Maravilha! “O gigante acordou” foi uma frase que li e ouvi várias vezes nos últimos dias. Depois das hesitações iniciais, parece que ninguém mais discorda que é hora de “ir pra rua”. Não para gritar gol, como sugerem os comerciais da Fiat e da Cocacola, mas para protestar.
Contra o quê? Ora, cada um dos milhares de manifestantes tem sua lista própria. Que pode ou não incluir os seguintes temas mais “populares”: corrupção, Pec 37, transporte público, estatuto do nascituro, fora Feliciano, reforma política, violência policial, saúde, educação, estado laico, direito de ir e vir, despesas com a Copa…
Estabelecida portanto a oportunidade e a necessidade de “ir à rua”, a minha grande dúvida é sobre o que vai acontecer se as manifestações forem bem sucedidas e tiverem algum êxito. Não o êxito fugaz, de terminarem sem mortos e feridos e todos voltarem para casa tranquilamente. Mas o sucesso de “derrubar tudo isto que aí está”. O que será colocado no lugar?
Viraremos finalmente uma república popular bolivariana? Nos transformaremos numa república fundamentalista evangélica pentecostal? Continuaremos uma república neo-liberal envergonhada? Tentaremos um regime socialista do tipo nórdico? Ou uma monarquia?
Ninguém sabe, claro. E aposto que a maioria nem está pensando nisso. Talvez imaginem que os políticos profissionais, que têm suas carreiras asseguradas por hereditariedade, vão se sensibilizar com os apelos pela moralidade e tratarão de pensar duas vezes antes de colocar, de novo, as mãos nos baleiros.
Os protestos que estamos vendo nascem, naturalmente, de uma sensação difusa de insatisfação, de revolta mesmo, contra o que nos incomoda mais imediatamente. O grande problema, a meu ver, não é ser contra alguma coisa e expressar esse descontentamento. É resolver a favor do que somos? Qual o nosso projeto para o Brasil? Que caminho queremos trilhar? Ou não está na hora de começar a pensar nisso?
“Estou maravilhada com o que está acontecendo no país. Há quem se queixe que a população não se manifestou em relação ao mensalão, à PEC, à roubalheira em geral e à da Copa em particular, e que o preço da passagem seria uma causa “menor”; mas a gente nunca sabe qual é a gota d’água, qual é o estopim que faz com que todo mundo tenha vontade de gritar junto. O que no começo era só um protesto contra 20 centavos virou o protesto que todos queríamos, contra todas as desfeitas que nos vêm sendo feitas de todos os lados, por todos os partidos, por todos os poderes.”
Cora Rónai, jornalista, no Facebook
“Vou pra rua na segunda (17/6). E vou porque acho que devo cuidar da rua e porque o Brasil não é só a rua por onde ando. Vou pra rua por minhas crenças e pelas crenças dos filhos: dos meus filhos e dos filhos dos outros. Não é muita coisa ir pra rua, mas não quero perder o direito de ir, quando quiser. Não tenho partido, nem religião, mas acredito sobretudo na vida, nas pessoas e no futuro, por exemplo. Tenho 51 anos e poderei (tentar) ajudar a evitar a violência ou a quebradeira, seja lá de quem for. Estarei lá para mostrar que não tenho gostado dos conchavos, das negociatas, das simulações e das dissimulações que têm acontecido tão intensamente nos bairros, cidades e estados; nas florestas, litorais e sertão, independentemente dos partidos responsáveis por elas. Tenho 51 anos e digo – com maturidade – que é preciso ir para a rua e levar as nossas crenças para passear um pouco e encontrar-se com outras crenças, diferenças e verdades. Acho que é assim que se faz um País e eu tinha me esquecido disso. Por isso agradeço aos que ocuparam as ruas antes de mim e por mim. E antes que alguém diga, ressalto que não vou para a rua defender partidos políticos, violência, quebradeira ou ódio… nem para impor a ‘minha’ verdade. E dessa forma encerro aqui o meu convite: vamos?”.
Edson Natale, músico e produtor cultural
“Por mais legítimo que seja, o poder existe para ser contestado. Se não for pode virar tirania.
A natureza do poder é conservadora.
A natureza da rebeldia é destrutiva.
O progresso social e humanístico é filho legítimo do eterno confronto entre a rebeldia e o poder.”Ricardo Noblat, blog do Noblat.
“Uma democracia que não é forte o suficiente para aguentar períodos de descontentamento público sem recorrer a medidas repressivas desmesuradas acaba se encrencando.”
Dorrit Harazim, O Globo
“Não me surpreende que tantos líderes políticos, e não me excluo desta lista, perderam a confiança de seu povo. Quando tropas de choque da polícia precisam ser chamadas para proteger [prédios públicos] e o Parlamento é porque algo está muito errado com nossas democracias”
Georgios Papandreou, ex-primeiro ministro da Grécia
(E o quadro na Bahia)
“Nada que nos aflige pode ser considerado pouco”
(Mark Twain)
Por Emanuel Medeiros Vieira
Meu plano inicial era escrever um texto sobre o qual tenho pesquisado e meditado bastante: a violência nas escolas baianas.
Mas percebi que não poderia dissociar a reflexão do quadro da violência geral – cada vez mais brutal e banalizada – que toma conta do país.
Deixo para depois, o texto específico sobre a violência nas escolas baianas.
Os índices de criminalidade mostram que, segundo o Mapa da Violência de 2013, o Brasil tem uma taxa de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos, o índice é de 4,2; na Argentina, de 3,4; na China, de 1,0.
As nossas taxas e criminalidade são o dobro das de países como a Bolívia e Moçambique.
Estamos no patamar do Sudão e do Quirguistão.
Sem falar que em alguns estados, como Espírito santo, Bahia e Rio de Janeiro, a taxa é bem maior que a média brasileira.
A causa dessa criminalidade altíssima seria apenas o império do tráfico?
Indago: os americanos não os maiores consumidores de drogas do mundo?
E a Bahia?
As estatísticas mostram que, hoje, a probabilidade de a pessoa ser vítima de um homicídio em Salvador é sete vezes maior que em São Paulo, cidade com uma população cinco vezes maior.
Todos os dias, na Bahia, caixas eletrônicos são estourados.
Tais ataques deixam a sociedade com a mesma perplexidade que as fugas em cadeias e presídios da Bahia.
“Os caixas eletrônicos têm sido atacados como rotina tão infalível, que é surpreendente a polícia não conseguir monitorar os pontos mais vulneráveis montar campana e prender os meliantes,”, observou um jornalista.
E vincular a violência com a pobreza é um lugar comum que já não se suporta. E até é um desrespeito em relação às pessoas humildes, como se elas – por serem pobres –, tivessem inata propensão ao crime.
Quem conhece um pouco de Freud, sabe que o império da Lei deveria ser um imperativo categórico e a perversidade e a crueldade – a índole má – de certos seres humanos não se explica por sociologia de botequim.
A pessoa incendeia o outro por sentir-se “explorada?”
Só acredita nisso, quem só lê (quando lê!) manuais.
O impressionante é a inércia e a incapacidade das autoridades estaduais da Bahia.
Como disse alguém, “a ousadia dos criminosos cresce na medida da sensação da impunidade”.
Mas o governo só gasta com propaganda.
Em 2012, na Bahia, foram gastos R$ 144 milhões com propaganda, contra apenas R$48,6 milhões investidos na PM.
As palavras são essas: banalização da vida e império da morte.
Para o governador é mais fácil: anda com seus carros blindados, helicópteros e muitos seguranças ao seu redor – e faz um governo meramente virtual.
Malu Fontes, jornalista baiana e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) foi entrevistada pelo jornal “ The New York Times” para uma reportagem estupros no Brasil e os problemas de imagem do país que estampou a capa do jornal em 24 de maio.
No artigo, o correspondente do NYT no Brasil, Simon Romero, cita casos de violência sexual como a ocorrida com uma turista americana de 21 anos que foi estuprada oito vezes por três homens em uma van no Rio de Janeiro.
Na reportagem, Malu Fontes afirma que os “crimes só chamam atenção das lideranças políticas quando isso pode ferir a imagem do Brasil no exterior”, e reflete:
“Nós gostamos de acreditar no Brasil que vivemos num lugar e paz, felizes, quando na verdade, a nossa realidade é muito mais complicada. É como se fôssemos Narciso só que encarando uma piscina de esgoto.”
Ter segurança – não é questão de “esquerda” ou de “direita” – é ter direito à vida e não estar sujeito, cotidianamente, ao império do Mal.
Por favor, parem de subestimar a nossa inteligência!
(Nota do Editor: o Emanuel escreveu este texto antes das manifestações da semana passada em São Paulo, Rio e outras cidades e me enviou há algumas semanas. Como passei uns dias meio “fora do ar”, envolvido com compromissos profissionais, só consegui publicá-lo hoje.)
POLÍCIA DO PT BAIXA O SARRAFO EM ESTUDANTES BAIANOS
Por Emanuel Medeiros Vieira
Há alguns dias, estudantes de um curso de Medicina da Bahia, protestavam pacificamente nas ruas de Salvador.
O LOCAL DO PROTESTO VIROU UMA PRAÇA DE GUERRA COM GÁS E BALAS DE BORRACHA.
(Quando são ladrões de bancos – e outros gatunos – a polícia não faz nada.)
A insegurança tomou conta do Estado.
As pessoas estão com muito medo.
E caixas eletrônicos são arrombados diariamente (repito, todos os dias) na Bahia.
Outras manifestações são tratadas de maneira mais cortês.
O governador tem pavor dos estudantes?
(Muitos que se calaram, na ditadura também protestavam. Agora apoiam a truculência ou se omitem.)
Para diferenciar dos tempos da ditadura – como lembrou um jornalista – só faltaram os cavalos.
Não esqueçamos que o atual ministro dos Transportes (da base aliada), cria do chamado “carlismo” (ACM), quando foi governador da Bahia mandou invadir o campus da Universidade Federal.
A única diferença em relação à repressão recente, foi a ausência de cavalos. Agora, eles não estavam presentes.
Mas a brutalidade foi a mesma.
O governador – astucioso, mas que não deve ter lido “O Príncipe”, de Maquiavel – só quer abrigar no seu governo, quase todos os remanescentes do grupo de ACM – como o vice-governador.
Esse pessoal é o que ele combatia quando era sindicalista.
O poder deixou-o inebriado.
A violência cresce assustadoramente na Bahia.
Nada é feito. O governo é virtual.
Gasta muito em propaganda.
O governo é forte com os fracos – estudantes desarmados e pacíficos.
E sempre fraco com os fortes – bandidos com fuzis e assaltantes de bancos.
Provavelmente, ele não dará: mas creio que ele deve uma explicação ao povo baiano.
Certamente, culpará o mensageiro pela mensagem, o termômetro pela febre.
Não esqueçamos que essa terra gerou Castro Alves, Anísio Teixeira, Gláuber Rocha e tantos outros.

