
Hoje é aniversário do Diário do Litoral, o DIARINHO, jornal que circula de Florianópolis a Barra Velha, nos municípios do litoral e é líder disparado de vendas e preferência em Itajaí e Balneário Camboriú. Criado pelo advogado Dalmo Vieira, que achava um absurdo Itajaí não ter um jornal diário, acabou se transformando num “case” do jornalismo nacional ao antecipar, em alguns anos, a linguagem solta e coloquial que muitos veículos hoje procuram adotar. E ao dar aos leitores a voz que só agora, meio a contragosto, os jornalões começam a dar, na esteira de influências estrangeiras.
Na edição do final de semana, a diretora do jornal respondeu a algumas perguntas enviadas por seus leitores. Trata-se de uma oportunidade única de saber o que pensa e como pensa a responsável por um dos maiores jornais independentes de Santa Catarina e um dos poucos do Brasil que, nos 30 anos de vida, tem crescido de forma constante e consistente.
Alguns trechos da entrevista (a íntegra pode ser lida aqui):
“Eu vejo hoje a redação muito profissional. E isso é importante, pois mesmo que nós tenhamos uma maneira particular de usar a linguagem, que nós tenhamos uma maneira bem humorada de escrever, o que fazemos aqui é jornalismo. Jornalismo com boa apuração, com ética, enfim, com responsabilidade. É um jornal sério na maneira de apurar as notícias e bem humorado na hora de contá-las.”
“Isso [usar a informação passada pelo leitor] é uma coisa que é delicada, mas que é determinante: quem faz o jornal é o jornalista, o profissional. O jornal não pode ser feito pelo leitor. O leitor é uma fonte de informação, mas nem sempre o que ele acha que é matéria, tem mesmo interesse jornalístico.”
“Eu faço um desafio! Pra qualquer pessoa, seja da classe social que for. Seja operário, industrial, professor, comerciante ou doutor. Quem vive na nossa região e ler o DIARINHO durante 30 dias seguidos, vai lê-lo para sempre. Ele vicia! Porque ele é altamente informativo, é um prestador de serviços nato, é esteticamente bonito e atrativo, tem uma linguagem agradável, é polêmico, divertido, enfim, um jornal que tem muito ‘sal’.”
“As metas que eu traço para o DIARINHO são para estruturá-lo como a empresa que quero ser. De maneira alguma eu faço isso através de números. Eu quero lucro, claro, que é a razão de ser de qualquer empresa. Mas ele não é uma fábrica de sabonetes. Eu quero estruturar o DIARINHO como jornal. Se ele for cada vez mais independente financeiramente, ele também será cada vez mais livre editorialmente.
Se eu for pensar hoje quem são os nossos concorrentes… A gente tem uma dupla concorrência, que de certa forma é desleal. A gente não pode concorrer de igual para igual com os grandes veículos, das grandes redes de comunicação. É impossível fazer com que seja natural, por exemplo, concorrer com a RBS. Não é, nem nunca vai ser, porque não estamos ligados a um grande grupo. E também não posso competir com os veículos pequenos, porque eles não têm uma redação e uma estrutura com o custo que eu tenho. Muitas vezes a RBS vai assediar o anunciante oferecendo venda casada em seus vários jornais, coisas que eu não posso fazer. E o pequeno jornal vai cobrar a metade do que eu cobro pelo anúncio, porque o jornal dele é feito por duas pessoas, com uma tiragem ridícula. Mas na hora da briga pelos anúncios eu tenho que enfrentar o jornal do picareta que finge que faz jornalismo e também o mega-jornalzão da RBS, que pode botar o preço lá embaixo, porque quem sustenta o jornal deles é a TV do grupo.”
E uma das perguntas, feita pelo Hélio Costa, diz respeito à capital:
Quais são os planos do DIARINHO para a região de Florianópolis? Além da capa, há projetos para aumentar o números de páginas para a região? Há planos de tornar o DIARINHO estadual?
Hélio Costa, 50 anos, apresentador.
“Eu não tenho um plano específico de crescimento pra Florianópolis. A minha intenção é que o DIARINHO cresça de uma maneira geral. Que ele circule mais nas cidades do litoral norte catarinense. Acho que é difícil o DIARINHO, com a linguagem que ele tem hoje, ser um sucesso em todo o estado. O estado de Santa Catarina é muito dividido por regiões. O sucesso do DIARINHO está muito ligado ao fato de ele ter uma linguagem específica para se comunicar com essa faixa de litoral. Em Florianópolis é importante a nossa circulação não só por ser a capital, mas porque o manezinho é muito parecido com o pessoal daqui, com o dengo-dengo, com o peixeiro, com o papa-marisco, o papa-siri. A gente é muito uniforme, no litoral, nessa questão cultural. Pro DIARINHO crescer estadualmente ele teria que ter alguns ajustes. Talvez fazer cadernos segmentados. Ele teria que falar a linguagem dessas pessoas do interior. Outras expressões, outra maneira de viver a vida. Hoje é difícil falar uma linguagem universal para todo o estado de Santa Catarina. Todos os jornais estaduais são de mentirinha. Porque não tem nenhum jornal estadual que fale a linguagem de todos os catarinenses. Esses jornais não conseguem se fazer estaduais. O itajaiense, por exemplo, acaba não lendo o jornal estadual porque ele não consegue ser ver ali. O jornal não fala do problema da rua, do bairro. Entre ler esse jornal estadual e ler o DIARINHO o itajaiense acaba preferindo o DIARINHO. Temos que tomar cuidado com esse crescimento pra não cometer o mesmo erro: querer falar com todo mundo ao mesmo tempo e acabar não falando de maneira concreta com ninguém.”
EM TEMPO
O Alexandre Gonçalves também fez uma leitura da entrevista e colocou as anotações no blog Coluna Extra. Aqui.
Ave, Cesar!
Parabéns a você pela casa nova, e à equipe do Diarinho pelo aniversário. Vida longa!
Beijos
Desculpem o post aqui, mas vale a pena dar uma olhada na matéria de hoje do “A política como ela é”. Refere-se à Decisão 4057/08 do Tribunal de Contas, sobre a reforma da ala norte e passarelas do Mercado Público de Florianópolis. Coisas do Dário e do Djalma, é claro! Fala que só o tio César fez uma referência ao caso e apresenta aos leitores TODA A LISTA DE SAFADEZAS IDENDIFICADAS PELO TCE.