A tarde de hoje no Curso de Jornalismo da UFSC deixou uma lição preciosa: não tem como chamar velhos professores pra “dar uma palavrinha” depois de 30 anos e esperar que eles falem pouco. Tirante o disciplinado Moacir Pereira, que ficou três minutos abaixo do tempo estabelecido, o Paulo Brito, a Maria Elena e (principalmente) eu, estouramos o tempo em muitos minutos.
As más línguas treinadas pelo Scotto disseram que a gurizada dormiu, que ficou longo e chato. Pode ser, mas foram muito educados, porque ninguém roncou. E depois, nós quatro nos divertimos muito. E o Paulo Brito, pra variar, ainda encerrou a noite relembrando episódios que emocionaram a todos e as lágrimas só não jorraram aos borbotões porque a gente ficou meio encabulado de chorar na frente dos alunos.
Então tá combinado: na comemoração dos 60 anos do curso faremos discursos mais curtos.
ATUALIZAÇÃO DA TERÇA
Lendo os comentários abaixo lembrei de algumas referências que esqueci de fazer acima: o presidente da Fenaj, ex-aluno do Curso, que amanhã, dia 1º de abril, poderá ter um pepino enorme nas mãos (se o STF derrubar o diploma), formou-se, por coincidência, no dia 31 de março de 1984 (a data foi marcada como um ato político, contra a ditadura e por eleições diretas). O moderador da mesa de ontem, Orlando Tambosi, portou-se como o cavalheiro que é. Principalmente quando ouviu, dos palestrantes, uma ou outra coisa sobre a qual gostaria de discordar, mas resistiu bravalente à tentação de entrar no debate. E, até em respeito à idade provecta dos participantes (ele inclusive) não saiu dando bengaladas em quem estourava o tempo. A parte boa (pelo menos pra nós) foi ouvir, dos ex-alunos, que a gente continua do mesmo jeito e eles puderam relembrar como é que era a coisa; e dos atuais alunos, que não nos conheciam, que agora entendem melhor o que se falava (de bem e de mal) sobre os personagens do início do Curso.
CV,
Não pude ficar até o final da aula pra trocar umas palavras contigo, mas fiz questão de acompanhar as “palavrinhas” dos professores-convidados até o fim. Tem hora que bate saudade dos tempos do Curso, das aulas no Pida, como vc mesmo lembrou na tua participação (eu não dormi…). Mas não é só saudade: é também necessidade de parar e pensar na profissão que escolhi pra mim. É como um reforço, uma aula-extra pra recapitular algumas lições. Um para-e-pensa. Encontros como o de hoje servem pra isso. E de quebra ainda tem uma figura sensacional como o Paulo Brito pra emocionar a todos.
Abs.
Falam demais depois de largar as bengalas…
E, claro, o coordenador da mesa, outro veião, deixa o barco correr.
Eles dormiriam de qualquer forma, César. E vocês não estavam lá por eles. Estavam por nós. Para dar vida ao afeto que nos manteve tão próximos durante tantos anos. Ouvir vocês faz um bem danado para a alma. E, comparando com o presente, senti-me feliz e honrado de ter trabalho com vocês. Abraço.
Longo nada, Cesar. O evento não é para os alunos, é para a memória. Disfarcei contidas lágrimas com as engasgadas emocionadas do Brito e principalmente ao ver uma menina de uns 17/18 anos consolando outra da mesma idade que não conteve a emoção ouvindo as histórias daqueles tempos. Que sono que nada. A tarde atribulada foi substituída pelo prazer enorme de revê-los e mais alguns colegas que foram em busca do mesmo naquele auditório. A gente resgata um pedacinho da memória, das emoções, cheiros, saudades de um tempo que se foi e hoje é lembrado em algum vinco de preocupação enrugado em nossas caras envelhecidas. Parabéns Cesar, Brito, Maria Helena, Moacir Pereura e Tambosi. Parabéns Dalton, Áureo, Scotto, Hélio, Eduardo, Zeca, Ivan, Sérgio Murilo, Locatelli, outros que o tempo engoliu os nomes, fisionomias que compõem o mosaico de nossas trilhas.
Esqueci de dizer um sincero: MUITO OBRIGADO.
Os veinhos podiam fazer uma sessão extra para os ex-alunos que não tiveram como comparecer a essa aula comemorativa. Eu e mais uns três ex-alunos desses mestres ficamos nos lamentando durante a labuta, ontem à tarde…
Querer que o Paulo Brito fale pouco? Há! Parabéns, eternos mestres!
nossa, que doces palavras Scotto! seria vc mesmo ? que que nao faz a idade nao e nao, O….
abracao ae.
marli