O deputado Edison Andrino (PMDB) se queixou, na tribuna da Assembléia, que alguns críticos do Código Ambiental catarinense (inclusive o Ministro e alguns procuradores) estão citando dispositivos que não constam do texto aprovado. Mandou-os ler antes de sair falando.
Também acho que não tem sentido demonizar o código com base em lendas ambientais, como também não leva a lugar nenhum demonizar o governo federal com base em lendas libertárias. Claro que a demora do governo em publicar o texto sancionado na segunda-feira não ajuda a ninguém. Mas é provável que quinta-feira possamos saber, afinal, se o que foi aprovado é o que será publicado. E teremos o que ler, podendo, afinal, seguir o sensato conselho do deputado.
Mas, embora o discurso do Andrino tenha sido razoável (com um ou outro exagero, como o ramerrão de bater no Minc como “ministro da ditadura”), um rápido aparte do Joares Ponticelli (PP) foi um desastre. Pretendeu, o deputado, afirmar que as galerias da Assembléia não são de livre acesso público, ao dizer que a procuradora da República Analúcia Hartmann, que esteve presente à sessão de aprovação do Código, estava ali “infiltrada”. E chegou ao cúmulo de afirmar que, para que ela pudesse ir à Assembléia, precisaria disputar um mandato eletivo. Ora, ora, que bobagem. Se são sessões públicas, qualquer um pode assistir. E nenhum deputado deveria sentir-se constrangido pela presença do público, tenha a profissão ou função que tiver. Caso contrário, será melhor fechar as galerias e parar com essa história de dizer que se trata de “Casa do Povo”.
César, a indignação do sr. Edson Andrino se deve a marcação cerrada (como deve ser) do MP sobre o seu “empreendimento” e de seu sócio, o arquiteto André Schmidt, na Ponta do Gravatá. Usando a tribuna em causa própria. O expediente usado nos bastidores para obter a viabilidade é algo…
E o pior é o discurso de defesa do pequeno agricultor.
É uma pena que pessoas que militaram pela democracia hoje só lutem pelos próprios interesses.
O deputado Ponticelli deve ter se expressado mal, pois acompanho o trabalho dele e já li ele afirmando que a procuradora deveria disputar um mandato eletivo caso quisesse interferir nas votações do Legislativo e não pra participar das sessões nas galerias. Eu concordo com o deputado, ela deve fazer o trabalho dela no judiciário, sem interferir no trabalho do legislativo. Se o poder legislativo falhar, aí sim que ela entre em ação, mas aplicando as leis e não fazendo o trabalho dos deputados.
Sim, Augusto: expressou-se muito mal. E essa história de que ela pretendia fazer o trabalho dos deputados também é uma expressão equivocada.