Fachada do CIC. Foto: divulgação/FCC
O governo do estado de Santa Catarina usou uns bons milhões de reais do nosso dinheiro e gastou uns três anos do nosso tempo para “reformar” algumas áreas do Centro Integrado de Cultura (CIC). Só que a “obra” ainda não terminou. Ainda faltam alguns espaços. Mais dinheiro será gasto, mais tempo, novos aditivos de contrato…
O espanto da semana, contudo, fica especialmente com a “reforma” do teatro Ademir Rosa, a principal sala de espetáculos da cidade, em torno da qual o CIC foi construído.
Por algum motivo que não deve ser trivial, o Ministério Público encaminhou a um juiz algumas informações extremamente graves sobre a falta de equipamentos de segurança naquele teatro recém-reinaugurado. Os bombeiros, decerto escaldados com o indiciamento de seus colegas de Santa Maria que foram frouxos quanto às vistorias na boate que incendiou, registraram num relatório que o governo estadual não providenciou alguns equipamentos como extintores, saídas de emergência, detetores de fumaça, coisas desse tipo.
Claro que o atual presidente da Fundação Catarinense de Cultura esperneia e reclama que o promotor está exagerando. Diz ele que estão atendendo a todos os pedidos da justiça e dos bombeiros. E que o relatório sobre a falta de alguns itens é antigo. Ontem mandou protocolar, no Corpo de Bombeiros, outro projeto preventivo, para fazer cessar as dúvidas e resolver as pendências.
De quaquer forma, coisa agora está na mão de um juiz que vai analisar os autos e decidir se é caso de fechar ou manter aberto o teatro.
O espanto, para quem ainda não entendeu, é que depois de tanto tempo fechado e de tanto dinheiro gasto, ainda faltem coisas básicas e fundamentais para qualquer casa de espetáculos. E que nem são as coisas mais caras ou complicadas.

Teatro Ademir Rosa, depois da reforma. Foto: Márcio Henrique Martins/Ascom FCC
Que gente foi essa que, em primeiro lugar, fechou o CIC e embarcou numa jornada sem fim de obras e reobras? Estranhamente, a reforma do teatro não iniciou assim que ele foi fechado. Foi feita, salvo engano, no último dos três anos. E a principal mudança foi a troca das poltronas. Só que, por muito tempo, ninguém conseguia prever quando o teatro seria reaberto.
Será que teve gente recebendo religiosamente em dia seus repasses? Ou com atraso, compensado por adicionais generosos? Acho que não. Ou será que sim?
Se o governo anterior, que começou a lambança, fosse de um adversário do atual, certamente os detalhes sórdidos já teriam “vazado”. Mas como foi de um aliado e muita gente que participou ativamente ainda está por perto, o silêncio é ensurdecedor.
Tudo indica que o CIC não será fechado, ninguém será preso, jamais saberemos o que houve com o dinheiro e com o tempo, enquanto a brisa da impunidade vai continuar agitando nossas bandeiras esfarrapadas e desbotadas.
Ah, e os equipamentos de segurança? Estarão lá, claro. Talvez, quem sabe, em pouco tempo alguns estejam vencidos, outros fora das especificações mas, no geral, sempre que a coisa sair na TV e no jornal, haverá correria para deixar tudo certinho e permitir que o governo apareça bem na foto.
Além de tudo, não é a primeira vez que o governo tem que se explicar por acordos não cumpridos, prazos estourados e orçamentos ultrapassados, nem será a última.
Ainda bem que a memória do povo é fraca.

