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Política

A força do Sul. De novo?

O Nei Silva, provavelmente o único autor catarinense censurado previamente (apesar do que diz a Constituição e do que os ministros do STF reafirmaram recentemente sobre censura prévia), não para. Convidado para entrevistas, sempre comparece. E o assunto, claro, é sempre o mesmo: o que diz o livro censurado. Lógico, tudo o que é proibido desperta maior atenção.

No último dia 28 de abril falou por uma hora na Rádio Blumenau AM, no programa do jornalista Sérgio Eduardo de Oliveira. Hoje vai à TV Mocinha de Balneário Camboriú (do Narbal Souza) para falar sobre… o livro censurado com o jornalista Carlos Eduardo Mendonça (o Bolinha).

Mas até quem o censura também ajuda, de outras formas, a manter o assunto em pauta. Veja só o presidente da Celesc, Eduardo Pinho Moreira, que explicou dia 1º de maio, numa entrevista à rádio Difusora, de Criciúma, que seu projeto de campanha ao governo do estado tem, como mote, “A Força do Sul”.

Ora, ora, que interessante… será que ele aposta tanto na memória fraca dos catarinenses que não tem receio de continuar com o mesmo slogan usado na revista Metrópole? Justamente naquela que deu o maior rolo? Vai ver quem ouviu a entrevista entendeu errado. Não é possível.

Foto: Solon Soares/Alesc

Foto: Solon Soares/Alesc

No dia 30 de maio de 2008 publiquei, pela primeira vez, uma nota sobre o livro “A descentralização no banco dos réus”. E, naquele dia, escrevi o seguinte a respeito de um trecho do livro:

“6. Em julho de 2007, mesmo com o problema do projeto “Descentralização”, que gerou ações na Justiça e muito rolo interno, o Gentil da Luz, então secretário regional em Criciúma, chama Nei para fazer uma revista “como aquela do governador” para Eduardo Pinho Moreira e ele próprio. Eduardo como pré-candidato a 2010 e ele como candidato a prefeito de Içara.

7. No livro, a operação “Força do Sul” é relatada exaustivamente. E acabou mal, quando a edição foi distribuída em Gravatal, numa reunião do Colegiado, em setembro de 2007. A revista causou enorme mal-estar entre os presentes, todos escaldados com os problemas anteriores. Leonel Pavan teria olhado a revista e dito a frase famosa: “isto vai dar merda!” A distribuição foi suspensa.”

Segundo Nei Silva, a Revista Metrópole edição nº 50, de setembro 2007, “feita sob coordenação do governo estadual e elaborada dentro da própria SDR Criciúma com a estrutura de funcionários e equipamentos” saiu com o título A força do Sul “a pedido do próprio Eduardo Moreira, então vice-governador”.

Mesmo que o caso (a relação entre o governo e a revista) não estivesse sendo investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina e que a revista não constasse, como prova, no processo de cassação do LHS no TSE, qualquer marqueteiro amador teria recomendado ao candidato que mudasse o nome de seu projeto. Continuar usando um mote desgastado e envolvido em tanta polêmica pode levar, até, à queda da cedilha. E força sem cedilha pode ser fatal.

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