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Recado do editor

Férias!

Publiquei hoje, no Diarinho, o seguinte recado:

Tenho o prazer de anunciar para as leitoras e os leitores que esta coluna vai entrar em férias a partir da próxima semana. Espero que a minha ausência não preencha lacunas e que em março, ao voltar, ainda tenha o empreguinho. Portanto, se tudo der certo, nos encontraremos novamente neste mesmo batjornal e neste mesmo batcanal logo depois do carnaval. Até lá.

Como este blog é alimentado principalmente pelo material produzido para as colunas do jornal, naturalmente também estará de férias. Em outros anos, quando tirei férias, também falei que daria um descanso para os leitores mas, vez por outra, publicava alguma notinha. Desta vez vou tentar exercer o direito do trabalhador sem cair em tentações. E sem fazer “edições extraordinárias” por qualquer coisa.

Se até a reforma da ponte pode tirar férias, por que não o DONC, né?

Obrigado pela leitura e até março.

Ranzinzices

O engenheiro amador

Uma ou duas coisas desabonadoras que eu penso que sei sobre o querido vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes

João Batista

João Batista. Foto: Diego Redel/Gab. Paulo Bauer/Divulgação

Antes de começar, quero deixar claro que tenho grande admiração pelo cidadão João Batista Nunes. Sujeito esforçado, boa praça, fez por merecer os cargos para os quais foi eleito, nos conselhos comunitários e na Câmara de Vereadores. Por isso, o que direi a seguir não se deve a qualquer tipo de preconceito ou menosprezo. Tratam-se de simples e frias constatações.

Ele acumula, com a vice-prefeitura, a função de Secretário de Transportes e Mobilidade de Florianópolis. E, a cada entrevista que ouço dele, no rádio ou na TV, convenço-me que se trata do homem errado no lugar errado. E o bom sujeito, que até poderia ser útil e eficiente em alguma outra área, acaba queimando cotidianamente seu filme, na sua tentativa patética de exercer a engenharia de tráfego.

Ele desenterrou a técnica milenar da “tentativa & erro”. Não tem nada mais espantoso do que, em pleno século XXI, num dos países melhor conceituados por sua engenharia, administradores públicos jogarem na lata de lixo da história todo o conhecimento acumulado e voltarem à idade da pedra: “vamos experimentar pra ver se funciona”.

E quando tenta explicar, no rádio ou na TV, o inexplicável (aumentos do transporte coletivo, por exemplo), dá pena. Na minha maldosa mente, vejo o prefeit-o-Dário rindo a bandeiras despregadas do seu auxiliar jogado às feras.

As raposas contam com a boa vontade do João Batista, com sua disposição para servir, com sua ingenuidade, para que ele faça o serviço que ninguém quer fazer.

Ou melhor, não são raposas, são hienas, abutres quadrúpedes de riso fácil e camionetes enormes cheias de multas que ninguém paga. Mas isso não tem importância, porque o resultado, para quem fica preso nos engarrafamentos, sofre nos ônibus e não sabe como ir e vir sem arrancar os cabelos, é sempre o pior possível. E tudo com a contribuição prestativa e bem intencionada do nosso querido amigo, João Batista Nunes. Coitado dele. E coitados de nós.

Ponte Hercílio Luz

Ponte Hercílio Luz. Foto: Palhares Press

ABANDONO

Florianópolis é uma cidade cujos males principais, a meu ver, são a falta de planejamento e a ausência do poder público na regulamentação e na fiscalização do uso dos escassos espaços urbanos. Situada numa ilha, precisa de cuidados especiais que, ao longo dos anos, ninguém parece disposto a administrar

IMOBILIDADE

O resultado é que a cidade está parando. Se tem muita visita, como na temporada, a culpa é do excesso de veículos. Se é dia normal, a culpa é dos moradores que preferem o transporte individual. Se é final de semana ou feriado, a coisa melhora até o momento em que uma sinaleira pifa. No feriado não tem gente pra consertar e a coisa fica pra segunda-feira.

MALDITA UFSC

Ontem ouvi uma entrevista do secretário João Batista Nunes no rádio. E, mais uma vez, veio com uma história muito estranha: ele disse que que o trânsito na Trindade e no Itacorubi agora está fluindo bem porque não tem aulas na UFSC e nas demais escolas. E o que se entendia do discurso do vice-prefeito/secretário, era que a UFSC tem culpa no cartório: “olha como o trânsito está tranquilo, que maravilha é a cidade quando a UFSC não está funcionando”.

MEIA VERDADE

Pois ontem à tarde circulei por ali. Chovia e estava tudo trancado. Talvez, de fato, um pouco menos do que em dias de aula, mas evidentemente o problema de Florianópolis não são suas escolas. É a falta de autoridade. Os vereadores e prefeitos, de várias legislaturas, deixaram a cidade “adensar” (prédios de 12 andares, um do lado do outro) sem ampliar as vias de tráfego. A ruazinha que comportava o tráfego das casinhas unifamiliares, tem agora que aguentar milhares de veículos dos inúmeros prédios com dezenas de apertamentos.

FAZ TEMPO

Não pensem que essas coisas são novas ou que eu só me incomodo com isso agora. Olhaí o que escrevi, nesta coluna, no dia 2 de janeiro de 2009:

O dia em que a capital parou

Tem quem pense que é brincadeira quando a gente fala que a Ilha, qualquer dia desses, pode afundar. Tem turista demais, morador demais, carro sobrando e espaço de menos.

Hoje choveu e, naturalmente, a turistada que abarrota as praias teve, ao mesmo tempo, a mesma idéia: “bamos al centro!”, disseram uns, “vamo pro centro, manô!”, disseram outros. E o resultado foi um engarrafamento monstro.

As regiões dos shoppings e supermercados foram as mais atingidas pelo excesso de veículos e gente. E só se deu bem quem não precisou sair de casa.

Daí a gente pensa: não é todo ano a mesma coisa? É. Na temporada, dia de chuva é dia de engarrafamento no centro. Então, manezinho esperto já sabe: dia de chuva não inventa de sair à rua. Fica bem quietinho, esperando a enxurrada de turistas passar.

Bloguices

Finalmente! O ano do Dragão!

Agora seremos todos ricos, famosos e bonitos!

DRAGÃO

Como não estamos na China, uso um dragão europeu. Deve ser a mesma coisa.

CARAMINHOLAS COMEMORATIVAS

(Intrigas; maquinações; tramoias; ardis; mexericos…)

SÓ PENSAM NAQUILO

“Eles” já estão, faz tempo, trabalhando em tempo integral para as eleições municipais que se aproximam. Em cada município e no estado todo a tal “classe política”, composta em geral por gente que vive de mamar nas tetas da viúva, não fala nem faz outra coisa. Sonham com alianças, tempo de TV, cargos, ocupação de “espaços”, pequenos e podres poderes, grandes e reluzentes recompensas.

ESPETÁCULO

E nós, os eleitores que também somos contribuintes (graças aos nossos esforços, as úberes estatais vivem cheias), ficamos meio de longe, pasmos, assistindo a esse espetáculo cada vez mais deprimente. E constrangedor. Sabendo que, no fim, ainda acabaremos levando bronca porque votamos “errado”, elegendo os mesmos de sempre.