Terminal do centro. Foto: Bianca Bertoli/SMTMTFlorianópolis
A tarifa não subiu, mas em compensação ninguém, no lado dos grevistas, parece preocupado com as multas por não terem obedecido a ordem judicial. Sobre a cabeça da população fica a ameaça: “foi só um recuo tático, poderemos retomar a greve a qualquer momento”. E em quem vocês acham que motoristas e cobradores vão descontar a frustração de terem que encerrar uma greve sem qualquer ganho? Segurem-se bem e aguardem pelo “freio de arrumação”. Ó vida…

...
(Página de um velho diário, amarelecido e comido de traças, que encontrei colado com um durex ressecado, atrás do retrato de uma das minhas melhores amigas, guardado no fundo de uma caixa. Publico-a hoje porque, afinal, é dia dos namorados)
Quando eu cheguei estavas sentada, esperando. Não tens idéia do que pode significar, para um homem, aquelas pernas cruzadas. A saia nem era tão curta. E tu nem eras tão descuidada. Mas de onde eu estava e no estado em que me encontrava, aquelas pernas cruzadas dominavam o ambiente e mostravam aos infiéis o caminho do paraíso.
Assim que me vistes desmanchastes o monumento lascivo do imaginário masculino, te levantastes e imediatamente te transformastes, novamente, na senhora de todos os sentidos. A proximidade, os braços abertos, o sorriso e o inevitável abraço. Te apertei como se o mundo fosse terminar agora. A bomba atômica calcificaria o casal enlaçado. O calor das tuas coxas derreteria o detonador e transformaria aquele momento numa enorme bola de fogo. O teu abraço nunca deveria ter fim. O teu abraço é a maneira mais fácil de compreender o correto sentido da eternidade.
Mas te afastas, fazendo de conta que não percebes os danos que causastes, os destroços que jazem em meu peito, o pequeno monte de cinzas em que me transformastes. E me olhas, as mãos ainda segurando as minhas, eu estático, tendo impressa em minha pele a tua imagem, qual santo sudário da paixão, todos os teus relevos estão aqui, marcados a fogo, indeléveis, inesquecíveis.
Percebo que falas alguma coisa, não alcanço o sentido, mas registro o som da tua voz, pura música, minha alma dança enquanto falas não importa o que. Esqueço que somos apenas bons amigos e enlaço tua cintura novamente, puxo teu corpo, aperto o abraço e beijo teus lábios atônitos, a boca surpresa.
Os dois segundos que se seguem passam lentamente, como se fossem horas. Qualquer coisa pode acontecer. O tapa, a zanga, a raiva, o nunca mais. Tudo é possível. Até que percebo mãos caminhando nos meus ombros, dedos na nuca, e a tua boca, ah, a tua boca, respondendo, com habilidade, com aquele mesmo calor das pernas cruzadas, o meu beijo roubado. Olhos abertos, e aquelas coxas, encostadas às minhas, derretem as moedas de vintém que estavam no bolso da calça.
Somos, afinal, o que sempre achei que éramos. Bons amigos, no bom sentido.
“O grave da greve é que ela distorceu o seu mérito reivindicatório para atacar um povo indefeso. É a greve da quádrupla aliança: a Prefeitura reticente há 12 anos, a Câmara inerte, os empresários insensíveis e um sindicato raivoso – todos contra um povo a pé.”
Sérgio da Costa Ramos, cronista florianopolitano, no DC online

Bons tempos aqueles em que tinha ônibus... Fotos: Bianca Bertoli/SMTMTFlorianópolis
Florianópolis vive, esta semana, sua greve anual do transporte coletivo. A parte da população que depende dos ônibus, está indignada. A parte da população que já fez as contas e se transferiu para a prestação do carro, que custa menos que a despesa com a passagem dos ônibus, está presa nos congestionamentos.
Não tem um jeito “melhor” de tratar de greves como essa. Um amigo, que presta assessoria de comunicação a alguns sindicatos de trabalhadores, fica meio idignado quando lê e ouve coleguinhas berrando que “a população está refém dos motoristas e cobradores”. Ele acha que há, aí, um equívoco, um exagero, porque quem faz reféns, no mundo moderno, são os bandidos e quem exerce seu direito de greve não deveria ser comparado a bandido.
Ao mesmo tempo, e em direção oposta, estão os reclamos de quem nunca foi bem tratado nos ônibus, nos pontos e no sistema de transporte público como um todo, mas ontem, sem opção, teve que amargar uma situação ainda pior: não tinha nem aquele ônibus desconfortável, nem o motorista sem educação e nem o cobrador debochado. Ou paga a exorbitância que as vans cobram, ou vai a pé, ou “mata” o serviço e espera que o patrão que às vezes é uma besta, entenda e não encha o saco.
A greve no transporte público é um fato da vida. Em alguns países, no mesmo site em que é possível comprar a passagem e reservar os lugares, tem uma página informando o que acontece em caso de greve [Clique aqui para ver o aviso da Trenitalia... em italiano]. Porque nas greves, nesses países em que o uso desse instrumento amadureceu, o usuário não fica a pé. Tem menos horários mas sabe, com antecedência, quais são e que trajeto pode fazer para chegar onde quiser ir.
A paciência do usuário dos ônibus de Florianópolis esgotou faz tempo. Não só por causa das greves periódicas, que tentam melhorar um salário e uma carga horária que, como estão, já fazem inveja a várias categorias (jornalistas, por exemplo), mas principalmente porque o sistema maltrata quem o utiliza.
Faltam informações sobre itinerários, sobre horários, falta conforto (por exemplo: um dos prefeitos da capital proibiu as empresas de usarem ar condicionado para refrigerar os ônibus!) e abundam reclamações sobre a forma com que alguns motoristas tratam os passageiros. E a cada ano há promessas de abrir uma “caixa preta” que continua lacrada.
O usuário está cansado de ouvir falar que a prefeitura fará isso, aquilo e aquiloutro para resolver “de uma vez por todas” o problema e atrair novas empresas para prestar esse serviço público. Mas nada acontece. Talvez porque haja muito dinheiro envolvido, talvez porque haja muito interesse envolvido, talvez porque haja mais coisas entre o céu e a terra que os aviões de carreira.
O líder dos trabalhadores em greve sugeriu substituir a paralisação por ônibus circulando com “catraca livre”, sem cobrar a passagem. Do secretário de transportes da prefeitura ao desembargador do TRT que presidia a audiência de conciliação, todos reagiram com surpresa, vociferando contra a proposta, classificando-a de “absurdo”.
Pois olha, seria bem legal: o povo continuaria sendo servido, de graça, enquanto patrões e empregados gastariam o tempo que quisessem, discutindo suas diferenças. O que tem de absurdo nisso? Não existe “ônibus grátis”, a conta sempre sobra para alguém.

