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Caraminholas

O super-hiper-mega evento

Semana que vem o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC é a sigla do nome, em inglês, World Travel & Tourism Council) fará em Florianópolis sua reunião anual.

Foto: Neiva Daltrozo/SECOM. Clica que amplia.

Foto: Neiva Daltrozo/SECOM. Clica que amplia.

Acho que fui o primeiro a me assustar com a decisão do governador LHS (aqui, em nota de 1º de agosto de 2008), aparentemente tomada de improviso, no calor do discurso mostrado na foto acima, de oferecer Florianópolis como sede do encontro. O susto era porque, do nada, de um minuto para outro, no meio de um evento transmitido ao vivo pela televisão, LHS criou uma despesa que, sou capaz de apostar, ele não tinha idéia do tamanho que teria. Dei àquela nota, apropriadamente (modestia à parte) o título de “Nasce uma idéia!”. Trecho:

“A RBS fez um painel sobre turismo e trouxe um figurão, o presidente do Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC), Jean-Claude Baumgarten. E, naturalmente, convidou o governador e várias outras autoridades, principalmente da área.

Pois ali, no meio da coisa, LHS teve uma idéia: “por que não trazer pra Florianópolis o congresso da WTTC?” E, da idéia à prática, foi um já. Segundo o Diário Catarinense de ontem, houve uma “pressão em público” do governador sobre o convidado, para que ele aceitasse incluir Florianópolis como uma das postulantes a sediar o congresso.”

Molecagem sobre foto da SECOM. Clica que...

Molecagem sobre foto da SECOM. Clica que amplia.

E, desde o começo, o custo do evento era uma grande preocupação. Nesta fotopotoca acima, publicada em 16 de setembro de 2008, já fazia uma brincadeira com outras verbinhas generosas que Diário Oficial registrava na época e a reunião de LHS com a delegação do WTTC, que veio a Florianópolis para saber se o governador estava mesmo falando $ério.

CASO NACIONAL

Pois bem, na semana passada o artigo do Cláudio Magnavita caiu como uma bomba sobre o Centro Administrativo (está disponível logo abaixo desta nota). Era a primeira voz ligada ao “trade” que levantava objeções à realização do WTTC da forma como o governo catarinense a estava preparando. E ontem o artigo foi publicado pelo Jornal do Brasil, um dos jornais nacionais que entra na clipagem (o álbum de recortes) da presidência, distribuída aos ministérios. Ou seja, um ventilador ainda maior.

Perguntei ao autor, hoje de manhã, sobre os motivos de só ter feito as denúncias agora. Ele explicou que de fato, no começo, achava uma boa idéia trazer a reunião do WTTC para cá. Mas depois começou a reunir informações sobre a dimensão que o governo estava dando ao evento e ficou preocupado. Como seu jornal tem circulação nacional e em seus artigos publicados no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil procura tratar só de assuntos nacionais, não achou que devesse tocar numa questão que, por algum tempo, era regional.

Mas aí a Embratur, no final do ano passado, definiu sua participação. O assunto começava a ganhar contornos nacionais. Magnavita diz que aí começou a levantar informações. Teve algumas dificuldades. Por exemplo, o dinheiro público para realização do WTTC é repassado ao Florianópolis e Região Convention & Visitors Bureau. Mas a diretora dessa entidade, Joseli de Almeida Ulhôa Cintra (da Agência Açoriana Turismo) acha que não deve dar informações sobre valores e segundo Magnavita iria consultar advogados para ver se os jornalistas têm o direito de saber disso.

Em todo caso, Magnavita conseguiu reunir um volume significativo de dados. E no último dia 30 de abril, o governador LHS, o presidente do WTTC e a presidente da Embratur deram uma coletiva em São Paulo para apresentar o evento. Magnavita diz que um dos repórteres da sua revista estava lá e fez várias perguntas sobre os valores envolvidos. O lançamento oficial, em São Paulo, teria dado, então, o “gancho” (a oportunidade) para que ele publicasse o artigo.

Ciente dos preconceitos que tenho com certo tipo de “especialização” no jornalismo (e que esclareci longamente na nota em que comentei seu artigo), Magnavita preocupou-se em me mostrar que ele faz um outro tipo de jornalismo de turismo. Que não faz troca de favores. “Meu foco é o jornalismo”, afirmou. Para demonstrar suas preocupações éticas, disse que, antes de publicar o artigo, mandou correspondência à Embratur suspendendo qualquer negociação ou publicação de anúncios da estatal. “Até porque vou continuar no assunto e não quero que pareça algum tipo de pressão”.

E o que teria, além do que foi dito, para continuar? Essas matérias que mexem com muita coisa e muita gente, geralmente têm um potencial de realimentação fantástico. Dicas, novas informações, denúncias, peças que estavam faltando em algum quebra-cabeça, têm sido enviadas para ele a partir da publicação do primeiro artigo.

O foco do Magnavita, pelo que entendi, é mesmo a Embratur. E Janine Pires, claro. Convidada por Marta Suplicy para assumir a presidência da Embratur, Janine Pires, dentro do Ministério do Turismo, é conhecida como “inadministrável”. E essa independência não é exatamente coisa que a faça ter muitos amigos. A intensa movimentação das asas da filha da Anita Pires, ao que parece, têm levantado mais poeira do que seria recomendável. Donde que as informações sobre as atividades da família da moça, levadas ao público nacional pelo artigo do Magnavita, surgem como especialmente apetitosas.