CARNIÇA

Esta semana os detentores da “máquina” reuniram-se para dividir o butim. Os ex-governadores peemedebistas LHS, Paulo Afonso Vieira e Eduardo Moreira, que administram boa parte do governo catarinense, foram ao palácio residencial dar uma prensa regulamentar no atual governador. Apenas para que ele não tenha idéias estranhas: afinal, o loteamento do governo está acima e além dos mandatos. Decerto foram apenas recapitular os compromissos e garantir o tal “espaço”. Que é a área pública entregue a cada um, para que faça o melhor uso.

PROBOS E ÉTICOS

Por favor não vejam nem leiam, nas notas anteriores, qualquer sugestão de malfeito ou ilícito. A apropriação do governo por grupos políticos é do jogo. Coisa legítima. Pode até parecer (dependendo de como o grupo se comporte) meio imoral às vezes. Mas é para administrar a coisa pública que a gente os elege. Tudo dentro da lei. Portanto, o que nos incomoda não é ter políticos lidando com dinheiro público. É ter políticos que misturam o público com a privada. E fazem num lugar o que só deveriam fazer no outro.

BIG BROTHER

Mudando um pouco de assunto. Ontem dois candidatos a prefeito de Florianópolis foram “prestigiar” a inauguração de mais algumas câmeras de monitoramento no norte da Ilha de Santa Catarina. Como vocês sabem, essas câmeras que estão colocando em todos os cantos do estado só funcionam se alguém estiver acordado, olhando para o que elas mostram. E se, ao ver algum movimento suspeito, o coitado que está de vigia, tiver para quem ligar. Ou se a ligação resultar em alguma ação real.

MOSAICO

Vocês já foram a alguma loja que vende aparelhos de TV, né? Viram aquela parede com uma porção de monitores ligados. Agora imaginem-se sentados ali, com a tarefa de olhar atentamente para o que as TVs mostram. Cada uma ligada a uma câmera, numa parte da cidade. Ou, pior, algumas ligadas a várias câmeras, mostrando alguns segundos de cada fonte. Vai conseguir atuar preventivamente? Vai conseguir distinguir alhos de bugalhos naquele mosaico?

PRA NADA

Deve ser frustrante, para policiais bem intencionados, ver que toda essa parafernália é montada pela metade, instalada só a parte mais visível, que envolve mais grana de compra e venda. O cara até pode se esforçar e ver, naquela montoeira de imagens, alguma coisa suspeita. Mas não tem quem mandar impedir o crime. Porque os únicos coitados que cuidam da área (imensa), estão atendendo outra ocorrência. No sul da ilha, por exemplo, região grande e populosa, em alguns dias tem só uma viatura com dois PMs. Não tem como estar ao mesmo tempo no Campeche, no Pântano do Sul e no Ribeirão da Ilha. Em muitos municípios a coisa também acontece no Samu. Mandam a população ligar para o 190 e para o 192 e não montam uma estrutura capaz de atender com rapidez as urgências.

PALÁCIO DE CRISTAL

O Tribunal de Contas de Santa Catarina construiu uma sede nova, um Palácio de Cristal, que tem até heliporto no último andar. Eles devem saber o que fazem. Afinal, cuidam das contas públicas. Não iriam fazer nada que os desabonassem. Jamais poderiam apontar o dedo para indicar os malfeitos do Executivo, se tivessem cometido coisa semelhante. Outro dia me disseram que tem casos de nepotismo no TCE-SC. Imediatamente mandei o informante andar: era só o que faltava! Andaram querendo insinuar que o TCE demora demais para examinar contas (muitos anos) e que é muito carinhoso com o governo estadual e rigoroso com prefeituras pequenas. Imaginem, que despautério! Deve ser intriga de gente que foi pega malversando fundos públicos. O novo palácio, com suas paredes envidraçadas, sem cortinas e cantos obscuros, vai permitir que a população acompanhe, com binóculos, tudo o que ocorre lá dentro. Maior transparência, impossível.

REFORMA?

Voltando ao assunto das primeiras caraminholas: o eleitor está mais por baixo que cano estourado da Casan. Os políticos, reunidos em partidos que mais parecem clubes do Bolinha, decidem quem vai se candidatar e o que farão depois de eleitos. A vontade do eleitor não é levada em conta. Eles pensam muito no cargo, na verba, na negociação intra-muros. Mas não em quem estão representando. Por isso, acho que está na hora de parar de falar em “reforma política”. Essa reforma que ninguém se anima a fazer, não vai sair do papel. Talvez seja a hora de pensar não em reforma, mas em revolução. Que tal?

Leituras online

A cadeia que não prende

Toda vez que leio a notícia da condenação de alguém a 103 anos, a 30 anos, a 80 anos de prisão, lembro imediatamente do artigo escrito pelo procurador da República Celso Três em 2006, onde comenta a impossibilidade de que um assassino, mesmo com todos os agravantes, fique preso por mais de três anos (apesar da coincidência, o sobrenome do procurador não tem nada a ver com esse número cabalístico). É assim o frustrante processo penal brasileiro (que há anos falam em mudar, atualizar), que na hora do julgamento anuncia penas centenárias e na hora do cumprimento, faz o crime valer… a pena. Já publiquei aqui em outras ocasiões e repito-o. Divirtam-se.

Matar ministros do STF: no máximo, prisão por cerca de três anos
Celso Antônio Três – 09/03/2006

“TUBARÃO (SC) – A inconstitucionalidade — o fim — do regime integralmente fechado (prisão) aos delitos hediondos, tráfico de entorpecentes e demais (Lei nº 8.072/90), declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), faz-me pensar em assassinar um ou vários ministros da Suprema Corte.

Não é argumentum ad terrorem, é terrorismo, mesmo.

Na iminência de serem vítimas, quiçá os julgadores, premidos pela natural solidariedade imanente ao espírito de corpo da corte, ao invés de sempre compadecerem-se com os horrores do cárcere e os incômodos dos réus, atentem à desgraça das vítimas.

A vítima de hediondo assassinato, morta e sepultada, ipso facto remanescerá ad eternum no regime integralmente fechado, cemitério. Jamais terá qualquer progressão. Nenhuma declaração de inconstitucionalidade de sua morte a ressuscitará.

Viola a garantia constitucional da individualização da pena a vedação à progressão ao regime semi-aberto e aberto. Não obstante permitida a progressão do cumprimento da pena sob outras formas (como o livramento condicional)?!

Não é muito mais violador da Constituição fazer tábula rasa entre delitos hediondos e os demais, quando a Carta Política foi enfática, explícita, prescrevendo sua punição severa (artigo 5º, XLIII, da Constituição).

Tratando-se de homicídio de altos dignitários, ministros do STF, a efeméride deverá ser proporcionalmente qualificada. Rectius. Todas as qualificadoras (artigo 121, parágrafo 2º, do Código Penal).

Não direi quem penso matar, qualificadora da surpresa. Motivado que sou pela reles irresignação da libertação de facínoras, notório o desvalor da vítima para os julgadores pátrios, incide a qualificadora do motivo fútil. Finalmente, o modus operandi, à la os mais perversos assassinos, o mais cruel que possamos imaginar.

Na pior das hipóteses, serei preso por cerca de três anos.

Tolhido pelo estrambótico protesto por novo júri (artigo 607 do Código de Processo Penal), o veredicto ficará aquém de 20 anos, sabido que nenhum magistrado responsável aplicará mais, garantindo novo julgamento no qual, afora as nulidades abundantes no júri, poderá resultar na absolvição.