Terminal do centro de Florianópolis

Conselheiro Júlio Garcia (e) lê seu relatório. Foto: Douglas Santos/TCE-SC
Todo ano a coisa se repete: o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina faz trocentas ressalvas e zerentas recomendações, mas acaba aprovando as contas do governo. Quer dizer, não aprova diretamente, porque isso é responsabilidade da Assembléia Legislativa, mas o fato é que os deputados normalmente aprovam o relatório pela aprovação que o TCE lhes encaminha.
O pior: alguns dos problemas percebidos pelo TCE, repetem-se ano após ano e fica tudo por isso mesmo. O conselheiro, em geral ex-político de destaque, não raro apoiador do governo cujas contas examina, dá delicados puxões de orelha e recomenda a aprovação das contas. E todos vivem felizes para sempre.
Se tiverem tempo e paciência, leiam a seguir as 13 “ressalvas” e as 26 “recomendações” contidas no relatório do Júlio Garcia (ex-presidente da Alesc, companheiro de partido do governador Colombo). Tem coisas bem pesadas. Não seria o caso de botar o JR de castigo?
RESSALVAS
1. Sistema de Controle Interno (SCI) – Poder Executivo Estadual
O relatório do órgão central do SCI, que acompanha as Contas Anuais do Governador, não contém a descrição analítica das atividades dos órgãos e entidades do Poder Executivo e a execução de cada um dos programas incluídos no orçamento anual, com indicação das metas físicas e financeiras previstas e executadas, elementos exigidos no Regimento Interno do TCE/SC.2. Planejamento Orçamentário
2.1. Fixação de despesas em valores não exequíveis, caracterizando planejamento orçamentário não condizente com a realidade orçamentária e financeira do Estado.2.2. Ausência de prioridade na execução das ações selecionadas pela sociedade catarinense nas audiências públicas organizadas pela Alesc e das ações consideradas como prioritárias na LDO.
3. Defensoria Dativa
Ausência de atualização da dívida desde 2009; ausência de prévio empenho e liquidação da despesa respectiva; e classificação contábil indevida no passivo não financeiro.4. Educação
4.1. Inclusão de gastos com os inativos da educação no cálculo das despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino, para efeito de cumprimento do percentual mínimo de aplicação sobre as receitas resultantes de impostos e transferências.4.2. Exclusão da base de cálculo para fins de definição dos valores mínimos a serem aplicados em educação das receitas relativas ao Fundosocial.
4.3. Descumprimento do art. 170, parágrafo único da Constituição Estadual, com aplicação de 1,95% da base legal para fins de concessão de assistência financeira aos estudantes matriculados em instituições de ensino superior legalmente habilitadas a funcionar no Estado, quando o correto seria 5%.
5. Saúde
5.1. Inclusão de despesas custeadas por fonte de recursos do Programa Revigorar III para fins da verificação do cumprimento da determinação constitucional.5.2. Exclusão da base de cálculo para fins de definição dos valores mínimos a serem aplicados em saúde das receitas relativas ao Fundosocial.
6. Ciência e Tecnologia
Descumprimento da Constitucional Estadual, diante da constatação da aplicação efetiva pelo Estado no exercício 2012, em pesquisa científica e tecnológica de 1,98% das receitas correntes apuradas no período, ficando abaixo do mínimo a ser aplicado de 2%.7. Seitec e Fundosocial
Contabilização da arrecadação dos recursos do Seitec e Fundosocial por mecanismo que não identifica as receitas como de natureza tributária, em prejuízo da base de cálculo considerada no cômputo dos gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino e ações e serviços públicos de saúde e, consequentemente, na respectiva aplicação de recursos.8. Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs)
Retenção de recursos destinados às APAEs, no valor de R$ 18,07 milhões, em desacordo com a Lei Estadual n. 13.334/05.9. Instituto de Previdência (IPREV)
Ocorrência de perda financeira no IPREV, em decorrência de reenquadramentos considerados inconstitucionais, fato que impede a realização de compensação entre os regimes de previdência.
RECOMENDAÇÕES
1. Sistema de Controle Interno (SCI) – Poder Executivo Estadual
1.1. Adote providências para que o SCI obedeça ao princípio da segregação das funções, segundo o qual a execução e o controle devem ficar a cargo de órgãos distintos.1.2. Encaminhe o relatório do órgão central do SCI, que acompanha as Contas Anuais do Governador, com todos os elementos exigidos no art. 70 do Regimento Interno do TCE/SC.
2. Planejamento Orçamentário
2.1. Realize um planejamento orçamentário condizente com a realidade do Estado, mediante a elaboração dos orçamentos fiscal, da seguridade social e de investimentos contendo metas exequíveis e estimativas de receita e despesa em valores compatíveis com os necessários para a realização dos projetos e atividades.2.2. Priorize tanto as ações selecionadas pela sociedade catarinense nas audiências públicas do orçamento regionalizado organizadas pela Alesc quanto as ações consideradas como prioritárias na LDO.
3. Defensoria Dativa
Adote providências para o registro correto e atualizado da dívida do Estado com a defensoria dativa.4. Dívida Ativa
Adote procedimentos para a recuperação dos valores inscritos em dívida ativa, diante do volume de provisões com perdas e o volume de cobranças, demonstrando baixíssima eficiência, por parte do Estado, na cobrança dos referidos créditos.5. Dívida Consolidada Previdenciária e Passivo Atuarial
Adote providências para reverter a tendência de crescimento, evitando problemas futuros com o pagamento de pensões e aposentadorias de seus servidores.6. Educação
6.1. Exclua os gastos com os inativos da educação no cálculo das despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino, para efeito de cumprimento do percentual mínimo de aplicação sobre as receitas resultantes de impostos e transferências.6.2. Inclua na base de cálculo para fins de definição dos valores mínimos a serem aplicados em educação as receitas relativas ao Fundosocial.
6.3. Continue observando a aplicação do saldo da conta relativa aos recursos do salário educação.
6.4. Cumpra o art. 170 da Constituição Estadual, para fins de concessão de assistência financeira aos estudantes matriculados em instituições de ensino superior legalmente habilitadas a funcionar no Estado.
6.5. Continue adotando providências para aplicação dos recursos do Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (Fumdes).
7. Saúde
7.1. Exclua as despesas custeadas por fonte de recursos do Programa Revigorar III para fins da verificação do cumprimento do mínimo constitucional.7.2. Inclua na base de cálculo para fins de definição dos valores mínimos a serem aplicados em saúde as receitas relativas ao Fundosocial.
7.3. Adote providências para utilização dos valores registrados na conta relativa aos recursos arrecadados por meio do Programa Revigorar III, em ações e serviços públicos de saúde.
8. Ciência e Tecnologia
Atente para o cumprimento da Lei Estadual nº 14.328/2008, que determina que a aplicação dos recursos destinados à ciência e tecnologia deve ocorrer metade por intermédio da Epagri e a outra metade da Fapesc.9. Celesc
Adote medidas saneadoras para eliminar o prejuízo de R$ 464,4 milhões identificado no exercício.10. Codisc
Apresente medidas para concluir a liquidação.11. Invesc
Adote medidas para reverter a sucessão de prejuízos identificada nos últimos cinco exercícios.12. Ceasa
Adote medidas para reduziros prejuízos identificados nos últimos cinco exercícios.13. Seitec e Fundosocial
Contabilize a arrecadação dos recursos do Seitec e Fundosocial, identificando as receitas como de natureza tributária, sem prejuízo da base de cálculo considerada no cômputo dos gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino e ações e serviços públicos de saúde e, consequentemente, na respectiva aplicação de recursos.14. Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs)
Providencie a correta destinação às APAEs do valor de R$ 18,07 milhões, em atendimento à Lei Estadual n. 13.334/05.15. Instituto de Previdência (IPREV)
Promova a revisão dos atos de enquadramento considerados inconstitucionais, medida já determinada pela Decisão n. 2.440/2008, exarada nos autos do processo APE 06/00471942, do TCE/SC.16. Escolas Estaduais
Adote plano de metas objetivando o levantamento e a identificação da situação física das escolas estaduais, bem como a adoção de medidas para estabelecimento de cronograma de manutenção periódica a fim de evitar novos registros de interdição de escolas por falta de condições de funcionamento.17. Fundo para a Infância e a Adolescência (FIA)
Utilize os recursos alocados no orçamento de modo a garantir às crianças e aos adolescentes catarinenses, com prioridade, os direitos previstos na Constituição Federal.18. Secretaria de Estado da Defesa Civil (SDC)
Adote medidas para a plena execução dos Programas de Governo executados pela SDC, diante da importância das atividades da Secretaria à sociedade catarinense, principalmente se consideradas as frequentes calamidades ocorridas em todas as regiões do Estado ao longo dos últimos anos.
[Fonte: Projeto de Parecer Prévio do relator do processo, conselheiro Julio Garcia]

Acima, as diárias oficiais. Abaixo, o plus a mais partidário.
Todo mundo está cansado de saber que a maioria dos políticos mistura o público com o privado na maior cara de pau. Quando conseguem um carguinho público, então, aproveitam para tirar da pobre da viúva tudo o que puderem.
Vejam só o caso desse nosso velho conhecido, que atende pelo mimoso apelido de “Cochi”, a quem o governador João Raimundo entregou nada menos que a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina.
O que essas imagens aí em cima, capturadas da internet, mostram, é apenas o que a maioria dos políticos faz: usa dinheiro público (aqui foram as diárias e passagens da Agesc), para cumprir compromissos partidários.
No dia 22 de maio Cochi foi a Brasília, segundo o site do PTB, para visitar o Diretório Nacional e contar, ao presidente nacional e ao primeiro-secretário, o que ocorreu numa reunião regional da Executiva do PTB de Santa Catarina, em Lages.
Já no portal da transparência do governo, está dito que a justificativa da viagem a Brasília, nessa data, é uma reunião da Aneel.
Os leitores de coração generoso dirão “que mal tem, é tão pouco dinheiro, café pequeno…” Embora saibam que é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Mas, é claro, nada vai acontecer e nenhum governo, que dependa desse imoral loteamento de cargos entre partidos interessados unicamente em mamar, vai se arriscar a perder preciosos minutos de TV, só para fazer alguma faxina ética.
A grande dúvida, contudo, é por que entregar justamente a Agesc para o Cochi (cujo partido, nunca é demais lembrar, tem o Collor como grande estrela)? Com a Agesc paralisada e a serviço de uma sigla partidária que não está nem aí para a regulação dos serviços públicos, perdemos todos. Mas perde, principalmente, o João Raimundo, que contabiliza um desgaste desnecessário a mais na sua imagem.
CINCO ANOS DE “DESCENTRALIZAÇÃO NO BANCO DOS RÉUS”
Livro sobre a relação Metrópole/governo LHS continua censurado

