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Deputados

Pobre Coruja… (atualizado)

Dep. Fernando Coruja (PPS). Foto: José Cruz/ABr

Dep. Fernando Coruja (PPS). Foto: José Cruz/ABr

A primeira reação de quem conhece assim meio de longe o deputado Coruja, é de achar que estão fazendo sofrer um pobre político esforçado. Afinal, como bom lageano, tem aquele jeitão desamparado, quieto e meio sonso. Pelo que temos visto, em todo caso, também pode caber aquele velho ditado: “quem não te conhece que te compre”.

Pena que não temos, em Santa Catarina, repórteres dispostos a somar um mais um e levar adiante boas histórias. No caso do Coruja, alguns eventos na Secretaria de Estado da Saúde, envolvendo auxiliares do ex-secretário, mereceriam ser reexaminados. Denúncias de servidores que nunca tiveram eco deveriam ser igualmente colocadas sobre a mesa, para um olhar atento. No mínimo, para que as sombras e suspeitas sejam afastadas de uma das figuras públicas catarinenses que, até agora, mais se destacou nacionalmente.

O pior que pode acontecer, quando ocorre uma onda de moralismo, é que nada mude de fato. E que, passada a enxurrada, restem enlameadas as reputações, por coisas genéricas nunca suficientemente esclarecidas que não só impedem a defesa, mas enfraquecem as denúncias. Corremos o risco de ficar anestesiados. Já que são todos iguais, por que devo me preocupar com mais este escândalo?

Só que, pelo bem da nossa jovem democracia, precisamos acreditar que nem todos são iguais ou feitos do mesmo material. E ir a fundo nas investigações sem prejulgamentos, mas sem condescendência, ajudará a colocar os pingos nos is. E a distinguir entre o deslize de um político (dentro do possível) íntegro e a contumaz malandragem de um político espertalhão. Separar os de boa índole daqueles que são safados e sem vergonha é o primeiro passo. E não perder a esperança que exista essa diferença (mesmo com as decepções de praxe), é que nos manterá vivos e na luta.

EM TEMPO
Na foto acima, Coruja lê o livro “101 dicas para fechar jogos de xadrez”, durante uma sessão importante da Câmara. Esta é a legenda, na íntegra, que acompanha a foto no banco de imagens da Agência Brasil:

“ 13 de Setembro de 2007 – 20h04
Brasília – Reunião da comissão especial da Câmara destinada a discutir e votar o parecer do deputado Antonio Palocci (PT-SP) sobre a prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF). Na foto, o deputado Fernando Coruja (PPS-SC) Foto: José Cruz/ABr”

ATUALIZAÇÃO DA NOITE

A assessoria do PPS distribuiu hoje uma nota a respeito. Transcrevo o trecho principal:

“O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), anunciou nesta segunda-feira que vai devolver todas as sobras de passagens a que tem direito para a direção da Casa. A partir de agora, afirma, vai utilizar apenas os trechos semanais Brasília/Santa Catarina. “Mesmo com a nova decisão da Câmara permitindo o uso de passagens para parentes e assessores, só vou utilizar os bilhetes para meus deslocamentos entre Brasília e Santa Catarina”, disse.

O deputado adianta que já está fazendo o levantamento de suas passagens e devolverá, de imediato, todas a sobras. “Ao final do mês, tudo que não usei vou devolver para Câmara”, disse.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Tio César, leia a reportagem do DC sobre o Coruja. É de chorar… Taí o link da reportagem – http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=1&section=Pol%EDtica&newsID=a2482327.xml

    Posted by Joanildo | abril 20, 2009, 17:08
  2. Legal? É. Imoral? MUITO!

    Colo um trecho do discurso do Coruja, médico e advogado, do dia 11 de abril, sobre a relação de jornalistas com o legislativo:

    “Vejo, por exemplo, que nesta Casa ninguém mais sabe qual é o nosso limite ético. Não sabemos, por exemplo, se podemos ou não dar uma passagem para um doente vir se tratar em Brasília. Ninguém sabe se pode ou não contratar um funcionário para ficar no interior de São Paulo. Estamos num caminho muito perigoso”.

    Alguém tem alguma dúvida sobre o limite ético de ir pra Paris com a mulher e os dois filhos com passagens pagas pelo erário?

    E eu que era fã do Coruja…que decepção.

    Posted by Vinicius De Lucca Filho | abril 20, 2009, 17:56
  3. Tio Cesar, pode parecer palavrão, mas nesses casos: seppuku! Xeque!!!

    Posted by Sergio Luiz da Silva | abril 20, 2009, 18:56
  4. Tudo o que não usei ONDE????

    Vai devolver somente as sobras? Não vai devolver o resto? Todas as viagens da família dele, e de terceiros, que foram pagas com dinheiro público?

    Posted by Yuri | abril 20, 2009, 19:37
  5. As sobras, né? Homem bão taí !

    Posted by Walkiria | abril 20, 2009, 19:58
  6. coruja peladíssima…

    Posted by amilton alexandre | abril 20, 2009, 20:46
  7. …como bom lageano, tem aquele jeitão desamparado, quieto e meio sonso…

    Eu hein???Será???

    Posted by Márcia | abril 20, 2009, 21:21
  8. Esse Coruja é um doido varrido. Todo lageano sabe disso. Conseguiu eleger o pior prefeito que Lages já teve (um medico, como ele). Pousa de intelectual, que só lê livros em inglês, comanda nos bastidores com sua Carmen Zanotto uma secretaria (a da Saúde) que é recordista em fracassos e inércia administrativa. No fundo é mais um destes 500 e tantos picaretas que estão lá mamando nas tetas da mãe câmara. Use seu voto e não deixe mais, esta ave “de rapina” (Corujas merecem mais respeito) passear pelo mundo as nossas custas. O meu voto ele já perdeu.

    Posted by Tulio Melo | abril 20, 2009, 22:50
  9. E os vestibulares? Quantos $$$$$$ foram mesmo deputado?

    Posted by Maria da Silva | abril 20, 2009, 23:34
  10. Nas compras sem licitações feitas por ele na Secretaria da Saude rolou muito mais dinheiro.E o nepostismo?

    Posted by Eduardo Rodrigues Aguiar | abril 21, 2009, 10:42

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