Poderão ser mortos mais de um ministro, pois o próprio STF admite protesto por novo júri também no cúmulo de delitos, tanto o concurso formal (a exemplo do HC 69.378-4/ES, DJU 19/06/92, p. 9.521), quanto o crime continuado (como na RT 752/514), sabido que revogado o afastamento do protesto quando majorada a pena na apelação (artigo 607, parágrafo 1º do CPP; HC 74.633-1-SP, DJU 11/04/97, p. 12.189).

Eximido da Lei nº 8.072/90, tendo cumprido reles 1/6 de menos de 20 anos (artigo 112 da Lei de Execuções Penais), já isentado de qualquer avaliação pelo Conselho Penitenciário (Lei nº 10.792/03), estarei livre, pois o regime semi-aberto e aberto existem apenas “pro forma”, sendo raros estabelecimentos prisionais ao seu devido cumprimento, ante sua ausência fazendo jus os condenados ao livramento, bizarra prisão domiciliar (STF: RT 667/379, 674/354).

Tenho certeza, contudo, que a pena será muito abaixo de 20 anos.

Em meu favor, não faltarão os ricos argumentos dos garantistas, minimalistas, ferrajolistas etc., enfim, quem diz ser o réu vítima de processo sempre injusto e a vítima nada mais do réu que mereceu ser condenada pelo delinquente, os quais justificarão meu ato, no mínimo, como homicídio privilegiado (art. 121, §§, do CP), impelido que fui por relevante valor social, qual seja, o clamor das vítimas, entes queridos de pessoas assassinadas, mães que perderam seus filhos para o tráfico de drogas, etc., o quais devem suportar a imediata liberdade dos facínoras, cumprindo a eles rogar que não vitimem outros de sua família.

Assim, não obstante condenado, sequer um dia permanecerei preso.

Além desta hedionda decisão do STF e jurisprudência congênere, impera a generalizada despreocupação da doutrina com a vítima. Temos um Direito Penal do criminoso. Não temos um Direito Criminal da vítima. Basta buscar pelo verbete “vítima” nos índices alfabético-remissivos dos manuais/tratados. Não consta ou, quando presente, reporta-se à justificação do delito (v.g., vitimologia), mero elemento da culpabilidade, dosimetria da pena, etc.

Ao revés, há, sim, direito subjetivo da Sociedade — garantia social — à persecução penal (ação penal), de idêntico status às garantias individuais do perseguido!

Garantia social, enunciada no art. 23 da Constituição da França, 1793, como a “ação de todos para assegurar a cada um o gozo e a conservação de seus direitos.”.

De lembrar-se que o Título II da Lex Fundamentalis, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, na sua essência, Capítulo I, baluarte da mais eloquente argumentação da Defesa(art. 5º da Constituição), tem por epígrafe: “Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos”.

Subtraído da autotutela, reserva-se ao cidadão/vítima o elementar direito subjetivo a que o Estado, a quem ele delegou o monopólio da Justiça, seja inexorável na persecutio criminis.

Pensando melhor, desisti de matar ministros do STF.

Com os assassinatos, o presidente Lula indicaria os substitutos, convertendo-se no Chefe do Executivo que mais nomeou membros da Suprema Corte da história brasileira.

Mudada composição do STF, não obstante idênticas Constituição e leis, mudam as (in)constitucionalidades.

O Supremo Tribunal Federal já declarara a constitucionalidade da Lei nº 8.072/90. Agora, alterados os ministros, declara inconstitucional.

Uma vez mais substituídos julgadores pelo assassinato de alguns deles, certamente retroagirão, dizendo constitucional a vedação à progressão de regime.

Dessa forma, a pena que eu seria submetido desencoraja-me ao ato.

Não poderia sequer invocar a consagrada vedação à retroatividade da jurisprudência mais severa, eis que quando do ato criminoso vigorante a inconstitucionalidade da Lei nº 8.072/90, pois, assim como tantos casuísmos nesta monárquica república, certamente o STF negaria.

Pensar, mesmo em matar ministros do STF, ao menos por ora, ainda não é crime: cogitationis poenam nemo patitur.”

Caraminholas

O dia em que deu tudo errado…

O que dizem as Leis de Murphy
– Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
– Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão – ou a que causar mais prejuízo.
– Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.
– A Natureza está sempre a favor da falha.
– Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável.
– Nada é tão ruim que não possa piorar.

Costa Concordia

"O navio! O navio! Olha lá!"

“Vada a bordo, cazzo!”

Pois é, se tivesse dado tudo certo, a gente hoje não saberia o nome do capitão, não lembraria do nome do navio e provavelmente nem tomaria conhecimento da bela história de camaradagem e solidariedade que ocorreu no litoral italiano, mais precisamente na pequenina ilha de Giglio.

Esqueçam o que ouviram, leram e viram nos últimos dias sobre o Costa Concordia, porque vou contar a história tal como deveria ter acontecido se, num determinado momento, não tivesse desandado e terminado como acabou.

O capitão Francesco Schettino decidiu fazer, nesse trecho da viagem, um “inchino”. Aquela “homenagem” que os grandes navios de turismo fazem de vez em quando: aproximam-se da costa e soam suas buzinas. Em terra, o pessoal acena e se alegra, porque essa parece ser uma tradição naquela região densamente cruzada pelo transporte marítimo de lazer.

A tradução mais correta de “inchino” é reverência, como aquela genuflexão que se faz nas igrejas. Fazer com que um grande navio se “ajoelhe” diante de um porto, de uma ilha, de uma cidade é, de fato, uma homenagem emocionante.

A propósito, basta uma breve pesquisa nos sites da Costa Cruzeiros para ver que os “inchinos” de seus navios (inclusive do Concordia), rendem notinhas comemorativas. O que demonstra que embora a empresa diga, oficialmente, que repreende os desvios de rota, tolera, há tempos, essas simpáticas “quebras de protocolo”.

Pois bem. Schettino resolveu homenagear a ilha de Giglio, onde vivem os velhos pais e outros familiares do “maitre” (chefe dos garçons) do navio, Antonello Tievolli. Filho do barbeiro de Giglio, Tievolli era dono de restaurante na ilha até que, há uns doze anos, entrou para a Costa Cruzeiros. No Concordia, Tievolli chefiava todos os garçons e, no porto seguinte, Savona, desembarcaria para umas férias.

Há também quem diga que a homenagem incluiria um ex-comandante da Costa Cruzeiros, Mario Palombo, que vive naquela região. Mas ele não estava na ilha naquela sexta-feira.

Em todo caso, é um gesto bonito e simpático. Afinal, demonstra a atenção que o comandante dá aos demais colegas que trabalham no navio. São muitos. Mil tripulantes. De inúmeras nacionalidades. Mas se estavam próximo da ilha natal de um deles, por que não aproveitar para reverenciá-lo?

SEXTA, 13

Na sexta-feira à noite Tievoli foi chamado pelo capitão Schettino. “Antonello, venha ver, estamos na sua ilha”, disse o capitão. Quando chegou na ponte de comando o “maitre” olhou para a ilha e disse “cuidado, nós estamos perto demais”.

Se fosse um dia comum, o capitão riria da observação e trataria de conferir, ou pedir que algum dos seus oficiais conferisse, os instrumentos para assegurar-se da segurança da trajetória. Em seguida mandaria acionar as buzinas e em pouco tempo o Concordia estaria de volta à sua rota, rumo a Savona, ao norte.

Se tivesse sido um dia normal, a família de Tievoli teria guardado as fotos daquele naviozão iluminado ali bem perto. E os moradores de Giglio contariam, sempre que pudessem, a história daquela noite em que o filho do barbeiro fez o navio em que trabalhava chegar perto o suficiente para que ele pudesse acenar para os parentes, desde a ponte de comando.