LHS, Márgara e a revista Metrópole. Foto: álbum de família/Diarinho
Na foto: Luiz Henrique, ainda governador, assina um exemplar da revista Metrópole que tem, na capa, “Por toda Santa Catarina”. A moça com crachá de imprensa é Márgara Hadlich, colaboradora da revista. Foto enviada para a coluna por uma das pessoas envolvidas no imbroglio, com pedido de anonimato sobre a autoria.
Quando li o livro “A descentralização no banco dos réus” e estava escrevendo seu resumo, que publiquei aqui no dia 31 de maio de 2008, tive a clara impressão que ali estava uma obra feita para pressionar, para ameaçar. E usei o título “Retrato de uma chantagem” para identificar o assunto. Nada do que ficamos sabendo depois desmente essa impressão. Ao contrário.
Passados cinco anos, ainda há dúvidas no ar e processos se arrastando feito moribundos pelos escaninhos dos tribunais. Acho oportuno relembrar os principais capítulos dessa novela cheia de mistério e suspense.
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Nei Silva e seu partner Danilo Gomes (cujo papel na revista, oficialmente, era de editor-chefe) buscam, em 2005, formas não convencionais de faturar com veículos de comunicação. No jargão publicitário esta atuação heterodoxa é, às vezes, classificada como “picaretagem”.
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Prepararam um projeto sobre a Descentralização para “vender” ao governo do estado. Encontraram boa receptividade no então secretário do Planejamento, Armando Hess, que conhecia Danilo de Blumenau. Apresentaram o projeto em outubro de 2005. Receberam sinal verde em novembro.
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O projeto não envolvia dinheiro público (pelo menos não diretamente). Munidos de cartinha de apresentação fornecida por Hess, eles iriam aos Secretários Regionais, que por sua vez indicariam os empresários que fossem fornecedores e parceiros do governo, que pagariam pelo projeto.
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Seriam três edições da revista Metrópole, out-doors em várias cidades e um serviço que, à falta de nome melhor, está sendo chamado de “pesquisas de opinião”. Nei diz que era uma espécie de “feedback informal que a editora Metrópole levava ao governador LHS”. Isto foi orçado em R$ 500 mil.
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A Metrópole não foi a única a fazer esquema semelhante (de ir atrás de patrocínio privado para colocar na rua produtos editoriais de apoio ao governo). A naturalidade com que secretários regionais e empresários atenderam Nei e Márgara (a vendedora de publicidade) demonstra que muitos não viam nada de errado naquelas transações.
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Ia tudo às mil maravilhas. O nome do secretário Armando Hess era usado para abrir portas. Depois que Hess saiu do governo, em dezembro de 2005, Nei conta que usava o nome do próprio governador LHS.
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Aí veio o momento em que a história de bons negócios se transforma em pesadelo: junho de 2006. O comando da campanha de reeleição de LHS está preocupado com aquele sujeito que aborda empresários, potenciais doadores da campanha e parceiros do governo. Chamam Nei para conversar e fazem, segundo ele conta no livro e tem repetido nas entrevistas, a proposta fatídica: “deixa os empresários em paz que a gente dá um jeito de te pagar”.
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Pronto, o que era uma operação de risco, onde o dinheiro grosso seria arrecadado de fornecedores do governo, passou a ser um contrato bancado pelo governo, ou pelo menos, pelo PMDB. Afinal, a proposta teria sido feita em nome do partido. E, segundo Nei, os dois pagamentos que recebeu a seguir teriam, como origem, o caixa do PMDB.
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Em agosto de 2006 os advogados do PP (e da coligação de Amin) entraram no TRE com o processo pedindo a cassação de LHS por abuso do poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Entre as provas, as duas edições da revista Metrópole (de janeiro e abril de 2006) e os out-doors expostos em janeiro. E a bomba explodiu no colo do Nei.
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A partir daí, o relacionamento esfriou de vez. E a cobrança da dívida passou a ser uma missão impossível. Mesmo assim, com todas as pendências e com a ação contra LHS se arrastando, o secretário regional de Criciúma, Gentil da Luz, ainda contratou a editora Metrópole para fazer uma revista, “A força do Sul”, cujo foco eram o próprio secretário e Eduardo Moreira.
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Quando viu esta revista, na reunião do colegiado de Gravatal, em setembro de 2007, Pavan teria dito: “isto vai dar merda”. O governador LHS mandou recolher e incinerar a revista. E Nei afirma que tinha recebido apenas 15% do que Gentil e Moreira lhe deviam.
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Ao tentar cobrar na Celesc, recebeu a informação que deveria ir ao Centro Administrativo. No Centro Administrativo só queriam conversar sobre o outro projeto, não queriam misturar as dívidas. Aí, vendo que a coisa estava ficando complicada, Nei fez uma interpelação extra-judicial para cobrar a dívida do governo.
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Foi neste momento, já no final de 2007, que o secretário Ivo Carminatti entrou no circuito, “para resolver o caso”. E convencer Nei a manter a cobrança em termos amigáveis. O ex-secretário Armando Hess também voltou às negociações. Segundo Nei, discutem valores, mas não questionam a dívida.
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Na última semana de maio de 2008 vários jornalistas, eu inclusive, receberam cópias do livro “A descentralização no banco dos réus”. Nei diz que foi ele que mandou distribuir os exemplares. No dia 30 de maio publiquei um resumo do livro no meu blog e no dia 31 aqui nesta coluna, no DIARINHO.
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Nei afirma que recebeu parcelas mensais, em 2008. Por isso, nem desconfiou quando Hess o chamou para conversar num restaurante em Itapema e ficou de entregar mais uma parcela segunda-feira, em Florianópolis. Seria o pagamento de junho.
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Com a divulgação da “obra”, Armando Hess ficou preocupado e buscou aconselhamento no Centro Administrativo. Ali foi montada a estratégia que seria seguida nas horas seguintes e culminaria com a prisão, em flagrante, na segunda-feira, dia 2 de junho de 2008, do Nei Silva por extorsão.
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Nei foi preso e, 18 dias depois, libertado. Processado por extorsão, acabou absolvido na primeira instância. O governo (ou algum preposto) recorreu e o processo está no Tribunal de Justiça. Curiosamente, agora em segredo de justiça.
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Poucos dias depois, ainda em junho de 2008, o livro foi censurado previamente. Primeiro, a pedido da ex-colaboradora Márgara Hadlich. Depois, a pedido do ex-secretário Armando Hess. A censura pedida por Márgara foi derrubada, mas a de Hess continua até hoje.
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O processo por improbidade, resultado das denúncias que constam do livro, está parado porque o ex-sogro, ex-sócio (por 14 anos), ex-editor da revista, prefaciador do livro, jornalista Danilo Gomes, “sumiu”. Teve que ser citado por edital e mesmo assim não apareceu. Trata-se de uma espetacular mudança de lado que, um dia, valerá a pena contar em detalhes e poderá render outro livro.
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Nei Silva tem conseguido sobreviver de bicos (também chamados de “frilas”). Ninguém lhe dá emprego, com medo do que o governo (que ainda é dominado pelos peemedebistas), pode fazer.
Nota do editor: para ler os posts da época, em que fiz o resumo do livro, basta clicar aqui.
E para “ler” a cópia do livro que foi colocado no Cangablog, clique aqui.