O autor me contou que alguém ligou para ponderar que a comparação dos custos de realização da reunião do WTTC em Lisboa com a de Florianópolis não seria adequada. O ideal seria comparar com a última, Dubai. Ele ri da sugestão. E, de fato, soa como puro delírio: Dubai é um país assentado em petrodólares, com praticamente toda sua atividades não petrolífera voltada para o turismo e, finalmente, é um emirado, o que o torna essencialmente diferente do Brasil e de Santa Catarina. Portugal e Lisboa seriam mais parecidos conosco, mas, nesse caso, a comparação não vale porque põe a nu o exagero do investimento aqui.

Sem falar nos vários casos relacionados que são meramente estaduais (como o tratamento extremamente amigável que a editora Letras Brasileiras recebe da Santur) e que não cabem na pauta de uma publicação nacional. Um trecho do artigo, aliás, pode mesmo ser qualificado como acusação, embora tenha toda a aparência de uma simples constatação:

“Nesta história, entra o bem-intencionado governador Luiz Henrique, que, achando estar fazendo grande negócio para o futuro do estado, passou a criar oportunidade de gastos escancarados para os colaboradores, com contratações milionárias de empresas e a construção de arena de eventos, alugada com recursos do Fundo de Turismo.”

Isto de “criar oportunidades de gastos escancarados para os colaboradores” é, a meu ver, extremamente grave. Porque abre novas frentes de suspeitas e – se for o caso – de investigação: o agente político não pratica diretamente nenhum delito, mas o resultado de seus atos permite que alguém se locuplete. Digamos que ninguém faça isso. Mas criar oportunidades, num país com as nossas tradições, é meio caminho. Só que é o tipo da coisa que, se ninguém mexer localmente, não será mexido nacionalmente. Em outras palavras: é problema nosso.

PRA ENCERRAR…

O problema da reunião do WTTC em Florianópolis não é apenas com dinheiro público. Há uma evidente supervalorização dos benefícios do evento para a cidade e o estado. Apresentado como um “divisor de águas” no turismo catarinense, certamente será apenas mais um dos tantos congressos, de todo tipo, que Santa Catarina tem hospedado. Virá gente importante, com muito poder, mas suas preocupações estão voltadas para os efeitos da crise em suas corporações e terão muito a falar entre si. Além disso, passarão pouquíssimo tempo por aqui. Os que tiverem mais saco, são até capazes de dar uma espiada no show do Roberto Carlos, mas também é possível que nem isso.

O parágrafo final do artigo “Um evento de R$ 10 milhões” poderia servir como pauta para a reportagem dos veículos de comunicação catarinenses, não fossem eles, em sua maioria, da rede/parceira do WTTC:

Apuração urgente
É necessário apurar o empenho pessoal da presidente da Embratur, a catarinense Jeanine Pires, em ressuscitar evento descartado pela sua ex-chefe, a ministra Marta. De analisar um possível conflito ético por sua mãe ser o braço direito de Gilmar Knaesel, secretário de Turismo e Cultura de Santa Catarina, que foi o órgão beneficiado com os efeitos do convênio de R$ 2,5 milhões. Apurar a prestação de contas dos gastos em nome do WTTC pelo governo do estado e Prefeitura de Florianópolis; o envolvimento da Federação dos Conventions Bureaus de Santa Catarina em outros convênios visando o WTTC; a participação do Fundo no aluguel da Arena do Costão do Santinho; e analisar as propostas que fazem parte da licitação obrigatória do convênio da Embratur.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Meu Amigo Sr. César:

    ” Este é o Governo Corrupto do Alibabá, o Sr. Tinha Alguma Dúvida Nisso? ”

    Os Órgãos ” FISCALIZADORES “!, por mim Já Foram Cientificados. e Espero que Façam Alguma Coisa, do Contrário Acho que estão ” TODOS ” Comprados por este Governinho……. de Faz de Contas.

    Abraços e Boa Semana.

    Ana Cristina dos Santos Mafra
    anados1968@bol.com.br
    Florianópolis -SC

    Posted by Ana Cristina dos Santos Mafra | maio 5, 2009, 17:24
  2. Tio César, é muita m… para ser jogada no ventilador. Porém, como estamos no braziu… deixa pra lá.

    Posted by Joanildo | maio 5, 2009, 17:39
  3. Cèsar só em ler, cansa. Que côsa!

    É uma Cataratas do Iguaçu de dinheiro para essa pilantragem.

    E O MP – SC ? – Vamos circular senhores procuradores.

    Posted by amilton alexandre | maio 5, 2009, 20:02
  4. Cadê os números ????
    Certamente os desalojados de Blumenau que estão aguardando sua casinha, desejam bom proveito do Luiz 15 no WTTC !
    Também os flagelados do Oeste abrem mão dessa verbinha do WTTC que poderia ser investida para captação de água !
    Mas como parece que baixou um gas entorpecente neste Estado onde todos se calam, então so posso engrossar o coro: Viva o Luiz 15 !

    Posted by Carlos A. | maio 6, 2009, 00:05
  5. Cesar, háuma coisa absolutamente errada: lhs apresentar boa vontade em um evento aqui em Floripa? Jamais! Aceitaria este parágrafo apenas se fosse em joinville. De resto, perfeito.

    Posted by Murillo | maio 6, 2009, 15:44

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