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Vereadores

A novela do Márcio de Souza

Márcio de Souza

Márcio de Souza

Ontem reproduzi aqui uma nota publicada no blog do Cacau sobre a reintegração do vereador Márcio de Souza (PT) ao Instituto Estadual de Educação. Sem muitos detalhes, apresentava a coisa como um afago do governador ao PT e um presente ao vereador, corrigindo uma “injustiça histórica”.

Nos comentários, alguns leitores cobravam mais informações. E hoje cedo, antes que eu tivesse tempo de ir atrás, o vereador me ligou para contar o enredo da novela.

Ele afirma que sofreu perseguição política por causa da oposição que fez à então prefeita Ângela Amin (PP). As provas disso seriam os dois processos que ela lhe moveu e o “grand finale”, a exoneração, em 2000, do cargo de professor, ao qual ele chegou via concurso público.

O motivo: abandono de emprego. Só que o vereador não estava dando aulas porque tinha sido eleito e a legislação permite esse afastamento sem remuneração para exercer o mandato. Segundo ele, os depoimentos de testemunhas e a documentação colhida durante o inquérito a que foi submetido foram ignorados na decisão final, “eminentemente política”.

A expulsão deu-se no dia seguinte ao anúncio do resultado das eleições de 2000. Ao mesmo tempo em que comemorava a vitória nas urnas pela terceira vez, amargava o fato de ter sido colocado pra fora do IEE. Como exoneração de servidor público concursado é fato raro, teve grande repercussão no Instituto e na cidade. “Minha família sofreu muito com isso”, afirma.

Desde aquela época, vem tentando fazer com que a decisão seja revista. Como para ele estava claro que se tratava de perseguição política, enquanto Esperidião era governador não tinha muita esperança que a Procuradora Geral do Estado lhe desse ouvidos. Mas quando mudou o governo, as esperanças se renovaram.

Perguntei ao vereador se em algum momento ele levou ao LHS o pedido pela revisão do caso, coisa que poderia ter dado oportunidade a algum acordo político. Disse-me que nunca tratou com o governador disso, que reivindicou reiteradas vezes a reconsideração da decisão na Procuradoria Geral do Estado. E que suas posições diante das propostas apresentadas na Câmara não teriam nada a ver com esse processo.

E agora, no dia 26 de janeiro de 2009, em plena fervura da convocação extraordinária, sai a decisão da PGE/SC nº 4985990 (Geap 12503002) com o resultado da revisão, reintegrando o vereador ao seu cargo de professor.

Parece que, em certos aspectos, a história se repete: a boa notícia vem misturada à má notícia. A má notícia é o questionamento, inclusive judicial, da convocação extraordinária e as críticas que vereadores que teoricamente seriam de oposição estão recebendo, por causa de alguns de seus votos. Márcio de Souza defende a convocação. Acha que os principais projetos estavam sendo discutidos desde o ano passado e quem quisesse se informar encontraria, nos documentos que acompanhavam cada proposta, subsísdios suficientes. Quanto aos votos, afirma que no caso que considera mais grave, o da previdência municipal, votou contra o prefeito.

Naturalmente, mesmo que o vereador não tivesse feito qualquer acordo nem levado ao governador a informação dessa mágoa, dificilmente um governo que tem como principal inimigo os Amin (e o procurador Sadi Lima tem plena consciência desse embate) deixaria passar essa oportunidade. Resta saber por que, de 2003 até agora, a PGE foi escolher justamente o dia 26 de janeiro de 2009, precisamente o olho do furacão municipal, para tomar a decisão. Como já citei inúmeras vezes: “não basta que a mulher de Cesar seja honesta, ela tem que parecer honesta”. Com tamanha coincidência, alguém sempre pode achar que uma coisa teve a ver com outra.

Discussão

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  1. É muita maldade achar que uma coisa tem a ver com a outra.
    O Marcio é probo, não diz inverdades, é apenas um…político.
    E sobre o comportamento dos políticos, não há nada que se possa dizer que desabone o comportamento deles.

    Posted by epaminondas | janeiro 29, 2009, 10:50
  2. A emenda ficou pior do que o soneto. Vc captou bem César. Porque só foi “reintegrado” nessa fase crucial e imoral desses projetos na Câmara? Detalhe que desmascara o vereador: o Governador entrou de cabeça na aprovação desses projetos! Que coincidência.Ademais, foi demitido por justa causa mesmo, afinal, daria de conciliar perfeitamente os dois compromissos, e nesse caso não existe licença sem vencimentos.Quem daria as aulas no lugar dele? Teria de contratar outro? E qdo ele resolvesse voltar? Demitiria aquele que foi contrato p/ tapar o buraco? Resumindo: caso melancólico e deprimente.

    Posted by Lauro Armindo | janeiro 29, 2009, 11:08
  3. É bom mesmo que o vereador consiga recuperar sua vaga no IEE, pois se continuar atuando como atuou nessa convocação extraordinária ele vai encontrar grandes dificuldades para se reeleger. Se bem que voltar para o magistério, nas condições atuais de salário e carga de trabalho, parece mais castigo.

