Se vocês tivessem um blog e recebessem um e-mail de um leitor que, ao final, dissesse alguma coisa parecida com os parágrafos que transcrevo a seguir, o que fariam?
“A minha intenção, com este e-mail, não é tê-lo publicado. Longe disso, pois, como sabe, às vezes, é o próprio servidor quem é sacrificado por emitir alguma opinião. É apenas de muní-lo de subsídios para contrapor as informações que você recebeu.
Assim como preservamos nossas fontes no trabalho policial, peço que preserve a sua. Caso queira ter uma posição oficial a respeito desses fatos, a Dra. Sonêa [presidente da ADEPOL/SC] é a pessoa indicada.
Um forte abraço e colocamo-nos a disposição do que precisares aqui em Chapecó.”
Pois é, isso aí estava escrito numa carta que um delegado de polícia enviou a um colunista, contando sobre a situação funcional e de remuneração dos delegados. E foi tudo transcrito, ipsis literis, no blog do colega, com nome, sobrenome e lotação do autor da carta. É possível que, na pressa de publicar o contraponto, ele nem tenha chegado a ler o final, onde estava claro o pedido de anonimato.
Avaliar corretamente quando identificar a fonte e quando preservá-la é tarefa difícil, mas essencial. Principalmente em se tratando de servidores públicos. Né não?
ATUALIZAÇÃO DO SÁBADO DE MANHÃ
Ontem à noite mesmo o post foi retirado. Naturalmente deram-se conta do problema. A lição que fica? Quando mandar alguma coisa sigilosa, é bom avisar já nas primeiras linhas. Vai que o destinatário não lê até o fim, né?
Li e não acreditei. É “A Regra do Jogo”….Cláudio Abramo no colunista “apressado”
A coluna está publicada no Tijoladas – No blog original sumiu.
Preservada a fonte
Pôoooo tio César .. transferir a culpa prá fonte é sacanagem; que dizer de um jornalista que não se dá ao trabalho de ler a notícia que ele próprio publica?
Agrego ainda algumas dicas para quem quiser bancar a fonte: a) material inflamante se despacha com cuidado; b) o melhor veículo para a fofoca é a boca miúda; c) o bom subversivo nunca materializa suas ações (i.é., nunca as coloca no papel); d) somente fale ao telefone aquilo que possa ser dito no jornal nacional; e) todo bom blog de denúncia tem a opção de comentários anônimos (não é mesmo tio César?).
Cesar.
Só pra entender.
Por que meu comentário foi excluído?
Por acaso escrevi alguma coisa que não devia?
Primeiro, que não comentei nada que fosse fora da realidade. E tu sabes disso.
Segundo, que nem reclamei quando ele (o comentário) foi “editado”.
E, terceiro, respondi fielmente ao título do post.
Mas como o blog é teu, não posso fazer nada a não ser registrar o meu protesto.
E nem precisa publicar mais nada não. Me coloca no filtro ou me manda cachimbar formiga!
Sempre tive o cuidado de me identificar com nome verdadeiro, e-mail e até um blog chulé que mantenho na rede.
Ultimamente tem se falado e publicado muita coisa com relação à censura que os blogs vêm sofrendo. E acho isso um abuso! Que negócio é esse de não poder emitir opinião com relação a determinado tema, né?
O que a gente fica sem entender é que esses mesmos que criticam a tal CENSURA a praticam de forma velada. E pior, justamente num espaço que deveria ser o mais democrático de todos, que é esse destinado aos comentários. Eu me senti censurado e confesso que tô chateado pra caramba!
Fica com a tua amizade que eu me agarro nas minhas convicções e conclusões.
Um abraço.
Jorge Oliveira
Florianópolis
Jorge: no momento em que vi que a nota aquela a que o post se referia foi tirada do ar, resolvi tirar o link que levava até lá. E também tirei o que tinha sobrado do teu comentário. A tua reação é, portanto, natural e previsível. Ninguém gosta de ser censurado. Mas os comentários dos blogs têm um problema grave: não importa quem os tenha escrito nem se são identificados ou anônimos, a tendência tem sido atribuir ao autor do blog a responsabilidade por eles. Assim, mesmo quando não tenho grande apreço pela pessoa citada de maneira mais forte no comentário, prefiro avaliar a partir do seguinte raciocínio: “eu escreveria isso? assino embaixo?” Em muitos casos fico com uma dúvida danada e, pelo bem da minha segurança jurídica, sacrifico comentários (e, por causa disso, às vezes também perco o leitor). Como já disse algumas vezes, este não é um blog democrático: o fato dos comentários terem moderação e exigirem aprovação antes de serem publicados é o principal indício. Este dilema, que colocas no teu indignado comentário, é comum a muitos blogueiros. E a forma de lidar com ele, é sempre fonte de problemas. Se libera, acaba fornecendo uma tribuna para opiniões com as quais não concorda, seja na forma, seja no conteúdo e se arrisca a processo por dano moral, ou outra coisa parecida, sem ser o autor da ofensa. Se não libera, acaba sendo considerado um censor. As regras do jogo, neste blog, estão expressas, desde o começo, na página “Expediente”. E não vou te mandar cachimbar formiga nem colocar no filtro. Espero que não faças o mesmo comigo.