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Jornalismo

Fontes: preservar ou entregar? (atualizado)

Se vocês tivessem um blog e recebessem um e-mail de um leitor que, ao final, dissesse alguma coisa parecida com os parágrafos que transcrevo a seguir, o que fariam?

“A minha intenção, com este e-mail, não é tê-lo publicado. Longe disso, pois, como sabe, às vezes, é o próprio servidor quem é sacrificado por emitir alguma opinião. É apenas de muní-lo de subsídios para contrapor as informações que você recebeu.

Assim como preservamos nossas fontes no trabalho policial, peço que preserve a sua. Caso queira ter uma posição oficial a respeito desses fatos, a Dra. Sonêa [presidente da ADEPOL/SC] é a pessoa indicada.

Um forte abraço e colocamo-nos a disposição do que precisares aqui em Chapecó.”

Pois é, isso aí estava escrito numa carta que um delegado de polícia enviou a um colunista, contando sobre a situação funcional e de remuneração dos delegados. E foi tudo transcrito, ipsis literis, no blog do colega, com nome, sobrenome e lotação do autor da carta. É possível que, na pressa de publicar o contraponto, ele nem tenha chegado a ler o final, onde estava claro o pedido de anonimato.

Avaliar corretamente quando identificar a fonte e quando preservá-la é tarefa difícil, mas essencial. Principalmente em se tratando de servidores públicos. Né não?

ATUALIZAÇÃO DO SÁBADO DE MANHÃ

Ontem à noite mesmo o post foi retirado. Naturalmente deram-se conta do problema. A lição que fica? Quando mandar alguma coisa sigilosa, é bom avisar já nas primeiras linhas. Vai que o destinatário não lê até o fim, né?

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Li e não acreditei. É “A Regra do Jogo”….Cláudio Abramo no colunista “apressado”

    Posted by Ronaldo Marques | maio 22, 2009, 18:02
  2. A coluna está publicada no Tijoladas – No blog original sumiu.

    Posted by amilton alexandre | maio 22, 2009, 20:10
  3. Preservada a fonte

    Posted by amilton alexandre | maio 22, 2009, 20:18
  4. Pôoooo tio César .. transferir a culpa prá fonte é sacanagem; que dizer de um jornalista que não se dá ao trabalho de ler a notícia que ele próprio publica?

    Agrego ainda algumas dicas para quem quiser bancar a fonte: a) material inflamante se despacha com cuidado; b) o melhor veículo para a fofoca é a boca miúda; c) o bom subversivo nunca materializa suas ações (i.é., nunca as coloca no papel); d) somente fale ao telefone aquilo que possa ser dito no jornal nacional; e) todo bom blog de denúncia tem a opção de comentários anônimos (não é mesmo tio César?).

    Posted by Pedro Lemos | maio 23, 2009, 16:31
  5. Cesar.

    Só pra entender.
    Por que meu comentário foi excluído?
    Por acaso escrevi alguma coisa que não devia?
    Primeiro, que não comentei nada que fosse fora da realidade. E tu sabes disso.
    Segundo, que nem reclamei quando ele (o comentário) foi “editado”.
    E, terceiro, respondi fielmente ao título do post.
    Mas como o blog é teu, não posso fazer nada a não ser registrar o meu protesto.
    E nem precisa publicar mais nada não. Me coloca no filtro ou me manda cachimbar formiga!
    Sempre tive o cuidado de me identificar com nome verdadeiro, e-mail e até um blog chulé que mantenho na rede.
    Ultimamente tem se falado e publicado muita coisa com relação à censura que os blogs vêm sofrendo. E acho isso um abuso! Que negócio é esse de não poder emitir opinião com relação a determinado tema, né?
    O que a gente fica sem entender é que esses mesmos que criticam a tal CENSURA a praticam de forma velada. E pior, justamente num espaço que deveria ser o mais democrático de todos, que é esse destinado aos comentários. Eu me senti censurado e confesso que tô chateado pra caramba!
    Fica com a tua amizade que eu me agarro nas minhas convicções e conclusões.

    Um abraço.

    Jorge Oliveira
    Florianópolis

    Posted by Jorge Oliveira | maio 24, 2009, 11:12
  6. Jorge: no momento em que vi que a nota aquela a que o post se referia foi tirada do ar, resolvi tirar o link que levava até lá. E também tirei o que tinha sobrado do teu comentário. A tua reação é, portanto, natural e previsível. Ninguém gosta de ser censurado. Mas os comentários dos blogs têm um problema grave: não importa quem os tenha escrito nem se são identificados ou anônimos, a tendência tem sido atribuir ao autor do blog a responsabilidade por eles. Assim, mesmo quando não tenho grande apreço pela pessoa citada de maneira mais forte no comentário, prefiro avaliar a partir do seguinte raciocínio: “eu escreveria isso? assino embaixo?” Em muitos casos fico com uma dúvida danada e, pelo bem da minha segurança jurídica, sacrifico comentários (e, por causa disso, às vezes também perco o leitor). Como já disse algumas vezes, este não é um blog democrático: o fato dos comentários terem moderação e exigirem aprovação antes de serem publicados é o principal indício. Este dilema, que colocas no teu indignado comentário, é comum a muitos blogueiros. E a forma de lidar com ele, é sempre fonte de problemas. Se libera, acaba fornecendo uma tribuna para opiniões com as quais não concorda, seja na forma, seja no conteúdo e se arrisca a processo por dano moral, ou outra coisa parecida, sem ser o autor da ofensa. Se não libera, acaba sendo considerado um censor. As regras do jogo, neste blog, estão expressas, desde o começo, na página “Expediente”. E não vou te mandar cachimbar formiga nem colocar no filtro. Espero que não faças o mesmo comigo.

    Posted by Cesar Valente | maio 24, 2009, 11:39

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