E o comandante Schettino seria lembrado como um homem bom, colega compreensivo, capitão sensível que não se furtou a fazer um “inchino” para a família de um simples garçom.

Não era à toa que a irmã de Tievoli contava no seu facebook, desde sexta cedo, que o Concordia iria se aproximar da ilha às 21h30min. Todos estavam ansiosos pela reverência.

A PONTA DO ICEBERG

Agora, em abril, o naufrágio do Titanic completa 200 100 anos (viu? o erro aparece quando menos se espera). Não deixa de ser curioso que, a esta altura, a ponta afiada de uma pedra ainda consiga causar danos tão graves num casco de aço. E mais, que o navio com 4 mil pessoas (precisa ser grande pra caber tanta gente) tenha feito água num mar calmo, numa noite de bom tempo, sem icebergs traiçoeiros à deriva.

Talvez a culpa tenha sido do excesso de confiança a que toda aquela tecnologia embarcada e as rotas tão conhecidas (o navio faz o mesmo trajeto toda semana, vários meses por ano) podem levar. O capitão estava cheio de boas intenções. Queria produzir, para Giglio e para Tievoli e seus familiares, um evento inesquecível.

Mas aí, as coisas começaram a dar errado. E a pedra que rasgou o aço foi apenas o primeiro fato desastroso daquele dia que mudou, para sempre, a vida do capitão Schettino. E transformou uma linda homenagem numa tragédia que vai marcar, também por muito tempo, a família do pobre Tievolli. Que, literalmente, entrou de gaiato no navio.

Caraminholas

O jornalismo adernou!

Na coluna de hoje no Diarinho usei um recurso gráfico “engraçadinho”, aproveitando o navio adernado. É difícil fazer o mesmo aqui no blog. Por isso, mostro o pdf da coluna, pra vocês terem uma idéia do que o leitor do jornal está vendo. E abaixo, pra quem se interessar, o texto, num ângulo legível sem ter que virar o monitor.

coluna de hoje

Tem Diarinho nas melhores bancas

O JORNALISMO ADERNOU!

O jornalismo se aproximou demais da costa, atropelou umas pedras pontudas e afiadas e, pelo rasgão aberto no casco, entraram toneladas de água. E aí, começou a adernar. O resultado: leitores pulam no mar, abandonam o navio como podem, fogem de tudo que pareça informação jornalística, mortos de medo de serem arrastados para o fundo, tragados pelo abismo.

Havia sinais de que o desastre era iminente, mas faltava inteligência e sensibilidade para entender e corrigir a tempo. Um dos males que ajudavam a prever a catástrofe, era a exploração abusiva do óbvio. Obviedades no texto, nas manchetes, nas legendas, mostrando que a preguiça e a falta de cultura estavam tomando conta.

Querem um exemplo? Vejam o caso do Chico Anísio. O grande ator e comediante está muito doente há algum tempo. Internado há semanas, nos últimos dias seu estado se agravou. Médicos, família e amigos expressam sua preocupação. Algum jornalista adernado a quase 90º, com água em metade do cérebro, escreve, num título destacado que “Após a cirurgia estado de Chico Anísio inspira cuidados”. Ora, qualquer doente, desde que começa a se tratar, “inspira cuidados”. Mesmo pessoas perfeitamente sãs, “inspiram cuidados”. Existem poucas obviedades mais óbvias que essa.

O descompromisso com a exatidão, no jornalismo, em geral anda de mãos dadas com a falta de habilidade linguística do escrevinhador. O cara não sabe direito do que se trata, ou como se diz em português o que as agências estão informando e escreve qualquer coisa. Como o tal “banco de areia” onde o Costa Concordia teria “encalhado”. É muito mais fácil dizer que “o navio encalhou num banco de areia”, do que explicar melhor o que houve.

Este jornal circula maciçamente no litoral catarinense, onde muita gente conhece bem essas coisas de encalhar, naufragar, enroscar, fazer água. Imagino que, ao ler que o navio “encalhou num banco de areia”, tenham pensado que bastaria esperar a maré subir e colocar alguns rebocadores para tirar o barco do enrosco. Mas aí surgiram as fotos, onde aparecia um enorme rombo no casco, muita pedra e nenhum “banco de areia”. E agora?

O jornalismo semi-náufrago agarra-se a qualquer coisa que parece flutuar. Se estivesse em terra, diria que se apóia em qualquer muleta. Mas como estamos no oceano das imbecilidades, varrido pelos ventos da estupidez, agarram-se a tudo que possa manter à superfície aquilo que, de outra forma, afundaria como uma âncora desgarrada da corrente que deveria mante-la acima da linha d’água.

O jargão é uma dessas bóias improvisadas, que num primeiro momento ajuda a flutuar, mas depois se encharca e apressa a ida ao fundo. O jornalista vai ouvir um técnico qualquer: um advogado, um médico, um geólogo, um meteorologista, um policial. E em vez de traduzir para o português aquela linguagem própria dos vários ofícios, acaba utilizando-a tal como lhe falaram. Ao incorporar no seu texto, acriticamente, o chamado “jargão profissional”, o jornalista afunda um pouco mais. E leva consigo, claro, o jornalismo.

Até em coisas simples, como a previsão do tempo e os comentários sobre a situação climática os jornalistas, por preguiça ou burrice, usam termos técnicos como se estivessem em uma reunião do clube dos meteorologistas e não transmitindo, ao público leigo, informações importantes.

A intromissão mais abusiva, inapropriada e antiga do jargão na linguagem jornalística se dá nas editorias de polícia. Ao buscar, nas delegacias e postos policiais a informação, o repórter lê os boletins de ocorrência e conversa com investigadores, delegados e policiais de várias patentes. E aí também, por preguiça ou burrice, simplesmente transcreve o que leu ou ouviu. Usando os termos que circulam naquele ambiente restrito, para comunicar-se com seu público, que é bem mais amplo (ou deveria ser, ou era, antes do naufrágio).

Nem vou citar os clássicos “meliante”, “elemento”, “viatura” ou “evadiu-se”. Acho muito mais emblemático o uso de “masculino” para designar um homem suspeito de algum delito. O que até pode se justificar num B.O., para que não reste dúvida sobre o sexo da pessoa e também para economizar palavras, num texto jornalístico fica apenas ridículo.

Por isso tudo, o que vemos hoje é o jornalismo com metade da cara na lama e a bunda exposta, virada pra cima. Numa situação constrangedora para quem, acima e além de tudo, depende da fé pública e tem na credibilidade seu maior patrimônio. Como fazer com que os leitores acreditem, se fomos apanhados excessivamente próximos da costa, com um rasgão vergonhoso abaixo da linha d’água, os porões inundados e uma inclinação obscena que impede qualquer movimento? E, ainda mais, correndo o risco de, ao afundar ou ao sofrer algum abalo por causa das ondas, deixar vazar toneladas de óleo contaminante, que vai corromper ainda mais aquilo que um dia imaginamos que pudesse ser o quarto poder. Lamentável!

Ainda bem que alguns barcos menores, como este nosso DIARINHO, ainda flutuam em boa angulação e enfrentam as marolas a uma distância segura dos costões escarpados e traiçoeiros. Mas, em todo caso, mantenham os coletes salva-vidas colocados e, ao menor sinal de bobeira mandem e-mails, escrevam ou telefonem: às vezes é só um cochilo e, se avisado a tempo, é possível desviar e continuar o trajeto sem adernar.