    Posted by Carlos Henrique | janeiro 29, 2009, 11:09
  4. O Márcio de Souza não se emenda, vota contra o PT , é desautorizado pelo partido no apoio ao Dário.

    Mistura seu caso pessoal com a política da cidade. Todo mundo sabe das nomeações na Prefeitura na gestão do Dário, conseguidas por ele.

    Pensa que somos otários.
    è bom preparar o IR seu, de sua esposa e possiveis laranjas.

    Marcio conta outra só agora no dia da convocação saiu tua reintegração?

    Posted by amilton alexandre | janeiro 29, 2009, 11:17
  5. Não acredito que até a Procuradoria Geral do Estado tenha se curvado. Não acredito que os Procuradores do Estado, concursados, defensores da justiça, tem dobrado a espinha diante do pedido do Governador do Estado. Mas tudo é possível, a final, a Corregedora Geral da Procuradoria Geral do Estado é a primeira dama do municipio de São José. Logo, é bem provável que o parecer da PGE tenha as impressões digitais da esposa do Djalma Berger. Afinal, Berger em São José e Berger em Florianopolis, nada ruim ter uma Berger na Corregedoria da PGE

    Posted by Belmiro | janeiro 29, 2009, 11:23
  6. Já disse e repito: Tadinho do vereador, ele que é tão bonzinho, tão ingênuo, ficar sofrendo com tanta maldade!
    Fico, também, com pena dos alunos do IEE, que imagem eles terão de um professor como o vereador?

    Posted by Antônio Carlos | janeiro 29, 2009, 12:04
  7. Tio Cesar, vc nao acha estranho que se ele e funcionario concursado do ESTADO, como ele pode ser demitido pela prefeita? Outra questao: licenca sem vencimento pode por ate dois anos. Misterios!!!!!

    Posted by Joanildo | janeiro 29, 2009, 12:57
  8. Uma palavra o define: CÍNICO!
    Duas?: TRAIDOR!

    Posted by LF | janeiro 29, 2009, 13:34
  9. Prezado Cesar

    Li, com surpresa, no seu blog, que eu teria sido responsável pela demissão do professor Márcio de Souza do Instituto Estadual de Educação.
    A notícia dá contas de que o processo de demissão, levado a cabo no ano 2000, seria por abandono de serviço.
    Quero afirmar que não participei de tal processo nem ingeri ou influenciei para que fosse realizado. Processos de demissão por abandono no serviço público não dependem de manifestação do Governador.
    Finalmente, em homenagem ao fato de que NUNCA me servi da “caneta de governante” para atingir desafetos políticos, em respeito ao fato de ter sido professor do IEE em 1968, bem como ao fato de ter feito realizar a ÚNICA eleição direta para diretor daquela escola, estou solicitando à Procuradoria Geral do Estado cópia do processo para que reste COMPROVADA minha afirmação: NÃO TIVE qualquer paticipação nessa propalada demissão.
    Cordialmente Esperidião Amin

    Posted by esperidião amin | janeiro 29, 2009, 15:23
  10. Se a demissão foi injusta, por que ele não recorreu à Justiça do Trabalho? Essa história do Márcio não cheira bem… pede os protocolos dos seus pedidos na PGE… ou fez os pedidos no “caderninho”?

    Posted by Murillo S Costa | janeiro 29, 2009, 15:49
  11. Sem comentários…..

    Posted by Edir Vidal | janeiro 29, 2009, 15:53
  12. esse Espiridião Amin mata a pau,tenho certeza q o q ele fala é verdade,vamos esperar os fatos e julgar depois,mas conhecendo como conheço a figura dele sei q está falando a verdade,esse cara é ‘mané”,luta pela ilha,uma pena o florianopolitano ter entregue a ilha p/ um forasteiro q só quer destruí-la.Sou professor e sei q a cultura é uma coisa q corre no sangue,e o amim representa bem isso p/ floripa.Agora o povo daqui da capital tá sofrendo c/ esse forasteiro q só quer detonar c/ a ilha,claro ele nem é daqui…

    Posted by Marcos | janeiro 29, 2009, 18:39
  13. oi cesar concordo c/ o marcos acima no q ele fala.Não sou catarina,não voto aqui,mas escolhi floripa p/ morar pelas suas belezas naturais q me encantou lá pelos idos de 90.Pois bem acompanho o desenvolvimento de floripa desde aquela época e nunca vi um governo e um prefeito destruir tanto um estado e um município como esses 2 últimos governos.É massacrante o q eles destroem em tds os níveis,não tem respeito nenhum pelo estado e nem pelo município.É bem aquela história de forasteiros q vieram p/ destruir e não p/ conservar.

    abraços Cesar

    Bia

    Posted by Bia | janeiro 29, 2009, 20:03

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