dele a afirmação que o processo iria “se arrastar como um moribundo” pelos escaninhos dos tribunais), o moribundão não teve muito tempo de descanso. Às vezes tentava hibernar por alguns meses, mas sempre aparecia algum advogado tentando prolongar-lhe a agonia, protelar o desfecho.

Para efeitos práticos de uma justiça eleitoral, o moribundo se arrastou com excessiva lentidão. Para um País acostumado a uma justiça lenta, até que caminhou rápido. Não tem mesmo sentido discutir, mais de dois anos depois da posse, se o mandato é legítimo ou não. Assim como é completamente surrealista a discussão que se dará na próxima sessão do TSE, sobre a investigação judicial eleitoral, cuja pena é a inelegibilidade por três anos… se condenado, poderá concorrer imediatamente, uma vez que o prazo conta a partir da eleição.

Também foi muito ilustrativo acompanhar como um mesmo processo pode ter leituras diferentes. Os autos que agora foram considerados como desprovidos de provas, são os mesmos que, há um ano, por pouco não cassam o governador. Por mais que os advogados queiram fazer-nos crer que a entrada do Pavan adicionou coisas importantes, no essencial nada mudou. A linha seguida ontem pelo relator Felix Fischer não usou qualquer elemento novo. Apenas focalizou um aspecto que não tinha sido considerado tão relevante da outra vez.

E o que achei curioso foi que aqueles dados cuja falta o ministro acusou (tiragens dos jornais, informação sobre cobertura e audiência), pareciam mesmo óbvios. E é surpreendente que não tivessem sido coletados e juntados aos autos. Mas talvez sejam elementares para quem lida diariamente com comunicação. Pode ser que aos advogados que montaram o processo não tenha ocorrido que pudessem ser importantes.

Alguém argumentará que, se esses dados estivessem nos autos, o relator encontraria outra porta para chegar onde pretendia. Tudo é possível, mas a coligação requerente poderia perfeitamente ter passado sem essa. O momento mais revelador dessa falha foi quando um dos advogados teve que ir à tribuna para informar que o Diário Catarinense era jornal de circulação estadual, porque isto não constava dos autos.

Como já disse em outras ocasiões, pra quem está apenas observando à distância, não faz muita diferença qual tenha sido a decisão. O que faz diferença é permitir que o moribundo descanse. Deixar de ter um governador sub-judice.

Não compartilho de um certo tipo de euforia que se vê ali e acolá, atribuindo poderes especiais à absolvição. Como se a partir de agora o governador passasse a ser um super-homem, praticamente um semideus da política. Acho que as composições e negociações visando 2010 vão prosseguir com as mesmas dificuldades de antes. A parte do PMDB que não perdoa LHS pelos espaços cedidos ao DEM e ao PSDB, não vai tornar-se mais amigável apenas porque o TSE finalmente votou o caso. E nem o lendário apetite do DEM por espaço e poder irá encolher.

Ganhou LHS, é verdade, alguns novos tópicos para os discursos de campanha. Poderão os militantes sentirem-se mais motivados. Mas, nas internas, continuará tudo como dantes.

Do outro lado, a complicação é semelhante. A situação dos Amin não ficará pior por causa da derrota no TSE. Já está complicada desde a derrota nas urnas (que em geral faz os amigos de ocasião debandarem) e do lançamento do filho como candidato a vereador na capital. As sequelas desse movimento ainda são visíveis no PP. Então, data vênia, os problemas que o partido e os Amin terão que enfrentar e resolver, não sofreram especial acréscimo com a recusa do pedido de cassação. Mas é claro que, se a tese tivesse sido vitoriosa, a esta altura Esperidião estaria cercado de “velhos amigos”, ansiosos por ajudá-lo a compor o governo.