Jornalismo

Uma bela duma bronca!

O comentário indignado, oportuno e muito bem articulado da Neila Medeiros, no SBT Brasília. Ah, se todos fossem iguais a você…

Ranzinzices

Acredite se quiser

Não resisti e, na coluna de hoje do Diarinho, montei uma espécie de franquia fake (falsa, de brincadeirinha) do famoso circo de horrores do seu Ripley. Taí.

...

O pior é que é tudo verdade...

A estaca desaparecida

???!!!

A estaca estava, como estão várias outras, enfiada profundamente (a uns 30 m, pelo menos) no leito do canal que separa a ilha de Santa Catarina do continente, sob a ponte Hercílio Luz. Serviria para apoiar o vão central da ponte, quando tirarem os cabos que o sustentam, para completar a reforma da dita cuja. Mas desapareceu. Ninguém sabe, ninguém viu. Quando parar de chover os mergulhadores vão tentar descobrir o que houve.

Segredo

...

O Secretário da Administração disse esta semana que quase 3 mil médicos se cadastraram para atender os servidores estaduais, no tal de SC Saúde, o plano de saúde administrado pelo governo. E colocou, no site do plano (scsaude.sea.sc.gov.br), a relação de clínicas e laboratórios conveniados. E a relação dos médicos? Ah, isso só depois do dia 31 de janeiro. Até lá, é segredo. E por que o douto Marini e o excelso Raimundo estão fazendo boca de siri? Ora, porque as entidades médicas não se conformam com os valores que o governo quer pagar pela consulta. E poderiam fazer pressão sobre os que, entre a frigideira e o fogo, de olho nos milhares de servidores/clientes, estão topando a proposta oficial.

TCE

...

Cansados de meter a mão na massa sem que sejam devidamente compreendidos, os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina decidiram terceirizar as investigações. Vejam, por exemplo, o processo RLA 08/00688635: o órgão investigado (Secretaria de Estado da Saúde) é que foi convidado a corrigir o problema e fazer a investigação (uma “tomada de contas especial”). E olha que o caso é grave, envolve irregularidades em aparelhos de hemodiálise entregues fora das especificações. E se morrer alguém joga-se a culpa em quem?

Pra quem gosta de escarafunchar processos, tem mais alguns onde parece que aconteceu coisa semelhante:
Processo n. AOR – 05/03919098
Processo n. DEN – 04/05091257
Processo n. RPA – 06/00527670
Processo n. TCE – 07/00250611

programão

Cada um se diverte como pode...

Amigos

Jair Hamms

Jair Hamms

Jair Francisco Hamms. Foto: Palhares Press

Morreu um bom sujeito. Jair Francisco Hamms foi sepultado hoje à tarde, em Florianópolis. Generoso, gentil, bom contador de histórias, florianopolitano de boa cepa, deixou-nos a todos mais pobres. Ficamos órfãos todos os que nos deliciamos com seus contos e crônicas.

No começo da década de 70, o jornal O Estado fez uma grande reforma editorial e gráfica e reuniu um time de cronistas que se revezava numa das páginas do Caderno 2, que era como se chamava o suplemento cultural e de variedades.

Eram, na maioria, cronistas consagrados: Jair Hamms, Sérgio da Costa Ramos, Júlio de Queiroz e Raul Caldas. Decerto para completar o número (cada um escrevia num dia), chamaram também um novato que estava começando a publicar suas crônicas: eu. E só aceitei porque, aos 19 anos, a gente mete a cara, sem ligar muito pro que vão pensar e se vamos dar conta do recado.

Jair Hamms tinha 35 anos quando o conheci. Era um grande nome, conhecido e respeitado, tinha tudo para esnobar o moleque aprendiz que, meio deslocado, entrara para aquele time de craques. Mas nunca ouvi dele senão palavras de incentivo, tratando-me como se eu fosse um velho amigo e estivesse à altura deles todos.

Ao longo desses quase 40 anos, sempre que nos encontrávamos ele tinha alguma coisa boa para dizer e era sempre um prazer poder ouvi-lo. Depois de termos sido colegas em O Estado os contatos ficaram mais espaçados, mas ele conseguia fazer com que a conversa como que fosse retomada a cada nova reunião, sem se importar com o tempo decorrido entre uma e outra.

Amante das palavras, do significado delas, do seu som e do que elas podiam construir quando agrupadas adequadamente, deixou uma obra importante, que vale a pena conhecer. Porque ali está boa parte da alma florianopolitana.

Caraminholas

A temporada dos videntes na política

Todo começo de ano eleitoral é a mesma coisa: o governador e a presidente têm que fazer reformas secretariais e ministeriais para substituir os candidatos. Às vezes é apenas uma mudança rotineira, que troca seis por meia dúzia. Mas não faltam nas mesas de bar, programas de TV, colunas de jornais e blogs, quem aproveite a oportunidade para ler na bola de cristal os meandros ocultos do futuro.

No caso do ministério conta-gotas da Dilma (cai um de cada vez), não é preciso ser muito esperto para adivinhar o que vai acontecer: nada. Não se mexe em time que está ganhando. Os ministérios continuarão entregues aos mesmos grupos. O nome de quem exercerá o cargo é o de menos. O fato é que, se alguém tem contas a receber em alguma pasta ou quer fazer negócios em alguma área, sabe exatamente com quem terá que “falar”. A isso se chama de “normalidade institucional”.

No caso estadual, a situação é mais ou menos a mesma. Com algumas diferenças. Tem grupos que estão fora que querem entrar. E aí será preciso repartir o bolo de uma forma diferente para contemplar também esses novos “apoiadores”. Portanto, há uma certa tensão no ar: tem gente que teme perder espaço e tem gente que quer ocupar espaço. E tem quem ainda queira ampliar seu quintal. Todos esses tratam de municiar os adivinhos e videntes de plantão, para que espalhem como coisa certa as suas apostas no futuro incerto. E, dependendo do acordo, a previsão acaba divulgada com ares de informação exclusiva, “de bastidores”.

O fato é que provavelmente nem mesmo o governador Raimundo tem muita certeza do que vai acontecer nos próximos meses. Ele, como tantos outros políticos, já aprendeu que nem sempre aquilo que se gostaria de fazer pode ser feito. Mesmo os melhor intencionados terão que lidar, mais dia, menos dia, com aquilo que Lula, na sua sabedoria, definiu com precisão: “pra fazer política tem que meter a mão na lama”.

Por isso, sempre que vocês lerem uma previsão segura e detalhada do que vai acontecer nas reformas do secretariado, nas composições políticas, nos ajustes partidários, fiquem tranquilos: aquilo ali revela mais sobre quem escreve e suas motivações, do que sobre o futuro propriamente dito. Até porque em política o futuro, como vocês sabem, ao passado pertence.

Ranzinzices

No mundo do faz de conta!

“PRESOS FOGEM DA ALA DE SEGURANÇA MÁXIMA DA PENITENCIÁRIA DA CAPITAL”

Casinha de palha

Segurança máxima de araque. Ilustração: bestlovedchild.blogspot.com

“Não entendo como isso foi acontecer”, diz o diretor do presídio, olhando para as grades de bambu da penitenciária recém-reformada.

Santa Catarina tem uma penitenciária chamada de “segurança máxima” onde se permite que alguém, do lado de fora, jogue uma lima, uma serra, uma arma, um bolinho de chuva, alguns pastéis de camarão para o pátio interno. Qualquer coisa que os “internos” precisem pode ser arremessada de fora.

