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Jornalismo

O dia em que estivermos apenas online

Foto: SND

Mário Garcia. Foto: SND

Nos Estados Unidos vários jornais estão fechando suas edições em papel e publicando apenas na internet. Essa é uma alface de dois legumes, como dia a dona Cotinha. E o veterano desenhador de tablóides Mário Garcia (veneno meu, o cara é o designer de jornais mais requisitado do mundo e fora as fórmulas que repete aqui e ali, tem tido muito sucesso) colocou, no seu blog, algumas dicas sobre a mudança de suporte dos jornais.

O Mário desenhou o Diário Catarinense, no lançamento, redesenhou a Zero Hora, O Globo, Folha de S.Paulo, The Wall Street Journal, entre outros e suas idéias são muito ouvidas, respeitadas e seguidas. Muitas das coisas que ele condensa nas dicas abaixo já são discutidas há tempos e vê-se, nos sites das empresas que o têm como consultor (ou que pelo menos o admiram), um esforço para chegar a esse novo padrão.

Foto: Poynter.org

Foto: Poynter.org

Ah, o fato de colocar as dicas do Mário Garcia aqui não significa que eu concorde com todas elas. Até porque mesmo numa mídia globalizada por excelência, como a internet, nem tudo o que fascina o usuário norte-americano interessa ao brasileiro. E vice-versa.

Traduzo com meu português macarrônico para quem tiver preguiça de ler o original em inglês, a listinha que ele faz, a alturas tantas.

“Quando a edição online é a única edição (ahahah, ele faz joguinho de palavras com “online” e “only”)

Ninguém é especialista nisso, mas podemos aprender com os websites bem sucedidos e com o que já sabemos sobre esta nova mídia:

1. Ninguém deveria tentar recriar o jornal impresso desaparecido na sua edição apenas online (online only).

2. Lembre-se que jornais são coisas que você lê, mas a internet é uma coisa que você faz. Assegure-se que a edição online incorpore toneladas de interatividade. Permita os leitores a se engajar, porque eles querem, em jeitos e maneiras que jamais poderiam ou puderam no jornal impresso.

3. Enfatize o culto à personalidade: a internet é um meio essencialmente pessoal. Coloque na roda seus melhores colunistas. Desenvolva novos, com visões e perspectivas variadas, mas, de preferência, que estejam muito sintonizados com o que acontece na nova mídia.

4. Aprenda com sites de relacionamento como Twitter, Facebook, etc e o seu sentido de instantaneidade.

5. Redefina o conceito de notícia, para estendê-la ao pessoal: nós nunca estivemos mais interessados nas minúcias da vida – aquilo que parece insignificante para alguns, pode ser muito significativo para outros.

6. Faça uma venda de garagem todo dia: sim, as vendas de garagem são centros de curiosidade. O lixo de alguém torna-se a nova propriedade de outra pessoa. Edições online precisam fornecer amostras no estilo das vendas de garagem, notícias daqui, dali, o extremamente pessoal, a coisa não muito importante no topo da pilha.

7. Saia vendendo pacotes de publicidade nas mais variadas configurações. Não há nada errado que os anúncios envolvam o conteúdo editorial, de uma maneira que nunca seria permitida no jornal impresso.

8. Persiga a cobertura de gente hiper local, chegue à cobertura dos jogos dos times infantis (Little League). Lembre-se, ninguém mais fará isso.

9. Use a fantástica capacidade de contar histórias online para conduzir os usuários através dos acontecimentos da cidade; mostre um video clip da abertura da exposição no museu neste final de semana, ou do musical do colégio local que estréia hoje à noite.

10. Finalmente, não negligencie o jornalismo investigativo que fez com que os jornais impressos fossem considerados pilares da sociedade – investigue, exponha e continue a lutar pelos direitos da população de sua cidade. Ninguém disse que a matéria investigativa pertencia apenas à página impressa. De fato, tudo o que cabia na página impressa pode ser ampliado e melhorado online, se você tentar. Os pacotes multimídia adicionam valor ao jornalismo investigativo. Os leitores gostam disso. A mensagem é apresentada de forma mais eficiente e completa.

Este é um bom cardápio de idéias para pensarmos no final de semana.

E a dica nº11 pode ficar aqui embaixo: permita que os usuários movam os blocos de todo o site para dar prioridade, na tela, ao que eles quiserem.”

EM TEMPO

Pra ninguém ficar pensando que essa história de jornalismo (com ou sem esse adjetivo sempre muito discutível, o “investigativo”) é negócio fácil, recomendo a leitura de uma nota do journalism.co.uk, apropriadamente intitulada O alto custo e o pequeno retorno do jornalismo investigativo. Está em inglês, mas imagino que todo mundo, a esta altura, já percebeu que precisa pelo menos saber ler inglês, se quiser ficar por dentro das coisas no mesmo dia em que estão acontecendo (e sem ter que esperar pela boa vontade dos tradutores locais). Ah, e se forem impressionáveis deixem pra ler depois do feriadão, porque as agruras a que os jornalistas estão cada vez mais sujeitos (pressão, censura, prisão, etc) pode estragar o humor de qualquer um.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Pohha Tio, du caraglio observar que mjuito do que o especialista fala é feito de alguma maneira nos micro-jornais… blogs…

    Posted by LesPaul | abril 17, 2009, 13:32
  2. É, parece o prenúncio do fim de uma era. Tem coisas que nenhum “jornalista cidadão” ou “jornalista blogueiro” vai se arriscar ou ter a manha de fazer no lugar do jornalista profissional. E mesmo que corra o risco e tenha essa habilidade, sempre há a questão do custo. Jornalismo “investigativo” (quase uma redundância, enfim) custa caro.

    Posted by Dauro Veras | abril 17, 2009, 15:38
  3. O jornalismo investigativo ‘está a serviço de alguém, grupo ou interesses’ de qualquer natureza. Aliás, quase sempre esteve. Até quando dividíamos fileiras na mesma redação, tínhamos mesmos interesses políticos, quimeras sociais etc… Idealizar essa ‘coisa’ chamada jornalismo investigativo (sic sic sic) é uma tanssice (é assim que se escreve esta pohha?) Ou é pra vender jornal, revista, anúncios, phloder com um rival político, econômico etc ou NÃO É…

    Posted by LesPaul | abril 17, 2009, 16:46

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