Linhas retas e paralelas? Claro que não!
De tempos em tempos alguém fala sobre os prejuízos causados por uma educação básica de má qualidade. E logo todos pensam nos problemas decorrentes da alfabetização deficiente e da falta de domínio de alguns conhecimentos fundamentais, como a aritmética e a matemática.
Pois eu gostaria de meter meu angu nesse caroço e acrescentar: estamos criando gerações de tolos, crédulos, idiotas, incapazes de duvidar e de ir atrás de informações adicionais, para entender o mundo.
O que a gente vê nas tais “redes sociais” é de espantar. Qualquer bobagem, mesmo sem sustentação na realidade, ganha foros de verdade e circula como se fosse um fato comprovado. E, imbecis que somos, compartilhamos aquilo que nos parece verdade, bonito ou engraçadinho, sem questionar nada.
PARECE, MAS NÃO É!
Não estamos sendo treinados para duvidar. Ninguém nos ensina a estudar e perdemos nossa capacidade de aprender. Repetir frases, citar trechos sem fim, copiar e colar não nos torna sábios. O que nos aguça a inteligência é a dúvida, o ceticismo, a vontade de saber, afinal, se aquilo é verdade, mentira e como funciona.
Acreditamos piamente naquilo que nossos olhos vêem, botamos fé naquilo que pensamos acriticamente ser verdade e, tolos, temos certeza que o que ouvimos e tocamos é sempre real.
Séculos de brincadeiras com nossos sentidos, comprovando que podemos ser enganados de todas as formas, não serviram para nada. Olhem as ilustrações desta página. Peguem uma régua e vejam que essas linhas lá de cima são absolutamente retas e paralelas. Sim, embora nossos olhos digam que estão inclinadas ou curvas, elas são paralelas e retas.

Foto: Shane Bechler.
Os dados que formam esse triângulo também enganam nossos olhos. Tipo assim parece que é, mas não é. Parece que vai, mas não vai.
E esses pontos brancos, nessa grade da ilustração abaixo, parecem mudar de cor. Somos capazes de jurar que alguns pontos, em alguns momentos, são pretos. Mas não são.
Ilusões como essas existem em todas as áreas, perturbando todos os sentidos e muitas servem para que espertalhões ganhem dinheiro em cima da credulidade alheia. Lembram do golpe do bilhete premiado, do conto do vigário?

Afinal, são pontos brancos ou pretos?
“CIÊNCIA” E CIÊNCIA
Outro dia li a respeito de uma “experiência” que alguém fez para demonstrar os malefícios de um refrigerante gaseificado. Colocou um dente humano num copo, encheu de refrigerante e deixou ali por muito tempo. O dente, claro, corroeu.
Crédulos que somos, sem termos sido educados para investigar, duvidar e aprender, podemos pensar que essa é uma prova “científica” do mal que os refrigerantes fazem e que, ao tomar um gole, já sentimos nossos dentes derreter.
Nem nos ocorre pensar que, quando tomamos um líquido qualquer, os dentes não ficam mergulhados no líquido por muito tempo. E se escovamos os dentes após as refeições, o tempo de contato é ainda menor. Seriam necessárias muitas décadas de consumo intenso, diário, de litros e litros de refrigerante, para que o efeito fosse semelhante. Ou seja: nem tudo que parece “científico”, o é.
O prejuízo que açúcar e outros componentes das fórmulas de bebidas e alimentos causa, já foi comprovado por experimentos sérios. Mas nós, os crédulos, não queremos saber de explicações complicadas, que exigem algum conhecimento básico de biologia, de química e de outras ciências que só ouvimos falar quando decoramos coisas para o vestibular. E depois esquecemos, porque nunca aprendemos a aprender, nem a estudar. Nem a duvidar. Nem a ir atrás das causas. Ou das coisas.
A ARTE DE ENGANAR
Se levarmos essa nossa credulidade militante para a política, o caso fica ainda mais escalafobético. A nossa falta de curiosidade, de estudo, de leitura, faz-nos acreditar em tudo o que nos dizem aqueles que pensamos ser “do bem”. E a demonizar e menosprezar, mesmo sem investigar, tudo o que dizem os “adversários”.
Disso se aproveitam os políticos profissionais, para criar legiões de eleitores fiéis, que são conduzidos pelo cabresto da credulidade e da ignorância. E nesse conceito de ignorância, podemos incluir gente com duas faculdades, com doutorado… que ainda não aprenderam a aprender, porque só copiam e colam. Enganam-se, e a a seus crédulos “professores”.
A arte de enganar, que na política é levada muito a sério, também é praticada nas religiões. Mas disso não vou me ocupar agora. Merecem, os vendilhões do templo, um capítulo à parte. Em algum dia, que não seja dia santo…
Veja nas fotos abaixo: a Presidenta 1 foi fotografada em atividade presidencial na África mais ou menos no mesmo momento em que, no seu (dela) gabinete do Palácio do Planalto, em Brasília, o Presidente 4 também exercia atividade presidencial, recebendo o ex-presidente Sarney. Pode isso, Arnaldo?

A Presidenta Dilma é a de roxo. Foto de Roberto Stuckert/PR

O Presidente Renan é o da direita. Sarney o da esquerda. Foto: José Cruz/AgBrasil
Todos que acompanham esta coluna já leram, em mais de uma ocasião, notas em que expresso minha indignada curiosidade malsã sobre essa mania nacional de empossar governadores, prefeitos e presidentes postiços, “em exercício”, cada vez que o titular se afasta.
Vice existe para assumir no impedimento do titular. Quando o sujeito está impedido? Ora, quando fica muito doente, quando morre, quando enlouquece, quando, afinal, não tem condições de continuar governando.
Desde a invenção do telégrafo que as viagens deixaram de ser um motivo de impedimento total. Mais tarde, com o aperfeiçoamento da telefonia e agora de redes internacionais de comunicação, tornou-se possível manter contato com autoridades a qualquer momento em praticamente qualquer lugar do mundo.
E toda essa comunicação, como gostam de falar os idiotas da objetividade, ocorre “em tempo real” (um dia alguém terá que explicar o que é o tempo irreal). No mesmo instante fica-se sabendo o que pensa sua Excelência e é possível até colher assinaturas e mostrar textos, fotos e pessoas, como se ele ou ela estivessem presentes, em sua sala de despachos.
Vamos fazer uma continha? Posentão: a presidente 1 é a Dilma, que foi eleita para ser… presidenta. Quando ela viaja, nem que seja uma viagenzinha curta, assume o presidente 2, Michel Temer. Desta vez, Dilma foi para a África e Temer foi para o Equador. Quem é o presidente 3? O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves. Que, não por acaso, está nos Estados Unidos há uma semana.
Portanto Renan, o indigitado Renan, o pândego Renan (lembram da história engraçadíssima sobre o sustento da amante, que o levou à renúncia?) é o presidente 4, porque é o presidente do Senado. Ah, que curiosa revoada de autoridades foi necessária para que o pobre vice-rei alagoano pudesse sentir o gostinho das poltronas de couro do Planalto…
DUPLICIDADE INEXPLICÁVEL
Estabelecer uma linha de sucessão e de quem assume no impedimento de quem é importante, para evitar problemas e tentativas de golpe. Mas usar isso para fazer de conta, para “homeagear” aliados, para demonstrar nosso provincianismo e jequice, é demais.
E não faz sentido! O Renan “assumiu” o lugar da Dilma, mas a Dilma saiu pelo mundo exercendo na plenitude a presidência. Não abdicou de nenhum inciso do seu caderno de poderes. Ao fazer de conta que é o presidente, Renan estava, na verdade, duplicando a presidência. Tivemos, por várias horas ou dias, dois presidentes.
Aqui em Santa Catarina também se faz muito isso. Em geral o governador 2 assume e sai governando estado afora, fazendo campanha e distribuindo verbas e viaturas. Enquanto isso, no exterior, o governador 1 firma compromissos, fecha convênios e faz acordos que só um governador pode fazer e assinar.
E, tal como vimos na presidência da República, também fazem “cortesias”: viaja o 1, viaja o 2 e viaja o 3, para que o 4 ou o 5 assumam e posem para fotos no gabinete do governador. Presidentes do Tribunal de Justiça já foram “homenageados” nessa rotina e assumiram sem o menor constrangimento. Ao contrário.
Ah, não existe nada na lei que sustente essa transferência de cargo, em casos onde não há impedimento do titular. Mas isso é apenas um detalhe sem importância.