Na mesma penitenciária, apelidada (jocosamente, por certo) de “segurança máxima”, o sujeito que pegou no pátio uma serra, uma lima, um maçarico ou o que quer que tenham jogado, pode trabalhar tranquilamente serrando grades durante a noite, sem ser perturbado. Grades de bambu numa penitenciária feita de palha, como nos conta a fábula do porquinho preguiçoso.

E  para mostrar que, definitivamente, as “autoridades” que cuidam da penitenciária de “segurança máxima” não falam sério, foram feitas reformas naquela simpática casinha de palha. O porquinho preguiçoso fez um muro para… evitar fugas. Só que, como é preguiçoso, deixou o resto de material encostado no… muro. E isso, claro, ajudou o pessoal a escalar o muro da penitenciária que a Ada Lili Faraco de Luca administra.

Normalmente a gente acredita que as pessoas aprendem com o tempo e com a experiência. Mas isso não é bem verdade. As cadeias e penitenciárias catarinenses provavelmente estão entre aquelas onde mais fugas ocorrem. Todo mês tem gente saindo. Pela porta da frente, pela porta dos fundos, serrando grades ou simplesmente aproveitando-se do descuido de carcereiros que esquecem de fechar as celas.

Mesmo com tanta fuga, o pessoal da Ada Lili Faraco de Luca (douta secretária estadual que cuida das cadeias e penitenciárias) parece que não aprende. E a fuga seguinte acaba sendo ainda mais humilhante que a anterior (humilhante para o governo, bem entendido). E nem nas desculpas, depois da porta arrombada, a turma inova: é sempre a mesma ladainha.

Toda vez que ocorre uma fuga, o governo descobre que deveria ter feito alguma coisa que, por algum motivo fútil, não fez. Faltava o muro. Agora tem o muro, mas esqueceram de tirar o material que estava encostado nele. Faltava grade. Agora tem grade, mas esqueceram de vigiar o entorno da penitenciária, para que ninguém jogasse coisas para dentro. Podem alegar que falta pessoal pra vigiar, mas acho que, no fundo no fundo, o que falta mesmo é inteligência, esperteza. Achar que grades de bambu podem segurar a bandidagem é burrice.

Bloguices

O Lanzetta falou!

Música do Kleiton e Kledir usando o nome do nosso amigo pelotense/brasiliense (ex-editor do Bom Dia, Domingo, ex-professor da UFSC), que sempre que pode vem zanzar por aqui.

Faceiro com a música dos conterrâneos, ele manda um recadinho: “Lanzeta também falou: existe um livro! E a imprensa não acreditou”.

EM TEMPO

O Lanzetta deu mais algumas informações sobre essa música. Ela foi feita no século passado, ali por 1997 ou 1998. Como os compositores/cantores são amigos do Lanzetta (todos pelotenses, não custa repetir), fizeram a homenagem a partir de uma idéia do Clayton de que tudo o que o Lanzetta falava acabava acontecendo… E o próprio Lanza exemplifica seus dotes premonitórios: “o fim do mundo não será este ano.”

Leituras online

Jornalismo e bloguismo

Sou suspeito pra falar (bem) do Diarinho, porque desde 2005 tenho com ele uma relação remunerada e muito próxima. Mas hoje li um elogio de peso, feito por um jornalista e blogueiro que não trabalha lá. É apenas um leitor, que não tem maiores compromissos com o jornal. Mas, como profissional experiente, sabe distinguir alhos de bugalhos.

Não deixem de ler, no blog do Carlos Tonet, o post “O Diarinho e eu: a diferença entre bloguismo e jornalismo”.

É um bom texto pra ajudar a ver que existe vida jornalística fora dos grandes conglomerados de imprensa. E que o fato de usar uma linguagem coloquial não significa que o jornal descuide dos princípios da boa informação.

Leituras online

Direto ao ponto

(Vídeo sugerido pelo Alfred Biermann)

Ranzinzices

Pega-turista

Placa Rita Maria

A placa ajuda a confundir. Afinal, a Beiramar é em que direção?

Fui à rodoviária Rita Maria, em Florianópolis, no começo desta semana. Ao sair do estacionamento, segui a placa que dizia “Beira Mar”. Cheguei a um acesso interrompido (o viaduto-elevado do Dário está, ora vejam só, incompleto, apesar de inaugurado com banda de música) e retornei exatamente ao mesmo local. Como sou daqui, sabia a alternativa, mas resolvi perguntar para o PM que estava multando os carros mal estacionados.

Ele me deu uma explicação esdrúxula: “pra pegar a beira mar tem que sair ali (na av. Paulo Fontes, onde essa placa aí indica que é a direção para a ponte), virar a direita, passar pelo terminal e lá adiante pegar à direita em direção ao túnel e aí pegar à direita de novo”. Mais ou menos isso. Uma volta e tanto.

A saída, enquanto o acesso direto da rodoviária à beira-mar norte estiver interrompido pela incúria apressativa das obras inacabadas do Dário, é pegar a Av. Paulo Fontes e ir rapidamente para a pista da esquerda, para usar o retorno que existe logo depois da passarela de pedestres. Não precisa dar a volta sugerida pelo guarda. Nem ficar andando em círculos, como sugerem as placas “indicativas” que a prefeitura gentilmente manteve, apesar da alteração no trajeto.

Claro que a gente está acostumado com esse pouco caso com as indicações de trânsito. Uma obra meia boca tem, como complemento natural, indicações de tráfego também incompletas. Mas aí eu fico pensando: e se eu fosse um turista? Teria ficado muito p… da vida com a falta de consideração e a falta de informação clara. E teria, como aqueles turistas assaltados e roubados (tanto dentro quanto fora dos estabelecimentos “turísticos” da ilha “mais segura” do sul do mundo), pensado seriamente em processar a cidade por propaganda enganosa.

Caraminholas

Cadê a lógica?

Transito interrompido

Queda de barreira na Hwy 1. Foto: Palhares Press.

Uma das coisas que mais atrapalha o trânsito no Brasil (e em países onde o trânsito é uma bagunça ou bate recordes de acidentes) é a falta de lógica. Tem limites de velocidade que não fazem sentido, tem sinalização que não ajuda em nada e tem obstáculos que só atrapalham e criam áreas inseguras.

Acho que tenho alguma experiência em estradas, no Brasil e no exterior. Desde a década de 70 já fiz várias vezes, por exemplo, o trajeto entre Florianópolis e Brasília de carro. Fora daqui conheço estradas em vários países. Só pra citar as viagens mais recentes: em setembro do ano passado dirigi cerca de 1.700 km em estradas italianas, no sul e no norte do país, incluindo um pequeno trecho de pouco mais de 100 km no sul da Suíça. Em outubro percorri, também dirigindo, cerca de 1.300 km na Califórnia, EUA, na região entre Los Angeles e San Francisco. E o que essas viagens me ensinaram? Que, a engenharia de trânsito, como tantas outras ciências, precisa se fundamentar na lógica.

Aqui no Brasil a gente tem um exemplo claro e abundante da falta de lógica nas estradas: o trecho próximo aos postos de polícia rodoviária. Em muitos deles há placas limitando a velocidade a inacreditáveis 40 km/h. Alguém respeita? Ninguém! Em outros, um pouco mais realistas, vemos placas de 60 km/h. Ou então não há qualquer aviso de que é necessário reduzir a velocidade.

