Quando vejo algumas coisas que a administração estadual anda fazendo lembro de um ditado que minha mãe usava: “esse sujeito quer dar um passo maior que as pernas”. Ou então um outro, da minha tia Tinoca: “calça de veludo, bunda de fora”.
Algumas iniciativas já nascem com o carimbo do marketing da excelência, do marketing do “nuca antes nessestado”, pensadas para impressionar, para ter efeito imediato sobre o imaginário da brava gente catarinense. E flutuam nesse estado gasoso e onírico, praticamente sem tocar os pés no chão lodoso e áspero da realidade.
Convivem, por causa disso, como irmãos xifópagos que se nutrem dos mesmos contribuintes e se mantém às custas dos mesmos eleitores, a administração errática e descordenada dos depósitos de doações para as vítimas das enchentes e a sofisticação do Sapiens Park. Não se consegue distribuir a água que a generosidade popular fez chegar ao estado, mas se pretende criar um parque temático de ciência e tecnologia de fazer inveja ao Vale do Silício.
Não se consegue fazer compras as mais comezinhas sem advertências, avisos, reprimendas e puxões de orelha do Tribunal de Contas, mas criam-se fundos e mais fundos nutridos a renúncia fiscal, como uma espécie de atalho que fuja das amarras das verbas carimbadas do dinheiro público.
Deixam-se embolorar pela falta de estímulo, de rigor acadêmico e outros cuidados as escolas locais, mas se pretende importar uma filial da escola de administração pública francesa, para chancelar marqueteiramente uma preocupação que, na prática, é tão palpável quanto uma quimera decorada com fumacinhas azuladas.
São incapazes de resolver até os problemas mais simples (os buracos, por exemplo) de uma rodovia de menos de 50km, a SC 401, que passa pelo Centro Administrativo (!!!), mas querem transformar o norte da Ilha no destino de inúmeras empresas (muitas delas multinacionais, of course), adicionando, como lembrou o colega Moacir Pereira, grande volume de tráfego à via estrangulada.
Coerência, pés no chão, visão de estadista, preocupação real com problemas reais, são conceitos esquecidos, que aparecem nos discursos, quando aparecem, com usos que os dicionários não reconhecem. Muitos dos discursos, por falar nisso, parecem ter sido escritos com a convicção de duas novas verdades fundamentais: 1. basta falar que as coisas, magicamente, se realizarão; e 2. o povo me ama e não vai ficar checando o que está sendo dito, com a realidade e com os fatos.
E, nesta toada sincopada arrítmica a vida segue, como diz o Paulo Alceu.
Ué, mas o nobre advogado e presidente do Sapiens, Saulo Vieira, melhorou? Viva. Milagre. Não está APOSENTADO por INVALIDEZ PERMANTE, como procurador da Assembléia Legistativa há muitos e muitos anos? Salário de mais de VINTE MIL MENSAIS…E há quem acredite que o país tem solução….
Tio cesar tens como ver essa p/ nós e falar aglguma coisa do nobre advogado?
brigada,
abraços
Como se sabe não se trata apenas de megalomania…