João Raimundo imóvel. Foto do A. C. Mafalda/SECOM
O pessoal que governa o estado de Santa Catarina tem um pensamento sobre o ritmo das coisas que é mais ou menos igual ao de todos os políticos: no primeiro ano do mandato nada acontece porque estáo conhecendo a máquina, vendo como funciona e identificando os gargalos. No segundo ano, vão atrás de dinheiro, porque só com a arrecadação, em geral totalmente comprometida com a folha e outros destinos carimbados, não dá pra fazer muita coisa. No terceiro ano, finalmente, dá pra começar as obras. Como o quarto ano é o último e também ano eleitoral, tem que fazer obras que possam ficar prontas rápido, a tempo de aparecer no horário eleitoral ou até mesmo de serem inauguradas antes.
É um raciocínio que tem uma certa lógica, mas que deve preocupar todos os contribuintes/eleitores que tenham um pouco de bom senso. Não dá pra viver assim.
Imaginem esse mesmo cronograma sendo repetido cada vez que entra um novo governante. Serão sempre dois anos de paralisia, pelo menos. No caso do segundo mandato, caso seja reeleito, muda um pouco, porque não precisa “conhecer” a máquina. Mas também é necessário acomodar os novos parceiros e reacomodar os derrotados.
De qualquer forma, nas prefeituras, no governo do estado e mesmo na presidência da República, vivemos no curto prazo. E sempre voltados para o processo eleitoral. Tudo é feito ou deixado de fazer pensando no reflexo que terá na eleição.
Vejam só o caso escandaloso das Secretarias do Desenvolvimento Regional em Santa Catarina. O governador tem uma opinião a respeito e dela não faz segredo: acha que o número de SDR é exagerado, mantém as objeções que fez à época em que as chamou de cabides de emprego e pretende modificá-las.
Quando?
Só no segundo mandato. Mexer nesse abelheiro agora poderia comprometer o delicado equilíbrio de forças ou criar alguns poderosos descontentamentos. Por isso, mesmo achando, como a maioria dos catarinenses, que as SDR passaram dos limites, o governador vai continuar engolindo esse sapo, em nome da garantia da reeleição.
É assim que funciona. Não tem “gestão moderna” que resista à lógica eleitoral. Sempre que o aperto nas contas ou a pressão pela mudança de gestores puder atrapalhar a campanha eleitoral, fica tudo como está. E isso acaba se refletindo na saúde, na segurança, na educação e em todas as demais áreas.
Hoje, pela primeira vez na minha curta vida, faço 60 anos de idade. A preocupação com a passagem do tempo é uma herança familiar. Minha mãe, por exemplo, não gostava de falar em idade. Quem pretendesse saber ao certo sua data de nascimento teria sérios problemas: os documentos, mesmo os oficiais, divergiam e nunca ninguém ficou sabendo exatamente a idade da dona Zina.
Mas eu, embora tenha uma certa cisma, não tenho tido sucesso em esconder a idade. Qualquer pesquisa superficial no Facebook ou nos vários cadastros que somos obrigados a preencher para qualquer coisa, vai mostrar que esse jovem levemente grisalho e suavemente barrigudo tem, ora vejam só, 60 anos.
Essas datas “redondas” costumam ser levadas mais a sério que as demais. Ano passado fiz 59 anos sem alarde. Mas agora, quando alguém lembra, diz, com um jeitão espantado, a boca cheia, “ah, vais fazer sessenta anos!”
Tenho vontade de dizer “grandes coisas” e mudar de assunto porque, naturalmente, não me sinto com essa idade. Quer dizer, quando passo diante de um espelho grande, ao sair do banho, e vejo tudo aquilo que o tempo distorceu, fico preocupado. Mas assim que me afasto, aquela imagem se esvanece e volto a sentir-me inteiraço e pronto para qualquer aventura que a vida me proporcione.
Claro que a realidade insiste em demonstrar, de diversas formas, que o jovem que eu sou não tem mais o corpo que costumava ter. Ora doem as pernas depois de uma noite dançante, ora doem as costas, depois de alguma movimentação mais esdrúxula, ora bate um desânimo, ao perceber que a agilidade de outrora ficou mesmo no passado.
Mas, em compensação, em muitos momentos, satisfeito com a visão clara e ampla que a vida bem vivida proporciona, com a serena compreensão do mundo e das pessoas que a experiência ajuda a conquistar, fico pensando que, apesar do desgaste deste corpo que a terra (ou o fogo) há de consumir, vale a pena viver mais tempo.

Screw it. No bom sentido. Essa foto é de quem mesmo?
No sábado os ex-funcionários do extinto jornal O Estado reuniram-se pela terceira vez para um encontro que está virando uma rotina anual. Dançaram, beberam, conversaram, homenagearam alguns colegas nesse evento curioso, cujo sucesso é mais ou menos inexplicável.
Talvez a pista para entender por que esse pessoal tão heterogêneo tem se encontrado com tanta regularidade e com tanta emoção, esteja nesse abraço, captado nas fotos que mostro abaixo. À esquerda, nas fotos, Osmar Schlindwein, que foi diretor comercial do jornal por várias décadas. O Amarelo, como também é conhecido, foi um especialista em fazer amigos entre seus colegas e subordinados. Conseguiu, com seu jeitão, ser um dos profissionais mais respeitados do estado. E de O Estado, claro.
Do dono do jornal ao funcionário mais humilde todos, em algum momento, pediram conselhos ao “seu Osmar”. E beneficiaram-se, em alguma medida, da sua visão aguda e generosa. Osmar foi homenageado no segundo encontro, ano passado.
À direita, um dos grandes fotojornalistas de Santa Catarina, o Orestes Araújo. Ele foi homenageado este ano, na festa dos dinossauros de O Estado. Orestes é o professor e padrinho dos melhores fotógrafos e todos o respeitam porque sempre teve, para os iniciantes e veteranos que o procuraram, uma palavra generosa de orientação, compartilhando sua arte e sua vivência.
Pois assim que Orestes recebeu a placa de homenagem das mãos do Hermínio Nunes o Osmar, movido pelo impulso da amizade de décadas, foi à frente da platéia para dar esse abraço espontâneo, emocionado e apertado. Côsa linda!

O abraço do Osmar com o Orestes. Fotos: Clara Obst.