Como, por causa da falta de efetivo, o mais comum é que não tenha ninguém nos postos, reduzir a velocidade ao passar por eles não faz sentido. E não ter uma norma nacional mesmo para as rodovias federais, só ajuda a fazer com que os motoristas fiquem confusos.

Uma coisa que me chamou a atenção na Itália: do sul ao norte, da região mais pobre à mais rica, todas as obras nas rodovias principais eram sinalizadas da mesma maneira, seguindo a mesma… lógica. Assim, depois de ter passado pelo primeiro trecho em obras, era fácil entender a sinalização dos trechos seguintes. Mesmo que estivessem a milhares de quilômetros de distância um do outro: como é o mesmo país, as normas para sinalizar esses eventos são, naturalmente, as mesmas.

Aqui, a gente tem que adivinhar. E usar de um sexto sentido que nem sempre está funcionando. Às vezes a sinalização de obras é antiga e alguém esqueceu de tirar. A gente reduz a velocidade, espera pelo desvio e nada. Às vezes a sinalização até está correta e bem feita, mas sem fiscalização. Os “espertinhos” pisam fundo, usam o acostamento, costuram e nada acontece. E como isso se repete, acabamos criando uma geração de imbecis do trânsito que não respeitam leis nem normas. Porque sabem que nada vai acontecer com eles.

O  que seria lógico? Primeiro, que as velocidades máximas das vias fossem estabelecidas com critério e seriedade. Não dá pra entender que uma mesma rodovia tenha velocidade máxima permitida de 110 km/h e a certa altura como num passe de mágica, sem que mude o pavimento ou o tipo de rodovia, baixe inexplicavelmente para 100 km/h.

Mas, tirante esses mistérios, se a placa informa que a velocidade máxima é 80 km/h, quem anda, por exemplo, a 100 km/h ou mais, precisa ser apanhado por algum radar, mais cedo ou mais tarde. O que acontece, na irreal vida brasileira? Políticos corruptos, novos ricos corruptores e meliantes de todo tipo inventam subterfúgios para não serem multados. Ora não pode esconder o radar, ora tem que colocar placas antes do radar, ora tem que submeter o radar a inspeções mensais do Inmetro (como o órgão não tem gente, o aparelho fica inativo a maior parte do tempo). E quando são multados, insurgem-se contra essa “violência”: que ousadia tentar punir quem viola a lei!

Sem consultar qualquer estatística, sou capaz de apostar que maioria dos acidentes e das mortes no trânsito no Brasil são causadas pelo excesso de velocidade. E os ignorantões que pisam o pé no fundo fazem isso porque, em algum momento da história do Brasil, as autoridades desistiram de exercer sua autoridade. E, por algum desvio de caráter nacional, punir ficou “fora de moda”.

Qual seria a lógica? Se a lei (e o bom senso) dizem que não se deve ultrapassar em determinados trechos da estrada, é importante que aqueles que arriscam tais ultrapassagens sejam punidos com alguma frequencia. E com rigor. Mas parece que o Estado abdicou dessa tarefa ingrata. O idiota só é “punido” quando a ultrapassagem não dá certo e, no acidente, ele morre. Às vezes ele mata, aleija mas, se tiver dinheiro, sai com sua reputação intacta e sem nódoas no prontuário. Não tem lógica, né?

Ou tem. E é a lógica perversa da lei da selva, do mais “esperto”, da bandidagem travestida de “gente boa”. Que “respeita as leis”, mas gosta de correr um pouquinho na estrada. Ou acha que sabe dirigir muito bem. Tudo isso, em todo caso, não faz sentido quando a gente vê que, no Brasil, morre mais gente nas estradas que soldados na maioria das guerras. Por nada. Bestamente.

Caraminholas

O primeiro post do ano

:-)

...

FICHA LIMPA

Os partidos políticos cuidaram para que todos os candidatos que vão inscrever para concorrer às eleições municipais, tenham um bom currículo e não uma boa folha corrida. Ter cometido crimes, desrespeitado normas e leis, é coisa que os partidos consideram muito grave, a ponto de negar o registro a esses indivíduos. E o eleitor, protegido dessa forma pelo que a política tem de melhor, que são os partidos políticos bem estruturados, não precisará escolher entre os vários ladrões que em geral aparecem como candidatos.

SEGURANÇA

Finalmente o governo estadual acordou e resolveu tomar providências sérias sobre a segurança pública. Vai afastar toda e qualquer influência política tanto dos comandos da Polícia Militar quanto das chefias da Polícia Civil. Exigirá competência profissional e resultados concretos na redução da sensação de impunidade. E oferecerá meios para que a defasagem histórica de pessoal seja corrigida. Claro que, paralelamente, colocará gente sábia para fazer continhas e reestruturar as carreiras, de tal maneira que a remuneração estimule a dedicação e permita a cobrança do desempenho.

JUSTIÇA

Um mutirão nacional vai apontar todas as leis mal redigidas, escritas de forma dúbia, confusas, que permitem múltiplas interpretações, para que os parlamentos refaçam tudo também em regime de mutirão. E os espertíssimos parlamentares que foram responsáveis pelas leis mal feitas, cheias de brechas, serão imediatamente enviados para o Haiti, para atuar na força de paz limpando latrinas, trocando fraldas e cuidados de hospitais de campanha.

MINISTÉRIOS

A  presidente, bem a seu estilo, chamará na chincha seus assessores e determinará o exame da lama sobre a qual repousa cada um de seus ministros. E, segundo palavras dela, enviará para os lupanares onde residem suas genitoras, os mais ladrões. Isso antes que a grande imprensa golpista desconfie de qualquer coisa. Afinal, como dizia Lula, não dá pra fazer política sem enfiar a mão na lama. Mas tudo tem um limite. Se o cara estiver com lama até a cintura não fica bem circular nos acarpetados gabinetes da esplanada dos Ministérios.

MOBILIDADE

Este será o ano em que todos os problemas dos aeroportos brasileiros serão resolvidos, ou pelo menos encaminhados para uma solução. A BR-101 ficará pronta e será apresentado o projeto da terceira pista. A BR-470 terá sua duplicação iniciada. Os portos, a começar pelo de Itajaí, ganharão dinamismo e eficiência de operação equivalentes aos melhores portos chineses. E as capitais e grandes cidades brasileiras serão interligadas pela linha férrea que começará a ser construída este ano, com conclusão prevista para 2014. Poderemos ir de Florianópolis a Curitiba de trem em apenas duas horas. Ou menos.

:-(

...

FICHA LIMPA

Os partidos políticos não estão muito preocupados com o passado (ou a moral ou a ética) dos candidatos que inscreveram para concorrer às eleições municipais. Ter cometido crimes, desrespeitado normas e leis, é coisa muito relativa, nem sempre suficiente para negar o registro a esses indivíduos. E o eleitor, como sempre, terá que escolher entre vários ladrões, diversos suspeitos, alguns paspalhos e um ou outro menos ladrão. E, quando dá m., ainda acaba levando a culpa: “quem mandou não votar direito!”

SEGURANÇA

O  governo estadual não acordou e nem tomou providências sérias sobre a segurança pública. A definição dos comandos da Polícia Militar e das chefias da Polícia Civil ainda têm forte influência política. A população continuará sofrendo com a falta de policiais. Ou, quando tem policial, com a falta de meios para que esses façam seu trabalho. E os policiais, com seus salários desfasados, não terão lá grandes estímulos para superar as carências históricas. Por isso, ao ligar para o 190, não será surpresa ouvir que é preciso manter o assaltante mais tempo na casa, para dar tempo da única viatura voltar do município vizinho.