EM TEMPO

Encerrado este capítulo, podemos concentrar-nos todos na outra novela, que vai ser exibida no TRE-SC em breve. O título provisório parece que é “Agruras de um prefeito itinerante”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. O governador está comemorando o quê? Recebeu um atestado de que houve sim propaganda irregular na campanha de reeleição, e só escapou da cassação por insuficiência de provas.
    E o ministro-relator queria o quê? Cópia dos contratos entre LHS e os jornais para que estes executassem suas “reportagens” laudatórias ao governo e sua descentralização? Me poupe…

    Posted by Carlos Henrique | maio 29, 2009, 10:09
  2. Tio César,
    Eu não vou esperar decisão diferente no próximo julgamento, porque ouvi o Moacir Pereira falando na CBN que os documentos nos dois casos são os mesmos. Então o LHS se safou barato.

    Grande Abraço!

    Posted by Gilson | maio 29, 2009, 10:42
  3. Se eu entendi bem, ontem o TSE disse o seguinte: irregularidades ocorreram, mas nada grave. Então, transportando isso p/ um crime comum quer dizer que, se uma pessoa matar outra com um tiro é coisa leve – nada grave, mas, se matar com 10 tiros, aí a coisa pega.Olha,essa alteração de 180 graus nos votos, pra dizer o mínimo, é deprimente para a Justiça Eleitoral.

    Posted by lourenço | maio 29, 2009, 11:05
  4. Cesar, realmente uma vergonha a sustentação oral dos advogados da coligação Salve Santa Catarina. Parecia um jogral, com alunos de direito da 4ª fase. Pior ainda, a sustentação oral do advogado João Linhares. Vergonhosa e mentirosa. Disse o mesmo, que lá no interior do Estado, (ele disse que é do interior) não chegam os jornais.. como o Diário Catarinense e A Notícia, e que o povo não lê. O homem deve estar morando em Brasília há mais de 30 anos, pelo jeito, e nunca mais visitou o Estado para dizer tamanha besteira

    Posted by Belmiro | maio 29, 2009, 11:08
  5. O ministro relator arrebentou a banca dos advogados de defesa. Se alguém pensava em contratar os mesmos advogados para alguma coisa, já repensou. A incompetência ficou patente tanto na defesa oral quanto no primarismo amador da instrução do processo (pelo que se percebeu do relato do ministro).

    A defesa oral pode-se tentar desculpar pelo nervosismo da situação – que transpareceu nos recém-formados que perfilaram, mas numa situação como essa, convenhamos, tinha que se apresentar o cara bom de lábia…
    Faltou “sagazcidade”…

    Claro que, a sustentação oral não faz grande diferença, já que os juízes vem com idéia formada e será reforçada pelo relato do ministro-relator – e não pelos 20 minutos de lenga-lenga regimental e inócua.

    Já a coleta de “provas”, pífia, não tem desculpa… Não foi só sagacidade que faltou…

    Posted by José Eduardo | maio 29, 2009, 13:40
  6. Os próprios ministros atestaram que houve crime. A facada foi dada. Porém eles entenderam que faltou especificar melhor sobre a faca, suas dimensões, procedência e capacidade de perfuração. Houve crime, houve vítima e criminoso. Mas faltou saber sobre a qualidade da faca.
    O ministro Ayres Britto foi o único que se preocupou com a facada e deixou a faca em segundo plano.
    Afinal, o que estava em julgamento? A faca ou a facada?

    Posted by Schneider | maio 29, 2009, 15:08

Posts recentes

“Os valentes anônimos são dispensáveis”
29 de julho de 2010, 13:11
Por Cesar Valente
O dia em que “a voz” debulhou-se em lágrimas
28 de julho de 2010, 22:49
Por Cesar Valente
A zona… azul faz pouco caso do cidadão
28 de julho de 2010, 19:03
Por Cesar Valente
O “extreme makeover” da Ideli
28 de julho de 2010, 17:49
Por Cesar Valente
Quem pariu o Ecad?
28 de julho de 2010, 9:07
Por Cesar Valente

Comentários

Arquivos