...
Os pardais de Florianópolis serão ativados em breve. Em junho, se tanto, mais de uma centena de aparelhos vão medir a velocidade e o respeito ao sinal vermelho. Foram, ao que tudo indica, vencidos os perrengues burocráticos e judiciários que mantiveram a cidade sem pardais por bastante tempo.
Tem um povo contra, que se manifesta por vários meios. Mas eu não consigo entender-lhes a lógica. Berram contra uma vocação de “caça-níqueis” desses controladores de velocidade. E reclamam de uma tal de “indústria da multa”. Silenciam, contudo, sobre um equipamento muito mais agressivo, mais atrasado e mais irritante, que são as lombadas, esses morrinhos artificiais que nascem como cogumelos em todas as estradas brasileiras. Em geral, assim que são pavimentadas.
Vamos partir do princípio (discutível) de que seja impossível educar o motorista brasileiro. Parece que as autoridades de trânsito e de segurança já desistiram até de tentar. Somos, portanto, um bando enorme de gente mal educada, mal treinada e prepotente, ao volante de carros cada vez mais velozes. Como manter uma certa ordem no trânsito desses trogloditas?
A forma mais elementar (e, a meu ver, burra) é criar obstáculos físicos à circulação de veículos. Lombadas cada vez maiores e cada vez mais próximas umas das outras.
Os que moram próximo das avenidas e estradas argumentam que, sem elas, os idiotas ao volante matam mais gente. E deve ser verdade, porque são, afinal, idiotas ao volante. Mas insisto que é necessário pensar que sejamos capazes de evoluir um pouco, para um estágio de civilização em que leis, multas e pressão social possam fazer os imbecis dirigirem melhor e em velocidade razoável. Mesmo sem lombadas.
A meu ver, controladores eletrônicos de velocidade cumprem um papel educativo, sem obstruir a via.
A turma que não quer controle, nem multa, tem outro argumento engraçado: “nos lugares onde foram colocados os radares não têm ocorrido acidentes graves”. Ora, o controle da velocidade só deve ser feito como resultado de um certo número de acidentes graves? Onde não teve acidente a velocidade deve ser liberada?
Essa minha lenga-lenga não significa que eu não acredite em “indústria da multa”. Como, em princípio, desconfio de todo e qualquer governo, é sempre possível que façam alguma coisa pra nos sacanear.
As “autoridades”, se mal intencionadas, podem fazer várias pegadinhas, como reduzir muito a velocidade permitida perto dos controladores, só pra surpreender o motorista, acelerar a passagem do verde para o vermelho, para pegar os incautos, etc e tal. Mas se o aparelho estiver bem colocado, bem sinalizado e funcionando dentro da lei, só é multado quem comete uma infração. E aí, meu amigo, minha amiga, é justamente esse o jogo: punir os infratores até que aprendam a trafegar respeitando a vida alheia.
Aventuras do Gelson “quequieutôfazenoaqui” Merísio na BMW

Merísio meio distraído até no brinde. Fotos do Cláudio Thomas/Secom.

Detalhe da foto acima
JR, bonzinho que é, levou o presidente da Alesc, Gelson Merísio, pra visitar a BMW na Alemanha. Como dá pra ver na foto acima, o Gelson estava meio distraído , meio aéreo, com a quele jeitão de “que que eu tou fazendo aqui?” Preocupado, JR procurou animar o confrade, quando ganhou a maquete do prédio da BMW…

Hum... agora parece que ele ficou mais animado...

Molecagem sobre fotos do Fábio Queiroz/Alesc e A.C. Mafalda/Secom
“As secretarias regionais são máquinas político-partidárias e grandiosos cabides de emprego”
Ana Paula Lima, líder da bancada do PT
A deputada subiu à tribuna da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, na semana passada, e desceu o cacete nas SDR, utilizando números do próprio governo para mostrar que elas gastam montes de dinheiro público. Um discurso que não deve ter soado muito estranho aos ouvidos do governador JR (João Raimundo), porque um dia, num passado não muito distante, ele também disse coisas parecidas.
O que chama atenção, todavia, não é alguém falar mal das SDR. É o fato de alguém do PT (e não uma petista qualquer, mas a líder do partido na Alesc) falar nisso justamente na hora em que vários trabalham na construção de um palanque estadual para a candidatura da Dilma.
E ainda mais engraçado, nessa situação: o marido da Ana Paula, deputado Décio Lima, é candidato a candidato a candidato ao governo pelo PT e tem um discurso moderado, não bate muito no Colombo.
Já o concorrente do Décio, o também deputado Cláudio Vignatti, bate forte no governo e no governador, mais ou menos no tom que a mulher do Décio utilizou.
Claro que o PT nunca foi um partido fácil de entender e por isso nem vou tentar. Mas que essa forma de atrair os governistas para apoiar Dilma é interessante, lá isso é. Vai ver, estão envolvidos em alguma relação sado-masô do tipo “bate que eu gamo”.
FALA, ANA PAULA
Pra não dizerem que eu pincei tendenciosamente trechos da fala da deputada, transcrevo a seguir os principais tópicos do texto que foi divulgado por sua própria assessoria. Olha só:
“Os números do próprio Governo do Estado demonstram que essas secretarias causam prejuízo”, disse a deputada em pronunciamento na tribuna, referindo-se à prestação de contas das SDR’s. Ela propôs que “em vez de economizar sucateando os serviços de saúde e superlotando as salas de aula, sejam reduzidas essas estruturas, que levam pelo ralo o dinheiro do trabalho do povo catarinense”. Para a deputada, não há justificativa para os gastos com pessoal terem crescido R$ 30 milhões, apenas no ano passado. “As secretarias regionais são máquinas político-partidárias e grandiosos cabides de emprego”, afirmou.
Os dados demonstram que, entre 2007 e 2012, dos R$ 3,5 bilhões repassados às secretarias, o valor investido em obras e serviços foi praticamente o mesmo gasto para manter as unidades funcionando. (…)
“Em 20 unidades regionais, os gastos com pagamento de pessoal e custeio foram maiores que o investimento. Juntas, as unidades deficitárias gastaram R$ 232,5 milhões a mais do que aplicaram em obras e serviços à população”.
(…) “A SDR da Grande Florianópolis, que abrange a capital do Estado, onde está a sede do Governo, foi a campeã de gastos. Apenas entre 2007 e 2012, a unidade gastou R$ 43,8 milhões a mais do que investiu”. E completou: “Os números também são negativos em Lages, terra natal e reduto político do governador, com déficit de R$ 7,8 milhões”.
(…) Por entender que, “além de causar prejuízos ao erário público”, as secretarias “estão longe de cumprir os objetivos que justificavam a sua criação, que era levar desenvolvimento a todas as regiões do estado e aproximar os serviços públicos da população”, Ana Paula pede a imediata redução das estruturas. “Ando pelo estado e testemunho, por exemplo, as centenas de ambulâncias e vans que circulam pelas rodovias rumo à capital, com pessoas em busca de atendimento”, declarou a deputada. Para ela, o governador Raimundo Colombo “tem o dever” de mudar essa situação”.

O ministro e seus papagaios de pirata. Foto de Neiva Daltrozo/Secom

A turma toda, comemorando a primeira assinatura do primeiro edital
O lançamento do edital para contratar a empresa que vai fazer o projeto de viabilidade para a Ferrovia do Frango, em Chapecó, virou uma festança tamanha que parecia que estavam inaugurando o primeiro trecho. Entre as coisas engraçadas produzidas naquela tentativa de criar um fato onde havia apenas espuma, está essa foto aí. Olha só o esforço que alguns, como o Jorginho Mello e o Décio Lima (que são mais facilmente vistos no detalhe, lá em cima), fazem para aparecer na foto ao lado do ministro dos transportes. Ao fundo, meio desgostoso , o vice-governador, que quase foi encoberto pelo papagaio de pirata Mello. E olha que esta foto foi distribuída pelo governo JR.
Em tempo – pra quem gosta de saber quem é que, vou tentar identificar, da esquerda (claro): Cláudio Vignatti (PT), Pedro Uczai (PT), Ideli Salvatti (PT), um carequinha do PP que não é o Amin, Dr. Moreira (PMDB), Jorginho Mello (PR), ministro Cesar Borges (PP), Décio Lima (PT) e, quase oculto, o ex-ministro Pingolim (PT). O do bigode não sei quem é. Mas deve ser importante e famoso.
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