JUSTIÇA

Os juízes têm demonstrado, nos últimos tempos, que são iguais a todos os demais servidores públicos graduados. Insurgem-se irracionalmente contra a fiscalização de seus feitos; protegem com unhas e dentes os empregos de seus parentes, amigos e afilhados; sabem que há, entre eles, laranjas podres, mas hesitam em afastá-las do cesto dourado de suas sinecuras. E os bons, acovardados num silêncio cúmplice, permitem que a população se sinta desamparada, numa terra sem lei.

MINISTÉRIOS

A presidente, bem a seu estilo, manterá os ministérios como feudos dos partidos da “base aliada”. A demissão de ladrões ou suspeitos de ladroagem continuará na dependência das conveniências. Se der pra segurar, a gente segura, se ficar muito complicado, a gente troca por um novo boi de piranha. Como já dizia o Lula, não se faz política sem enfiar a cara na lama. E vender a alma.

MOBILIDADE

Este será mais um ano de confusão nos aeroportos brasileiros. A BR-101 não ficará pronta e a BR-470 continuará na mesma. Os portos, a começar pelo de Itajaí, manterão dinamismo e eficiência de operação equivalentes aos melhores portos brasileiros. E as capitais e grandes cidades brasileiras continuarão engarrafadas, sem transporte coletivo abrangente e sem planejamento. Dependendo da época, é melhor ficar quieto em casa, pra não se arriscar a fazer em doze horas percursos de 80 km. Ou ter que voltar da metade.

Leituras online

Pra começar (bem) 2012

Bom dia! Sejam bem vindos a 2012. O vídeo abaixo é uma espécie de presente que escolhi com cuidado para vocês, neste primeiro dia do ano. Faz pensar. E fazer pensar é sempre alguma coisa boa, neste mundo de pensamentos enlatados e padronizados que sempre nos fazem não pensar.

Está em inglês, mas acredito que seja possível entender a mensagem, mesmo sem entender o que está sendo dito. As imagens são bonitas e bem editadas. Acho que está à altura de todos nós, que nos preocupamos em ter, a cada ano, uma vida melhor, mais produtiva e digna. Enjoy! Cheers!

One Plastic Beach from High Beam Media on Vimeo.

Amigos

Daniel Piza. Já?

Fui colega do Daniel Piza na Gazeta Mercantil em São Paulo e durante alguns anos fomos vizinhos de “baia”. Como todos que o conheceram, fiquei chocado com a notícia da sua morte. E transcrevo a seguir o texto que um outro colega publicou no Facebook, no grupo dos “Sobreviventes da Gazeta Mercantil”. Acho que o Sérgio, que foi editor-assistente do Piza, fez um bom perfil e expressou adequadamente o que muitos de nós pensam.

Daniel Piza

Daniel Piza. Foto publicada no grupo "Sobreviventes da Gazeta Mercantil", do Facebook

Por Sergio Vilas-Boas

“Precisei de alguns minutos até absorver a notícia da morte do DANIEL PIZA e me manifestar a respeito. Fui editor assistente dele no caderno “Fim de Semana” da GZM entre 1997 e 2000, quando ele foi para o Estadão (continuei até novembro de 2001). Devo a ele a minha mudança de Belo Horizonte para São Paulo (algo que estava na minha lista de desejos para aquele ano). Ele me contratou no momento em que o “Fim de Semana” começava a adquirir um prestígio considerável no ambiente da cultura – Artes & Espetáculos, primeiramente, e depois a cultura em sentido amplo, com ensaios e reportagens também sobre ciência, tecnologia, esportes, design, arquitetura, urbanismo etc.

Em termos profissionais, foi o melhor chefe que tive: conhecedor, competente, operoso, visionário, profissional até a alma. Pegava no pesado, embora fosse extremamente vaidoso e auto-referente. Nesse ponto (e talvez por isso), a tolerância dele com a vaidade alheia me deixava impaciente, porque às vezes me sobrecarregava no fechamento das 14 páginas (que depois passaram a 24 na época em que o “Valor Econômico” foi lançado).

Incontestável, porém, a maneira suave e até bem-humorada com que ele lidava com os freqüentes “ataques de estrelismo” de vários membros auto-referentes da grande equipe, que tinha vários correspondentes, colunistas, repórteres, críticos, tradutores etc. E o Piza era um dos mais jovens daquele time supereficaz (graças a ele, com certeza). Compenetrado, escrevia a coluna “Sinopse” com rapidez e perspicácia impressionantes. Sabia desfrutar o que há de melhor no mundo da literatura e das artes visuais, principalmente, mas errava a mão com freqüência quando se metia em política e economia.

Um homem mais de gabinete que de rua, raramente sujava os sapatos, mas possuía uma antena de captação global sugando tudo o que acontecia de importante, e sendo capaz de digerir tudo aquilo com a velocidade de uma transmissão. Acho que, em qualquer carreira, os profissionais mais determinados e contínuos nunca são “indistintos” ou “incontroversos”. Ao contrário: são específicos e nada fáceis de definir. O que mais me choca nisso tudo, no entanto, é estarmos diante de uma partida tão precoce quanto ele próprio.”

Bloguices

É hoje!

Feliz Natal

Ho ho ho

Desde pequeno a gente, de tempos em tempos, acha que vai poder ignorar essas datas convencionais. O Natal geralmente aparece como o principal feriado a ser combatido, quando a gente está numa fase de combater feriados e a “comercialização e banalização dos sentimentos”. E tem épocas em que alguns de nós realmente conseguem passar pelo Natal como se passa por um outro dia qualquer. Afinal, a gente, durante a vida, faz tanta coisa, não é mesmo?

Quando chegam os filhos, a resistência amolece e a gente começa a reproduzir as informações culturais, criando nas crianças o sentimento de que hoje é um dia especial. Quem é cristão (e muitos que não são) conta a história do menino Deus. Quem não é religioso reforça o sentido familiar da festa. E os encontros são marcados para hoje.

Hoje é aquele dia, de todos no ano, em que esses laços familiares pesam. Se está tudo bem e se todos estão bem, pesam menos. Se falta alguém, se as brigas não se resolveram ainda, pesam mais. Mas eles estão ali, mais visíveis que nunca, estampados nas camisetas, tatuados nas nucas, pendurados nos narizes feito piercings não-metálicos: é uma data em que a gente vê os irmãos, sente a presença dos pais, procura pelos filhos, corre atrás dos netos. Mesmo que apenas em pensamento. Mesmo longe.

Não dá para fugir do Natal. Não dá para encarar o Natal como se fosse um dia qualquer. Nem sempre é bom, nem sempre é ruim. Mas não é um dia qualquer.

Quanto mais longe do Natal, mais fácil teorizar sobre ele e seu significado. O problema para continuar escrevendo sobre isso, é que o Natal é hoje. A comida será especial, tem uma árvore esquisita na sala, as economias foram-se todas na compra de presentes, os filhos estão chegando, os pais virão em seguida, os irmãos já ligaram. Não é, sem dúvida, um dia comum. Pode ser que seja divertido, pode ser que seja chato. Pode ser que os abraços encham o coração de alegria, pode ser que as mágoas encham os olhos de lágrimas. Mas, definitivamente, não será apenas mais um dia.

Boas Festas

E que 2012 nos seja leve...

Bem-vindo ao De Olho na Capital

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